Fonte: Canal Youtube Padre Paulo Ricardo
São Jerônimo de Stridon
"E as
portas do inferno não prevalecerão contra Ela"! Nas eras conturbadas para
a Igreja é que aparecem os grandes guias. O período situado entre o final do
século IV e meados do século V foi uma dessas eras. Erros e heresias pululavam
no seio da Cristandade. Então, surgiram grandes luzeiros de santidade e
ciência: Santo Hilário, de Poitiers, Santo Ambrósio, de Milão, o grande Santo
Agostinho. Havia ainda um outro luminar que, com os
anteriores, formou o conjunto dos "Santos Padres da Igreja": São
Jerônimo, cuja festa celebra-se no dia 30 de setembro, o "mês da
Bíblia".
Jerônimo de
Stridon
Jeronimo
nasceu no ano de 342. Era filho de Eusébio, da cidade de Stridon, já na divisa
entre a Panomia e a Dalmácia, em terras não distantes de Aquileia, na Itália.
Sua família era cristã, nobre e rica. Acompanhando o costume da época, foi
batizado apenas aos 18 anos, contudo, teve uma educação cristã desde criança.
Jerônimo
tornou-se um grande latinista, sendo também muito bom conhecedor do grego e de
outros idiomas mais.
Jerônimo e
os clássicos romanos e gregos
Ele
dedicava horas e horas de seus dias lendo, estudando e até decorando livros de
grandes autores latinos: Cícero, Virgílio, Horácio, Tácito, E ainda encontrava
disposição para conhecer autores gregos. Entre eles Homero e Platão. Tal era
seu entusiasmo e admiração pelos escritores clássicos que logo formou uma
biblioteca só com obras deles, chegando até a copiar a mão vários desses
livros.
Tempos mais
tarde, Jerônimo admitiu que essa sua atitude o tinha colocado fora do
verdadeiro caminho. Apesar disso ele recordava também que Deus não o havia
abandonado nunca e que o guiava constantemente. Foi por essa ocasião que ele
tornou-se catecúmeno. Continuava seus estudos e preparava-se para ser batizado.
Seus domingos em Roma consistiam em constantes visitas às catacumbas. Ali ele
meditava sobre a fé dos mártires, admirava a atitude deles e venerava suas
relíquias.
Jerônimo
batizado
Jerônimo
recebeu o santo batismo na idade adulta. Ele foi batizado pelo Papa Libério. Já
como cristão batizado, ele fez uma viagem de estudos pelas Gálias. Para
acompanhá-lo levou consigo seu irmão de leite Bonoso.
Por essa
ocasião, ele já tinha começado a dirigir seus estudos para outros pontos do
saber humano, fora dos clássicos. Então, ele aproveitou seu tempo para estudar
hebreu com um judeu convertido. Sua intenção era poder estudar as Sagradas
Escrituras em seu idioma original. Isso não foi fácil: só o fim a que agora
destinava seus estudos e o seu constante desejo de conhecimento lhe mantiveram
nesse intento.
Jerônimo:
tentações e consolo
Nesse
período, as dificuldades e cansaços que estes estudos lhe traziam não eram todo
o sofrimento pelo qual ele teve que passar. Para ele, foi necessário enfrentar
um inimigo mais sutil, inteligente e mau.
Cristão,
não: Ciceroniano!
Jerônimo
quis visitar Jerusalém. Queria caminhar pela Terra Santa, venerar os lugares
que foram santificados pela presença de Nosso Senhor. Aproveitou a ocasião de
sua estada em Jerusalém para aprofundar seus conhecimentos da língua hebraica,
ele desejava ter um meio a mais para conhecer melhor as Sagradas Escrituras.
Assim, poderia ter mais segurança nas respostas às questões que o Papa São
Dâmaso lhe fazia constantemente a respeito de passagens difíceis dos Livros
Sagrados.
Para que
ele mudasse de vida, foi necessário que o próprio Deus chamasse sua atenção.
Jerônimo, anos mais tarde, contou em carta a uma de suas discípulas, Santa
Eustóquia, o que foi que se passou com ele:
- Sou
cristão. Responde Jerônimo. Ao que o
Juiz lhe replicou com severidade:
-
Mentira!... Você não é cristão, mas ciceroniano...
Isso seria
o mesmo que dizer: "Não sois de Cristo, sois de Cícero."
