CARTA ENCÍCLICA DO PAPA BENTO XV



Proclamação de São José a padroeiro da Igreja Universal
Foi uma boa coisa para o povo cristão que o Nosso antecessor de imortal memória Pio X decretasse solenemente ao castíssimo esposo de Maria Virgem e custode do Verbo Encarnado, S. José, o título de Padroeiro Universal da Igreja; e porque no próximo dezembro o evento fará cinqüenta anos, achamos que seria útil e oportuno que a manifestação fosse dignamente celebrada da todo o mundo católico.

I. - Naturalismo da idade moderna.
Se nós dermos uma olhada nos últimos 50 anos, podemos notar um grande reflorescimento de pias instituições, as quais atestam como o culto do Patriarca santíssimo vem aos pouco passando entre os fiéis: que se consideramos as calamidades de hoje, com a aflição do gênero humano, aparece ainda mia evidente a oportunidade de intensificar um tal culto e de difundi-lo maiormente entre o povo cristão. De fato, com a guerra, na nossa Encíclica "em torno à reconciliação da paz cristã", indicamos que coisa faltasse para restabelecer em todos os lugares a tranqüilidade da ordem, considerando particularmente as relações, que intercedem entre povo e povo e entre individuo e individuo no campo civil. Agora se deve considerar uma outra causa de perturbação, e muito mais profunda, como aquela que se ataca próprio nas intimas vísceras da humana sociedade, porque naquela época caiu sobre as pessoas o flagelo da guerra, quando eram já profundamente infetadas de naturalismo, isto é, daquela grande peste do século, que, onde se ataca, atenua o desejo dos bens celestes, apaga a chama da divina caridade e tira o homem à graça que cura e que eleva a Cristo; até que, tirando-lhe a luz da fé e deixando-lhe somente as forças corretas da natureza, o abandona no meio das mais insanas paixões. E assim acontece que muitíssimos cultivaram somente os bens terrenos; e, enquanto já era crítica a crise entre proletários e padrões, este ódio de classe cresceu ainda mais com a atrocidade da guerra; a qual, se da um lado causou entre as massas uma crise econômica intolerável, do outro fez afluir na mão de pouquíssimos fabulosas fortunas.

II. - O fim da família.
A santidade da fé conjugal e o respeito da paterna autoridade foram por muitos, pouco seguido por causa da guerra; seja devido que o afastamento de um dos cônjuges tenha diminuído no outro o vínculo das obrigações, seja porque a ausência de um controle levou à atos de não consideração, especialmente femininos, de viver por contra própria e muito livremente. Por isso devemos constatar com verdadeira dor que agora os públicos costumes são muito mais depravados e corruptos de antes, e que a "questão social" se agravou a tal ponto de levar a ameaça de irreparável destruição. Se é entanto madurada nos votos e na expectativa de todos os rebeldes o surgir de uma certa república universal, a qual seja fundada na igualdade absoluta dos homens e sobre o acúmulo dos bens, e na qual não tenha mais distinção alguma de nacionalidade, nem se tenha que reconhecer a autoridade do pai sobre o filho, nem dos poderes públicos sobre os cidadãos, nem de Deus sobre homens reunidos em consorcio civil. Se todas essas coisas fossem atuadas, levaria a tremendas convulsões sociais, como aquela que agora está desolando parte da Europa. E se está criando entre outros povos uma tal condição de coisas, que vemos poucos com furor audaz incentivar a massa ao mal contento.