"Desde
aquela hora eu me entreguei com tanta diligência e atenção a ler as coisas
divinas, como jamais havia tido nas humanas", conclui o Santo em sua
carta a Santa Eustáquia. (Pe. Ribadaneira,
in La Leyenda de Oro, op. cit., p. 644)
Jerônimo
convive com Santos
Ele foi,
então, para Chalcis, no deserto da Síria e lá passou quatro anos. Tinha uma
vida de monge e aproveitou o tempo para aprofundar seus conhecimentos de hebreu
e estudar os escritos de São Paulo de Tebas. Jerônimo deixou o ambiente monacal
e dirigiu-se a Constantinopla. Ele queria ver e ouvir São Gregório Nanzianzeno.
Devido a sua oratória e erudição, esse Santo era conhecido como sendo "o
Teólogo".
Jerônimo
Sacerdote
Ele esteve
algum tempo também na Antioquia da Síria. Ali prestou serviços ao Bispo Paulino
que o incentivou a receber o sacramento da Ordem.
Jerônimo
pensou em ir para o deserto a fim de penitenciar-se de seus pecados. Ele
pensava especialmente sacrificar-se para afastar de si as fortes tendências e
os grandes desejos que o impeliam para a sensualidade. Naquele lugar de
silencio e isolamento ele rezava. Jejuava muito e passava noites sem dormir, em
oração e sacrifícios. Ali, porém, ele não encontrou a paz. Deus reservava para
ele o encontro com uma descoberta: sua missão não era viver na solidão.
Jerônimo voltou para Roma.
Jerônimo
secretário do Papa
Por causa
do modo de ser e da mentalidade dos povos orientais, na Igreja do Oriente havia
vários ambientes onde os erros doutrinários encontravam terreno propício para
germinarem. As heresias se difundiam e causavam confusão em todo o corpo
social.
Jerônimo e
as Escrituras Sagradas
O Papa
desejava ter uma tradução da Bíblia que fosse o mais fiel possível aos textos
originais.
O trabalho
de São Jerônimo abrangeu praticamente sua vida toda. Ele escrevia com elegância
clássica o latim e traduziu a Bíblia inteira. Daí foi que surgiu a texto da
Bíblia conhecido como "Vulgata", que significa "de uso
comum". Essa tradução foi usada largamente em quase quinze séculos. Seu
texto tornou-se oficial com o Concílio de Trento e só cedeu o lugar nos últimos
tempos, depois de estudos linguísticos exegéticos mais recentes.
Jerônimo
perseguido em Roma
Até a morte
de São Dâmaso, em 384, Jerônimo permaneceu em Roma. "Todos acorriam a ele,
e cada qual procurava ganhar-lhe a vontade: uns louvavam sua santidade, outros
a doutrina, outros sua doçura e trato suave e benigno, e finalmente todos
tinham postos os olhos nele como em um espelho de toda virtude, de penitência,
e oráculo de sabedoria" .(Pe. Ribadaneira, op. cit. p. 645.)
Jerônimo
troca Roma por Belém
Tal era o
ambiente que se criou em Roma contra Jerônimo que ele decidiu afastar-se da
Cidade Eterna indo, definitivamente, para a Terra Santa. Estabeleceu-se em
Belém onde ficou com Santo Eustáquio, Santa Paula e sua filha Eudóxia e outros
mais seguidores pregando na Palestina e no Egito.
São
Jerônimo e Santo Agostinho
Houve um
princípio de polêmica entre os dois grandes Doutores da Igreja, Santo Agostinho
e São Jerônimo. Tudo porém foi explicado: tratava-se de um mal-entendido entre
esses dois luminares do cristianismo. Tudo foi explicado, as coisas se puseram
em seu devido lugar e uma amizade que nunca havia se rompido, continuou cheia
de respeito. Eles continuaram unidos até a morte, melhor seria dizer até no
Céu.
No dia 30
do mês de setembro do ano 420, falece São Jerônimo. Estava avançado em idade e
crescido em virtude faleceu. No mesmo dia, em visão, ele aparecia a Santo
Agostinho e descrevia como era o estado das almas bem-aventuradas no Céu...
O Leão de
São Jerônimo
Numa certa
tarde, como faziam todos os dias nas horas canônicas, os monges estavam
reunidos ouvindo as lições do dia durante. São Jerônimo estava entre eles e
ouvia atento. De repente, todos perceberam que um leão se aproximava. Foi uma
correria geral. São Jerônimo manteve a calma: foi o único. Ele levantou-se e
foi encontrar-se com aquele hospede não convidado...
O jumento
foi roubado ou comido pelo Leão?
Os monges
sugeriram então que o leão fosse usado para acompanhar e proteger o jumento que
carregava a lenha para o mosteiro. E, por muito tempo, assim foi: o leão
guardava o jumento enquanto este trabalhava.
Um Leão que
cumpre a vontade de Deus
O leão
regularmente fazia a sua tarefa, mas continuava a procurar o seu velho
companheiro. Um dia do alto de uma colina e viu na estrada homens montados em
camelos e um deles montando um jumento.
Confie na
sua Ovelha
Os monges
seguiram as instruções de Jerônimo. O leão começou a rugir de novo e a balançar
sua cauda, alegremente. Pesarosos por causa do que pensaram sobre o Leão,
relembraram um pensamento conhecido na região: "Irmão, confie na sua
ovelha, mesmo que se por um tempo ela pareça um ganancioso rufião. Deus fará um
milagre para curar o seu caráter".
No livro
"Vita Divi Hieronymi" (Migne. P.L., XXII, c. 209ff.) traduzido para o
Inglês por Helen Waddell em "Beasts and Saints" (NY: Henry Holtand
Co., 1934), é onde podemos encontrar essa narração por inteiro. (JSG)
Homilia do Papa Francisco Santa Missa pela XXVIII Jornada Mundial da Juventude

Rio de Janeiro
Domingo, 28 de julho de 2013
Venerados e amados Irmãos no episcopado e no
sacerdócio,
Queridos jovens!
«Ide e fazei discípulos entre todas as nações». Com
estas palavras, Jesus se dirige a cada um de vocês, dizendo: «Foi bom participar
nesta Jornada Mundial da Juventude, vivenciar a fé junto com jovens vindos dos
quatro cantos da terra, mas agora você deve ir e transmitir esta experiência
aos demais». Jesus lhe chama a ser um discípulo em missão! Hoje, à luz da
Palavra de Deus que acabamos de ouvir, o que nos diz o Senhor? Três palavras:
Ide, sem medo, para servir.
1. Ide. Durante estes dias, aqui no Rio, vocês
puderam fazer a bela experiência de encontrar Jesus e de encontrá-lo juntos,
sentindo a alegria da fé. Mas a experiência deste encontro não pode ficar
trancafiada na vida de vocês ou no pequeno grupo da paróquia, do movimento, da
comunidade de vocês. Seria como cortar o oxigênio a uma chama que arde. A fé é
uma chama que se faz tanto mais viva quanto mais é partilhada, transmitida,
para que todos possam conhecer, amar e professar que Jesus Cristo é o Senhor da
vida e da história (cf. Rm 10,9).
Para onde Jesus nos manda? Não há fronteiras, não
há limites: envia-nos para todas as pessoas. O Evangelho é para todos, e não
apenas para alguns. Não é apenas para aqueles que parecem a nós mais próximos,
mais abertos, mais acolhedores. É para todas as pessoas. Não tenham medo de ir
e levar Cristo para todos os ambientes, até as periferias existenciais,
incluindo quem parece mais distante, mais indiferente. O Senhor procura a
todos, quer que todos sintam o calor da sua misericórdia e do seu amor.
2. Sem medo. Alguém poderia pensar: «Eu não tenho
nenhuma preparação especial, como é que posso ir e anunciar o Evangelho»?
Querido amigo, esse seu temor não é muito diferente do sentimento que teve
Jeremias, um jovem como vocês, quando foi chamado por Deus para ser profeta.
Acabamos de escutar as suas palavras: «Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou
muito novo». Deus responde a vocês com as mesmas palavras dirigidas a Jeremias:
«Não tenhas medo… pois estou contigo para defender-te» (Jr 1,8). Deus está
conosco!
«Não tenham medo!» Quando vamos anunciar Cristo,
Ele mesmo vai à nossa frente e nos guia. Ao enviar os seus discípulos em
missão, Jesus prometeu: «Eu estou com vocês todos os dias» (Mt 28,20). E isto é
verdade também para nós! Jesus não nos deixa sozinhos, nunca lhes deixa
sozinhos! Sempre acompanha a vocês!