III. - Exemplos eficazes de S. José.
Nós portanto, mais do que todos os outros preocupados por estes acontecimentos, não deixamos de lado, quando se teve a ocasião de relembrar ao filhos da Igreja as suas obrigações... E agora pelo mesmo motivo, para relembrar, isto é o dever daqueles da nossa parte, que ganham o pão com o trabalho e para conservá-los imunes do contágio do socialismo, o inimigo maior dos princípios cristãos. Nós, com grande solicitação, propomos a eles em modo particular S. José, porque o sigam como guia e o honrem como celeste Padroeiro. Ele de fato viveu uma vida como a deles, tanto é verdade que Jesus bendito, enquanto era o Unigênito do Eterno Pai, quis ser chamado "o Filho do Pai". Mas aquela humilde e pobre sua existência como soube adornar de tanta virtude!
Daquelas virtudes, isto é, que deveriam resplender no esposo de Maria Imaculada e no padre putativo de Jesus Cristo. Portanto, na escola de José, aprendam todos a considerar as coisas presentes, que passam, à luz das futuras, que duram eternas; e, consolando os inevitáveis diságios da condição humana com a esperança dos bens celestes, a estes aspiram com todas as forças, aceitando a divina vontade, sobriamente vivendo, segundo as leis da piedade e da justiça. No que diz respeito aos operários, nos agrada aqui reportar as palavras do nosso predecessor de f.m. Leão XIII: "Em consideração à estas coisas, os pobres, e quantos vivem com o fruto do trabalho, devem sentir-se animados por um sentimento superior de equidade; que se a justiça permite a eles de saírem da pobreza e de conseguir um maior bem estar, é porém proibido pela justiça, que foi constituído pela divina Providência. Não é com a violência e através de revoltas e tumultos que se procura melhoramento, os quais, não fazem que criar mais tensão, que se desejam minimizar. Se os pobres quiserem agir sabiamente, não confiarão nas vãs promessas dos demagogos, mas no exemplo e no patrocínio de S. José e na caridade materna da Igreja, a qual dia após dia toma conta deles com dedicação sempre maior."

(Carta Encíclica "Quamquam pluries").
IV. - Devoção à Sagrada Família.
Com o florescer da devoção dos fiéis para com S. José, aumentará junto, por necessária conseqüência, o culto deles para com a Sagrada Família de Nazaré, que ele foi Chefe, brotando estas duas devoções uma da outra espontaneamente. Para S. José nós andamos diretamente a Maria e com Maria à fonte de todas santidades. Jesus Cristo, o qual consagrou as virtudes domésticas com a sua obediência para com S. José e Maria. A estes maravilhosos exemplos de virtude Nós desejamos que a família cristã se inspire e completamente se renovem. Deste modo, a família é o centro e a base do consórcio humano, reforçando a sociedade domestica com a santa pureza, com a fidelidade e a concórdia, enfim um novo vigor; e diremos quase, um novo sangue circulará pelas veias da sociedade humana, que vem assim a ser vivificada da virtude restauradora de Jesus Cristo; e seguirá um adorável reflorescer, não só dos costumes íntimos, ma também das instituições públicas e civis.

V. - Exortações e prescrições.
Nós portanto, cheios de confiança no patrocínio Dele, cuja vigilância quis Deus dar em custodia do Encarnado seu Unigênito e da Virgem Santíssima, vivamente exortemos todos os Bispos do mundo católico, a fim de que, nos períodos difíceis para a Igreja, que os fiéis implorem com maior empenho a válida ajuda de S. José. E porque são muitos os modos aprovados desta Sede Apostólica, com que se pode venerar o santo Patriarca, especialmente em todas as quartas-feiras do ano e no inteiro mes a Ele consagrado, Nós queremos que, todas estas devoções, por quanto se possa, sejam em cada diocese praticada. Mas em modo particular, porque ele é tido como o mais eficaz protetor dos moribundos, tendo expirado com a assistência de Jesus e Maria, será dever dos sagrados Pastores de aconselhar com todo o prestigio da autoridade deles aqueles pios sodalícios, que foram instituídos para suplicar S. José em pró dos moribundos, como aquele "da boa morte", do "Transito de S. José para os agonizantes de todos os dias".
Para comemorar o Decreto Pontifício, ordenamos que dentro de um ano, a partir de 8 dezembro p.v., em todo o mundo católico, se celebre, em honra a S. José, Padroeiro da Igreja Universal, uma solene missa, como e quando será oportuno aos Bispos; e a todos aqueles que assistirão, Nós concedemos a partir de agora, às condições de sempre, a Indulgência Plenária.

Roma, S. Pedro, 25 julho, festa de S. Jácomo Apóstolo, 1920, no ano sexto do Nosso
Pontificado.
BENEDICTUS PP. XV

DECRETO QUE PROCLAMOU SÃO JOSÉ PADROEIRO DA IGREJA


Ao Urbe e ao Orbe.


No mesmo modo que Deus tinha constituído aquele José, procriado pelo patriarca Jacò, subintendente a toda a terra do Egito, para conservar o trigo ao povo, assim, ameaçando a fartura dos tempos, estando per mandar sobre a terra o seu Filho Unigenito Salvador do mundo, Escolheu um outro José, cujo aquele era figura e o fez Senhor e Principe da casa e possessão sua e o elegeu Custode dos seus principais tesouros.
De fato, ele teve em esposa a Imaculada Virgem Maria, da qual nasce do Espírito Santo o Senhor Nosso Jesus Cristo que perto aos homens dignou-se de ser chamado filho de José. E Aquele, que tantos reis e profetas tremiam para ver, José não só O viu, mas con Ele viveu e con paterno afeto O abraçou e beijou; e ainda mais, O nutriu cuidadosamente, aquele que o povo fiel teria ingerido como pão descido do céu, para
conseguir a vida eterna. Por esta sublime dignidade, que Deus deu a este fiel seu Servo, a Igreja teve sempre in grande honra e louvor o Beatissimo José, depois da Virgem Mãe de Deus, sua esposa, e a sua ajuda implorou nos momentos difíceis.
Agora, como nestes tempos tristíssimos a própria Igreja, da todas as partes atacada pelos inimigos, é tão opressa por graves maldades, que homens empios pensaram ter finalmente as portas do inferno vencido contra ela, por isso os Veneráveis Excelentíssimos Bispos do Universo Orbe Católico entregaram ao Sumo Pontífice a súplica deles e aqueles dos fiéis pedindo que se dignassem constituir São José, Padroeiro da Igreja Católica. Tendo depois, no Sagrado Ecumênico Concilio Vaticano, insistido renovando os pedidos e os votos deles, o Santíssimo Senhor Nosso Pio Papa IX, consternado pela recentíssimas condições, para a fiar ele mesmo e todos os fiéis ao potentíssimo patrocínio do Santo Patriarca José, quis satisfazer os votos dos Excelentíssimos Bispos e solenemente o declarou Padroeiro da Igreja Católica, ordenando que a sua festa, caído o dia 19 de março, dali para frente fosse celebrada com rito duplo di prima classe, sem oitava, por motivo da Quaresma.
Ele mesmo dispôs que tal declaração, a meio do presente Decreto da Sagrada Congregação dos Ritos *), fosse de domínio público no dia sagrado da Imaculada Virgem Mãe de Deus e Esposa do castíssimo José.

8 dezembro 1870.
Card. PATRIZI
Prefetto della S. C. dei RR.
Vescovo di Ostia e Velletri.
DOMENICO BARTOLINI
Segretario della S. C. dei RR.

6 de Março - Mês Dedicado a São José Encarnação do Verbo Divino e Visita da Virgem Maria à Sua Prima Santa Isabel