Além disso, Jesus não disse: «Vai», mas «Ide»:
somos enviados em grupo. Queridos jovens, sintam a companhia de toda a Igreja e
também a comunhão dos Santos nesta missão. Quando enfrentamos juntos os
desafios, então somos fortes, descobrimos recursos que não sabíamos que
tínhamos. Jesus não chamou os Apóstolos para viver isolados, chamou-lhes para
que formassem um grupo, uma comunidade. Queria dar uma palavra também a vocês,
queridos sacerdotes, que concelebram comigo esta Eucaristia: vocês vieram
acompanhando os seus jovens, e é uma coisa bela partilhar esta experiência de
fé! Mas esta é uma etapa do caminho. Continuem acompanhando os jovens com
generosidade e alegria, ajudem-lhes a se comprometer ativamente na Igreja; que
eles nunca se sintam sozinhos!
3. A última palavra: para servir. No início do
salmo proclamado, escutamos estas palavras: «Cantai ao Senhor Deus um canto
novo» (Sl 95, 1). Qual é este canto novo? Não são palavras, nem uma melodia,
mas é o canto da nossa vida, é deixar que a nossa vida se identifique com a
vida de Jesus, é ter os seus sentimentos, os seus pensamentos, as suas ações. E
a vida de Jesus é uma vida para os demais. É uma vida de serviço.
São Paulo, na leitura que ouvimos há pouco, dizia:
«Eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível» (1 Cor
9, 19). Para anunciar Jesus, Paulo fez-se «escravo de todos». Evangelizar
significa testemunhar pessoalmente o amor de Deus, significa superar os nossos
egoísmos, significa servir, inclinando-nos para lavar os pés dos nossos irmãos,
tal como fez Jesus.
Ide, sem medo, para servir. Seguindo estas três
palavras, vocês experimentarão que quem evangeliza é evangelizado, quem
transmite a alegria da fé, recebe alegria. Queridos jovens, regressando às suas
casas, não tenham medo de ser generosos com Cristo, de testemunhar o seu
Evangelho. Na primeira leitura, quando Deus envia o profeta Jeremias, lhe dá o
poder de «extirpar e destruir, devastar e derrubar, construir e plantar» (Jr
1,10). E assim é também para vocês. Levar o Evangelho é levar a força de Deus,
para extirpar e destruir o mal e a violência; para devastar e derrubar as
barreiras do egoísmo, da intolerância e do ódio; para construir um mundo novo.
Jesus Cristo conta com vocês! A Igreja conta com vocês! O Papa conta com vocês!
Que Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, lhes acompanhe sempre com a sua ternura:
«Ide e fazei discípulos entre todas as nações». Amém.
SANTA MISSA NA BASÍLICA DO SANTUÁRIO NACIONAL DE NOSSA SENHORA APARECIDA HOMILIA DO SANTO PADRE
SANTA MISSA NA BASÍLICA DO SANTUÁRIO NACIONAL
DE NOSSA SENHORA APARECIDA
DE NOSSA SENHORA APARECIDA
HOMILIA DO SANTO PADRE
Quarta-feira, 24 de Julho de 2013
Eminentíssimo Senhor Cardeal,
Venerados irmãos no episcopado e no sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs!
Venerados irmãos no episcopado e no sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs!
Quanta alegria me dá vir à casa da Mãe de cada brasileiro, o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. No dia seguinte à minha eleição como Bispo de Roma fui visitar a Basílica de Santa Maria Maior, para confiar a Nossa Senhora o meu ministério. Hoje, eu quis vir aqui para suplicar à Maria, nossa Mãe, o bom êxito da Jornada Mundial da Juventude e colocar aos seus pés a vida do povo latino-americano.
Queria dizer-lhes, primeiramente, uma coisa. Neste Santuário, seis anos atrás, quando aqui se realizou a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, pude dar-me conta pessoalmente de um fato belíssimo: ver como os Bispos – que trabalharam sobre o tema do encontro com Cristo, discipulado e missão – eram animados, acompanhados e, em certo sentido, inspirados pelos milhares de peregrinos que vinham diariamente confiar a sua vida a Nossa Senhora: aquela Conferência foi um grande momento de vida de Igreja. E, de fato, pode-se dizer que o Documento de Aparecida nasceu justamente deste encontro entre os trabalhos dos Pastores e a fé simples dos romeiros, sob a proteção maternal de Maria. A Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: “Mostrai-nos Jesus”. É de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado. E, por isso, a Igreja sai em missão sempre na esteira de Maria.