                Corria o quarto mês depois dos Desposórios, quando o Senhor, encontrando na puríssima Virgem todas as virtudes heroicas correspondentes ao seu agrado, quis estender o braço da Onipotência à maior de suas obras, dispondo a Encarnação inefável do Verbo Divino no virginal seio de Maria Santíssima.
            Para isto, entrando já o tempo alegre da primavera, a 25 de Março, enviou Deus o Arcanjo São Gabriel por embaixador de tão alto mistério, o qual por sua natural sutileza, penetrando a clausura da porta, apareceu, em forma humana e refulgente, à ditosíssima Virgem, que estava só e recolhida, orando no cubículo interior da sua pobre casa de Nazaré. Saudou-a com uma profunda veneração e com termos mui novos e especiais, como a sua Rainha e Senhora, em quem adorava os mistérios altíssimos de seu Criador. Deu-lhe a saber que o Verbo Divino tinha resolvido tomar a forma de homem para remir e salvar a humanidade e a tinha escolhido para sua Mãe augusta, ficando sem detrimento, antes muito mais pura, a sua virginal integridade, concorrendo para isso a virtude do Espírito Santo, que também era a do Altíssimo.
            Ouvindo a Virgem o que lhe anunciava o Anjo, se turbou, e ele, para alentar a sua humilde modéstia e corroborar a sua fé na Onipotência divina, lhe advertiu que sua prima Isabel também havia concebido um filho sem embargo de a ter posto a natureza em esterilidade e os anos em velhice.
            Confortada a Virgem com as palavras do Anjo, e esperando este pela sua resposta e consentimento, pôs a Rainha dos céus os joelhos em terra e, erguendo o coração e as mãos a Deus, aniquilando-se diante dele, disse, com profunda humildade: Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra; e no mesmo instante, por virtude do Espírito Santo, concebeu Maria Santíssima em seu puríssimo seio ao Filho de Deus, dignando-se o Verbo eterno, sem horror, de trocar o seio celestial do Pai pelo sagrado seio virginal de sua Mãe, passando a Virgem Maria de consorte de um pobre carpinteiro a ser Esposa do Arquiteto do Céu, como ponderou Santo Agostinho.
            Há dúvida com relação à hora em que se realizou essa divina embaixada, se pela manhã, ao meio dia ou à tarde, nascendo daí o louvável costume que a Igreja tem em dizer àquelas horas a saudação angélica da Ave Maria. Pensam alguns que fora à meia noite em ponto.
            Executado o profundo mistério da Encarnação do Verbo, e certificada a soberana Virgem pela embaixada do Anjo de que Santa Isabel, sua prima, havia já seis meses, gozava a milagrosa fortuna da fecundidade, concebendo também um filho, que seria grande diante de Deus e dos homens, resolveu, inspirada pelo Espírito Santo, ir visitá-la imediatamente, porque entendeu ser este o beneplácito do Altíssimo, o qual, com a presença do Verbo eterno, queria santificar esse filho, sendo esse um dos principais intentos desta visita.
            A Virgem Maria partiu, pois, a 28 de Março para a cidade de Karem, onde residia sua prima, indo acompanhada de alguma parenta ou amiga, ou fazendo parte de alguma caravana, tendo de percorrer trinta léguas até as montanhas da Judéia, por caminhos ásperos e fragosos.
            Chegada à casa de Santa Isabel foi recebida por ela com a saudação: “Bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso ventre. Donde me vem a honra de ser visitada pela Mãe do meu Senhor. Porque mal a vossa saudação me feriu os ouvidos, a criança que eu trago, estremeceu. E bem-aventurada sois vós que crestes, porque se hão de cumprir aquelas coisas que vos foram ditas da parte do Senhor”.
            A Virgem Maria, ao ouvir a saudação de Santa Isabel, deixa transbordar seu coração e entoa esse admirável cântico de profissão de fé, hino de humildade de gratidão, profecia do futuro – o Magnificat.
            Sucedeu esta misteriosa visita poucos dias depois da Encarnação do Verbo, pelos fins de Março, ou princípios de Abril, mas a Igreja determinou que se celebrasse esse mistério a 2 de Julho, porque, realizando-se a festa da Encarnação em tempo de Quaresma, em que a Igreja está toda ocupada em celebrar a Paixão de Jesus Cristo, não era próprio, nem justo celebrar com galas esse acontecimento.  A estada da Virgem Maria em casa de sua prima Santa Isabel foi de perto de três meses, e os documentos evangélicos levam a crer que não assistira ao nascimento de São João Batista por dizer São Lucas que ai estivera perto de três meses e não três meses como seria preciso para completar os nove da gestação de Santa Isabel, e por mencionar sua volta a Nazaré antes do nascimento de São João Batista e mesmo pelo decoro e pudicícia da Santa Virgem.

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Fonte: A vida de São José pela Associação de Adoração Contínua a Jesus Sacramentado. Livraria Francisco Alves. 1927.
http://almasdevotas.blogspot.com.br/2012/03/06-de-marco-mes-dedicado-sao-jose.html

A mortificação cristã

A prática da mortificação cristã

Livre-tradução do Artigo “La mortificación cristiana” do Cardeal Desidério José Mercier (1851-1926) publicado em “Cuadernos de La Reja” número 2 do Seminário Internacional Nossa Senhora Corredentora da FSSPX.
Nota: Todas as práticas de mortificação que reunimos aqui são recolhidas dos exemplos dos santos, especialmente Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, Santa Teresa, São Francisco de Sales, São João Berchmans, ou são recomendadas por reconhecidos mestres da vida espiritual, como o Venerável Louis de Blois, Rodriguez, Scaramelli, Abade Allemand, Abade Hamon, Abade Dubois, etc.

Artigo 1 – Objeto da mortificação cristã
A mortificação cristã tem por fim neutralizar as influências malignas que o pecado original ainda exerce nas nossas almas, inclusive depois que o batismo as regenerou. Nossa regeneração em Cristo, ainda que anulou completamente o pecado em nós, nos deixa sem embargo muito longe da retidão e da paz originais. O Concílio de Trento reconhece que a concupiscência, ou seja, o triplo apetite da carne, dos olhos e do orgulho, se deixa sentir em nós, inclusive depois do batismo, afim de excitar-nos às gloriosas lutas da vida cristã (Conc. Trid., Sess. 5, Decretum de pecc. orig.).
A Escritura logo chama esta tripla concupiscência de “homem velho“, oposto ao “homem novo” que é Jesus que vive em nós e nós mesmos que vivemos em Jesus, como “carne” ou natureza caída, oposta ao “espírito” ou natureza regenerada pela graça sobrenatural. Este velho homem ou esta carne, ou seja, o homem inteiro com sua dupla vida moral e física, deve ser, não digo aniquilado, porque é coisa impossível enquanto dure a vida presente, mas sim mortificado, ou seja, reduzido praticamente à impotência, à inércia e à esterilidade de um morto; há que impedir-lhe que dê seu fruto, que é o pecado, e anular sua ação em toda a nossa vida moral.
A mortificação cristã deve, portanto, abraçar o homem inteiro, estender-se a todas as esferas de atividade nas quais a natureza é capaz de mover-se. Tal é o objeto da virtude de mortificação. Vamos indicar sua prática, recorrendo sucessivamente as manifestações múltiplas de atividade em que se traduz em nós:
I) A atividade orgânica ou a vida corporal;
II) A atividade sensível, que se exerce seja debaixo da forma do conhecimento sensível pelos sentidos exteriores ou pela imaginação, seja debaixo da forma de apetite sensível ou de paixão;
III) A atividade racional e livre, princípio de nossos pensamentos e de nossos juízos, e das determinações de nossa vontade;
IV) Consideraremos a manifestação exterior da vida de nossa alma, ou nossas ações exteriores;
V) E, finalmente, o intercâmbio de nossas relações com o próximo.

Artigo 2 – Exercício da mortificação cristã
A. Mortificação do corpo
1º Limite-se, tanto quanto possa, em matéria de alimentos, ao estritamente necessário. Medite estas palavras que Santo Agostinho dirigia a Deus: “Me ensinastes, oh meu Deus, a pegar os alimentos somente como remédios. Ah, Senhor!, aqui quem de entre nós não vai além do limite? Se há um só, declaro que este homem é grande e que deve grandemente glorificar vosso nome” (Confissões, liv. X, cap. 31);
2º Roga a Deus com frequência, roga-lhe a cada dia que lhe impeça, com Sua graça, de transpassar os limites da necessidade, ou deixar-se levar pelo atrativo do prazer;
3º Não pegue nada entre as refeições, ao menos que haja alguma necessidade ou razões de conveniência;
4º Pratique a abstinência e o jejum, mas pratique-os somente debaixo da obediência e com discrição;
5º Não lhe está proibido saborear alguma satisfação corporal, mas faça-o com uma intenção pura e bendizendo a Deus;
6º Regule seu sono, evitando nisto toda relaxação ou molície, sobretudo pela manhã. Se pode, fixe-se uma hora para deitar-se e levantar-se, e obrigue-se a ela energicamente;
7º Em geral, não descanse senão na medida do necessário; entregue-se generosamente ao trabalho, e não meça esforços e penas. Tenha cuidado para não extenuar seu corpo, mas guarde-se também de agradá-lo: quando sentir que ele está disposto a rebelar-se, por pouco que seja, trate-o como a um escravo;
8º Se sente alguma ligeira indisposição, evite irritar-se com os demais por seu mal humor; deixe aos seus irmãos o cuidado de queixar-se; pelo que lhe cabe, seja paciente e mudo como o divino Cordeiro que levou verdadeiramente todas as nossas enfermidades;
9º Guarde-se de pedir uma dispensa ou revogação à sua ordem do dia pelo mínimo mal-estar. “Há que fugir como da peste de toda dispensa em matéria de regras“, escrevia São João Berchmans;
10º Receba docilmente, e suporte humilde, paciente e perseverantemente a mortificação penosa que se chama doença.