Assim, de cara à Jornada Mundial da Juventude que me trouxe até o Brasil, também eu venho hoje bater à porta da casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude a todos nós, os Pastores do Povo de Deus, aos pais e aos educadores, a transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um País e de um mundo mais justo, solidário e fraterno. Para tal, gostaria de chamar à atenção para três simples posturas, três simples posturas: Conservar a esperança; deixar-se surpreender por Deus; viver na alegria.
1. Conservar a esperança. A segunda leitura da Missa apresenta uma cena dramática: uma mulher – figura de Maria e da Igreja – sendo perseguida por um Dragão – o diabo - que quer lhe devorar o filho. A cena, porém, não é de morte, mas de vida, porque Deus intervém e coloca o filho a salvo (cfr. Ap 12,13a.15-16a). Quantas dificuldades na vida de cada um, no nosso povo, nas nossas comunidades, mas, por maiores que possam parecer, Deus nunca deixa que sejamos submergidos. Frente ao desânimo que poderia aparecer na vida, em quem trabalha na evangelização ou em quem se esforça por viver a fé como pai e mãe de família, quero dizer com força: Tenham sempre no coração esta certeza! Deus caminha a seu lado, nunca lhes deixa desamparados! Nunca percamos a esperança! Nunca deixemos que ela se apague nos nossos corações! O “dragão”, o mal, faz-se presente na nossa história, mas ele não é o mais forte. Deus é o mais forte, e Deus é a nossa esperança! É verdade que hoje, mais ou menos todas as pessoas, e também os nossos jovens, experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer. Frequentemente, uma sensação de solidão e de vazio entra no coração de muitos e conduz à busca de compensações, destes ídolos passageiros. Queridos irmãos e irmãs, sejamos luzeiros de esperança! Tenhamos uma visão positiva sobre a realidade. Encorajemos a generosidade que caracteriza os jovens, acompanhando-lhes no processo de se tornarem protagonistas da construção de um mundo melhor: eles são um motor potente para a Igreja e para a sociedade. Eles não precisam só de coisas, precisam sobretudo que lhes sejam propostos aqueles valores imateriais que são o coração espiritual de um povo, a memória de um povo. Neste Santuário, que faz parte da memória do Brasil, podemos quase que apalpá-los: espiritualidade, generosidade, solidariedade, perseverança, fraternidade, alegria; trata-se de valores que encontram a sua raiz mais profunda na fé cristã.
2. A segunda postura: Deixar-se surpreender por Deus. Quem é homem e mulher de esperança – a grande esperança que a fé nos dá – sabe que, mesmo em meio às dificuldades, Deus atua e nos surpreende. A história deste Santuário serve de exemplo: três pescadores, depois de um dia sem conseguir apanhar peixes, nas águas do Rio Paraíba, encontram algo inesperado: uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Quem poderia imaginar que o lugar de uma pesca infrutífera, tornar-se-ia o lugar onde todos os brasileiros podem se sentir filhos de uma mesma Mãe? Deus sempre surpreende, como o vinho novo, no Evangelho que ouvimos. Deus sempre nos reserva o melhor. Mas pede que nos deixemos surpreender pelo seu amor, que acolhamos as suas surpresas. Confiemos em Deus! Longe d’Ele, o vinho da alegria, o vinho da esperança, se esgota. Se nos aproximamos d’Ele, se permanecemos com Ele, aquilo que parece água fria, aquilo que é dificuldade, aquilo que é pecado, se transforma em vinho novo de amizade com Ele.
3. A terceira postura: Viver na alegria. Queridos amigos, se caminhamos na esperança, deixando-nos surpreender pelo vinho novo que Jesus nos oferece, há alegria no nosso coração e não podemos deixar de ser testemunhas dessa alegria. O cristão é alegre, nunca está triste. Deus nos acompanha. Temos uma Mãe que sempre intercede pela vida dos seus filhos, por nós, como a rainha Ester na primeira leitura (cf. Est 5, 3). Jesus nos mostrou que a face de Deus é a de um Pai que nos ama. O pecado e a morte foram derrotados. O cristão não pode ser pessimista! Não pode ter uma cara de quem parece num constante estado de luto. Se estivermos verdadeiramente enamorados de Cristo e sentirmos o quanto Ele nos ama, o nosso coração se “incendiará” de tal alegria que contagiará quem estiver ao nosso lado. Como dizia Bento XVI, aqui neste Santuário: «O discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro” (Discurso inaugural da Conferência de Aparecida [13 de maio de 2007]:Insegnamenti III/1 [2007], 861).