B. Mortificação dos sentidos, da imaginação e das paixões
1º Feche seus olhos, diante de tudo e sempre, a todo espetáculo perigoso, e inclusive tenha a valentia de fechá-los a todo espetáculo vão e inútil. Veja sem olhar; não se fixe em ninguém para discernir sua beleza ou feiúra;
2º Tenha seus ouvidos fechados às palavras bajuladoras, aos louvores, às seduções, aos maus conselhos, às maledicências, às zombarias que ferem, às indiscrições, à crítica malévola, às suspeitas comunicadas, a toda palavra que possa causar o menor esfriamento entre duas almas;
3º Se o sentido do olfato tem que sofrer algo por consequência de certas doenças ou debilidades do próximo, longe de queixar-se disso, suporte-o com uma santa alegria;
4º No que concerne à qualidade dos alimentos, seja muito respeitoso do conselho de Nosso Senhor: “Comei o que vos for apresentado“. “Comer o que é bom sem comprazer-se nisto, o que é mau sem mostrar aversão, e mostrar-se indiferente tanto em um como no outro, esta é a verdadeira mortificação“, dizia São Francisco de Sales;
5º Ofereça a Deus suas comidas, imponha-se na mesa uma pequena privação: por exemplo, negue-se um grão de sal, um copo de vinho, uma guloseima, etc.; os demais não o perceberão, mas Deus o terá em conta;
6º Se o que lhe apresentam excita vivamente seu atrativo, pense no fel e no vinagre que apresentaram a Nosso Senhor na cruz: isto não lhe impedirá de saborear o manjar, mas servirá de contrapeso ao prazer;
7º Há que evitar todo contato sensual, toda carícia em que se poria certa paixão, em que se buscaria ou onde se teria um gozo principalmente sensível;
8º Prescinda de ir aquecer-se ao menos que lhe seja necessário para evitar-lhe uma indisposição;
9º Suporte tudo o que aflige naturalmente a carne; especialmente o frio do inverno, o calor do verão, a dureza da cama e todas as incomodidades do gênero. Faça boa cara em todos os tempos, sorria a todas as temperaturas. Diga com o profeta: “Frio, calor, chuva, bendizei ao Senhor“. Felizes se podemos chegar a dizer com gosto esta frase tão familiar a São Francisco de Sales: “Nunca estou melhor do que quando não estou bem“;
10º Mortifique sua imaginação quando lhe seduz com a isca de um posto brilhante, quando se entristece com a perspectiva de um futuro sombrio, quando se irrita com a recordação de uma palavra ou de um ato que o ofendeu;
11º Se sente em você a necessidade de sonhar, mortifique-a sem piedade;
12º Mortifique-se com o maior cuidado sobre o ponto da impaciência, da irritação ou da ira;
13º Examine a fundo seus desejos, e submeta-os ao controle da razão e da fé: você não deseja mais uma vida longa que uma vida santa? prazer e bem-estar sem tristeza nem dores, vitórias sem combates, êxitos sem contrariedades, aplausos sem críticas, uma vida cômoda e tranquila sem cruzes de nenhum tipo, ou seja, uma vida completamente oposta à de nosso divino Salvador?
14º Tenha cuidado de não contrair certos costumes que, sem ser positivamente maus, podem chegar a ser funestos, tais como o costume de leituras frívolas, dos jogos de azar, etc.;
15º Trate de conhecer seu defeito dominante, e quando o tiver conhecido, persiga-o até suas últimas pregas. Por isso, submeta-se com boa vontade ao que poderia ter de monótono e de entediado na prática do exame particular;
16º Não lhe está proibido ter bom coração e mostrá-lo, mas fique atento para o perigo de exceder o justo meio. Combata energicamente os afetos demasiado naturais, as amizades particulares, e todas as sensibilidades moles do coração.