Queridos amigos, viemos bater à porta da casa de Maria. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e nos aponta o seu Filho. Agora Ela nos pede: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2,5). Sim, Mãe, nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser! E o faremos com esperança, confiantes nas surpresas de Deus e cheios de alegria. Assim seja.
Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/francesco/homilies/2013/documents/papa-francesco_20130724_gmg-omelia-aparecida_po.html
Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/francesco/homilies/2013/documents/papa-francesco_20130724_gmg-omelia-aparecida_po.html
O Santo Escapulário de Nossa Senhora do Carmo
No dia 16 de julho, há 750 anos, o mais extraordinário penhor de salvação jamais dado ao homem - o Escapulário do Carmo - era entregue a São Simão Stock. Por isso, os carmelitanos declararam 2001 "Ano Mariano" para toda a Ordem.
Certo dia, que já vai longe, andando pelas
ruas de Roma, encontraram-se três insignes homens de Deus.
Um
era Frei Domingos de Gusmão, que recrutava membros para a Ordem que fundara, a
dos Pregadores, mais tarde conhecida como dos "dominicanos". Outro
era o Irmão Francisco de Assis, o Poverello, que havia pouco reunira alguns
homens para servir ao que chamava a Dama Pobreza. O terceiro, Frei Ângelo,
tinha vindo de longe, do Monte Carmelo, na Palestina, chamado a Roma como
grande pregador que era.
Os três, iluminados pelo Divino
Espírito Santo, reconheceram-se mutuamente, e no decurso da conversa fizeram
muitas profecias.
Santo Ângelo, por exemplo, predisse os
estigmas que seriam concedidos por Deus a São Francisco.
E São Domingos profetizou: "Um
dia, Irmão Ângelo, a Santíssima Virgem dará à tua Ordem do Carmo uma devoção
que será conhecida pelo nome de Escapulário Castanho, e dará à minha Ordem dos
Pregadores uma devoção que se chamará Rosário. E um dia Ela salvará o mundo por
meio do Rosário e do Escapulário".
No lugar desse encontro construiu-se
uma capela, que existe até hoje em Roma.
A Grande Promessa: Não irás para o fogo do
inferno.
Se a bula Papal aplacara
momentaneamente o furor dos inimigos do Carmelo, não o fizera cessar de todo.
Depois de um período de calmaria, as
perseguições recomeçaram com mais intensidade. Carente de auxílio humano, São
Simão recorria à Virgem Santíssima com toda a amargura de seu coração,
pedindo-Lhe que fosse propícia à sua Ordem, tão provada, e que desse um sinal
de sua aliança com ela.
Na manhã do dia 16 de julho de 1251, suplicava
com maior empenho à Mãe do Carmelo sua proteção, recitando a bela oração por
ele composta, Flor Carmelis.
Segundo ele próprio relatou ao Pe.
Pedro Swayngton, seu secretário e confessor, de repente "a Virgem me apareceu em grande cortejo, e, tendo na mão o hábito
da Ordem, disse-me:
Recebe, diletíssimo
filho, este Escapulário de tua Ordem como sinal distintivo e a marca do
privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo; é um sinal
de salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de paz e de uma proteção
sempiterna. Quem morrer
revestido com ele será preservado do fogo eterno”.
Essa graça especialíssima foi
imediatamente difundida nos lugares onde os carmelitas estavam estabelecidos, e
autenticada por muitos milagres que, ocorrendo por toda parte, fizeram calar os
adversários dos Irmãos da Santíssima Virgem do Monte Carmelo.
São Simão atingiu extrema velhice e
altíssima santidade, operando inúmeros milagres, tendo também obtido o dom das
línguas; entregou sua alma a Deus em 16 de maio de 1265.
Privilégio Sabatino: livre do Purgatório no primeiro sábado após a
morte
Além dessa graça específica da
salvação eterna, ligada ao Escapulário, Nossa Senhora concedeu outra, que ficou
conhecida como privilégio sabatino.
No século seguinte, apareceu Ela ao
Papa João XXII, a 3 de março de 1322, comunicando àqueles que usarem seu
Escapulário:
"Eu, sua Mãe, baixarei
graciosamente ao purgatório no sábado seguinte à sua morte, e os levarei
daquelas penas e os levarei ao monte santo da vida eterna" .
Quais são,
então, as promessas específicas de Nossa Senhora?
1º. Quem morrer com o Escapulário não
padecerá o fogo do inferno.
Que desejava Nossa Senhora dizer com
estas palavras?- Em primeiro lugar, ao fazer a sua promessa, Maria não quer
dizer que uma pessoa que morra em pecado mortal se salvará.
A morte em
pecado mortal e a condenação são uma e a mesma coisa. A promessa de Maria
traduz-se, sem dúvida, por estas outras palavras:
"Quem morrer revestido do
Escapulário, não morrerá em pecado mortal".
Para tornar isto claro, a Igreja
insere, muitas vezes, a palavra "piamente" na promessa: "aquele
que morrer piamente não padecerá do fogo do inferno".
2º. Nossa Senhora livrará do
Purgatório quem portar seu Escapulário, no primeiro sábado após sua morte.
Embora freqüentemente se interprete
este privilégio ao pé da letra, isto é, que a pessoa será livre do Purgatório
no primeiro sábado após sua morte, "tudo que a Igreja, para explicar estas
palavras, tem dito oficialmente em várias ocasiões, é que aqueles que cumprem
as condições do Privilégio Sabatino serão, por intercessão de Nossa Senhora,
libertos do Purgatório pouco tempo depois da morte, e especialmente no
sábado" .
De qualquer modo, se formos fiéis em
observar as palavras da Virgem Santíssima, Ela será muito mais fiel em observar
as suas, como nos mostra o seguinte exemplo:
Durante umas missões, tocado pela
graça divina, certo jovem deixou a má vida e recebeu o Escapulário. Tempos
depois recaiu nos costumes desregrados, e de mau tornou-se pior. Mas, apesar
disso, conservou o santo Escapulário.
A Virgem Santíssima, sempre Mãe,
atingiu-o com grave enfermidade. Durante ela, o jovem viu-se em sonhos diante
do justíssimo tribunal de Deus, que devido às suas perfídias e má vida, o
condenou à eterna danação.
Em vão o infeliz alegou ao Sumo Juiz
que portava o Escapulário de sua Mãe Santíssima.
- E onde estão os costumes que correspondem
a esse Escapulário? - Perguntou-lhe Este.
Sem saber o que responder, o desditoso
voltou-se então para Nossa Senhora.
- Eu não posso desfazer o que meu
Filho já fez - respondeu-lhe Ela.
- Mas, Senhora! - exclamou o jovem -
Serei outro.
- Tu me prometes?
- Sim.
- Pois então vive.
Nesse momento o doente despertou,
apavorado com o que vira e ouvira, fazendo votos de portar doravante mais
seriamente o Escapulário de Maria.
Com efeito, sarou e entrou para a Ordem dos
Premonstratenses. Depois de vida edificante, entregou sua alma a Deus. Assim
narram as crônicas dessa Ordem.
Fonte:
29 de Junho
S.
Pedro e S. Paulo
Apóstolos
O culto dos dois grandes Apóstolos,
Pedro e Paulo, têm como raízes os próprios alicerces da Igreja. Estando na
origem da sua fé, ficarão sempre seus patronos e seus guias. Roma deve-lhes a
sua verdadeira grandeza. Foi a Providência divina que os conduziu a ambos para
fazer da capital do império, santificada pelo seu martírio, o centro do mundo
cristão, donde irradiariam a pregação do Evangelho.
S. Pedro sofreu o martírio na
perseguição de Nero, no ano 66-67 (aqui). Foi sepultado na colina
Vaticana (aqui e aqui), onde escavações recentes acabam de encontrar o seu
túmulo no próprio lugar da basílica construída em sua honra pelo imperador
Constantino.
S.
Paulo foi decapitado na Via Óstia (aqui e aqui) no local onde se ergueu a basilica do seu nome. No decurso dos séculos, as multidões cristãs jamais cessaram de ir em peregrinação aos túmulos dos grandes Apóstolos. nos séculos II e III vinham já retemperar a fé ao contato com a igreja de Roma, constatar a sua aopstolicidade, confrantar a sua doutrina infalível com a das outras Igrejas, honrar a memória de S. Pedro e S. Paulo.
A missa desta Solenidade atesta a confiança da Igreja na intercessão daqueles "por quem recebeu as premícias da fé"
Dá particular relevo ás prerrogativas de S. Pedro (evengelho), á proteção especial de Deus sobre a sua pessoa (intróito, epístola); e os cristãos sabem que, quando cantam "Tú Petros" as prerrogativas do Principe dos Apóstolos se transmitiram as Papas, secessores de Pedro na cátedra de Roma, como sabem também que a Providência especial de Deus continua até ao fim dos séculos a dirigir o Vigário de Cristo nas sua funções de chefe da Igreja.
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Fonte:
Missal Romano quotidiano.
Por Dom Gaspar Lefebvre, monges beneditinos de S. André
Missal do Rito extraordinário do Rito Romano, revisado e promulgado pelo Papa João XXIII
Santa Maria Magdalena de Pazzi- Virgem Carmelita-1566-1607
Santa Maria Magdalena de Pazzi foi a única
filha do ilustre Camille de Pazzi, relacionados com os Médicis de Florença. Ela
nasceu no ano de 1566 e foi batizada com o nome de Catherine. Como uma criança
que ela gostava de ir para lugares solitários a entrar em oração com Deus, que
revelou-se a ela de seus concursos anos sem o auxílio de professores, como seu
criador, Redentor e santificador. Ela fez uma coroa de espinhos, um dia e
usou-o para uma noite inteira, suportando grande dor. Ela recebeu sua primeira
comunhão em dez anos de idade; aos doze anos, ela fez um voto de virgindade e
teve grande prazer em ensinar a doutrina cristã a crianças pobres.
Seu pai, não sabendo de seu voto, quis
dar-lhe em casamento, mas ela persuadiu-o a permitir que ela se tornar uma
religiosa e escolheu os Carmelitas, porque lá as freiras receberam comunhão com
freqüência. Ela entrou no ano da morte de Santa Teresa de Ávila, em 1582, na
idade de dezesseis anos. Tinha sido mais difícil de obter suas mães
consentimento; enquanto ela era um novato, sua mãe enviada um retratista do convento,
com instruções que sua filha ser retratada em colocar roupas. As irmãs cumpriu
com o seu pedido, e o retrato ainda pode ser visto no convento. Ela se tornou
professa aos dezoito anos de idade no mosteiro Carmelita de Santa Maria degli
Angeli em Florença, 17 de maio de 1584, festa da Santíssima Trindade. Ela mudou
seu nome de Catherine ao de Maria Magdalena, sobre como se tornar uma freira e
teve como seu lema, ou sofrer ou morrer.
Sua vida daí em diante foi uma penitência
pelos pecados não dela própria e de amor a nosso Senhor, que tentaram suas
maneiras em terrível e estranhas. Ela foi obediente, observador da regra,
humilde e mortificada e tinha grande reverência pela vida religiosa. Um dia,
quando ela parecia estar na última hora de sua vida, ela levantou-se do seu
leito e apressou-se em todos os lugares em todo o convento, dizendo durante o
êxtase, O amor! O amor! Ninguém sabe, ninguém sabe que você, ninguém te ama! Há
cinco anos ela foi atormentada por demônios com temíveis tentações do orgulho,
sensualidade, a gula, desespero, blasfêmia; tornaram-se tão violentas que ela
disse, que não sei se eu sou uma criatura razoável ou um sem razão; Não vejo
nada no-me mas um pouco de boa vontade, nunca mais ofender a majestade divina.
Deus criou a Estados elevados de oração e
deram seus presentes raros, permitindo-lhe ler os pensamentos de suas noviços e
enchendo-a com sabedoria para dirigi-los. Ela foi duas vezes escolhida mestra
de noviças e, em seguida, fez Superior. Em seu leito de morte pediu que suas
irmãs amar somente nosso Senhor Jesus Cristo, colocar toda a esperança nele, e
ser perpetuamente ardentes com desejo de sofrer por amor dele. Deus levou-à
mesmo em 15 de maio de 1607. Seu corpo permanece incorrupto.
Reflexão. Saint Mary Magdalene de Pazzi foi
tão cheio de amor de Deus que suas irmãs viram em seu amor por eles e chamou
sua mãe da caridade e a caridade do mosteiro.
Fonte:
Pouco pictórica vidas dos Santos, uma
compilação com base no vidas na Butler dos Santos e outras fontes por John Gilmary
Shea (Benziger Brothers: Nova York, 1894).
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