C. Mortificação do espírito e da vontade
1º Mortifique seu espírito proibindo-lhe todas as imaginações vãs, todos os pensamentos inúteis ou alheios que fazem perder o tempo, dissipam a alma, e provocam o desgosto do trabalho e das coisas sérias;
2º Deve distanciar de seu espírito todo pensamento de tristeza e de inquietude. O pensamento do que poderá suceder no futuro não deve preocupá-lo. Quanto aos maus pensamentos que o molestam, deve fazer deles, distanciando-os, matéria para exercer a paciência. Se são involuntários, não serão para você senão uma ocasião de méritos;
3º Evite a teimosia em suas ideias, e a obstinação em seus sentimentos. Deixe prevalecer de boa vontade o juízo dos demais, salvo quando se trate de matérias em que você tem o dever de pronunciar-se e falar;
4º Mortifique o órgão natural de seu espírito, ou seja, a língua. Exerça-se de boa vontade no silêncio, seja porque sua Regra o prescreve, seja porque você o impõe espontaneamente;
5º Prefira escutar os demais do que falar você mesmo; mas, sem embargo, fale quando convenha, evitando tanto o excesso de falar demasiado, que impede os demais expressar seus pensamentos, como o de falar demasiado pouco, que denota indiferença que fere ao que dizem os demais;
6º Não interrompa nunca quem fala, e não corte com uma resposta precipitada quem lhe pergunta;
7º Tenha um tom de voz sempre moderado, nunca brusco nem cortante. Evite os “muito”, os “extremamente”, os “horrivelmente”, etc.: não seja exagerado em seu falar;
8º Ame a simplicidade e a retidão. A simulação, os rodeios, os equívocos calculados que certas pessoas piedosas se permitem sem escrúpulo, desacreditam muito a piedade;
9º Abstenha-se cuidadosamente de toda palavra grosseira, trivial ou inclusive ociosa, pois Nosso Senhor nos adverte que nos pedirá conta delas no dia do Juízo;
10º Acima de tudo, mortifique sua vontade; é o ponto decisivo. Adapte-a constantemente ao que sabe ser do beneplácito divino e da ordem da Providência, sem ter nenhuma conta nem de seus gostos nem de suas aversões. Submeta-se inclusive a seus inferiores nas coisas que não interessam para a glória de Deus e os deveres de seu cargo;
11º Considere a menor desobediência às ordens e inclusive aos desejos de seus Superiores como dirigida a Deus;
12º Lembre-se de que praticará a maior de todas as mortificações quando ame ser humilhado e quando tenha a mais perfeita obediência àqueles a quem Deus quer se se submeta;
13º Ame ser esquecido e ser tido por nada: é o conselho de São João da Cruz, é o conselho da Imitação: não fale apenas de si mesmo nem para bem nem para mal, senão busque pelo silêncio fazer-se esquecer;
14º Diante de uma humilhação ou repreensão, se sente tentado a murmurar. Diga como Davi: “Melhor assim! Me é bom ser humilhado!“;
15º Não entretenha desejos frívolos: “Desejo poucas coisas, e o pouco que desejo, o desejo pouco“, dizia São Francisco;
16º Aceite com a mais perfeita resignação as mortificações chamadas de Providência, as cruzes e os trabalhos unidos ao estado em que a Providência o pôs. “Quanto menos há de nossa eleição, mais há de beneplácito divino“, dizia São Francisco de Sales. Queríamos escolher nossas cruzes, ter outra distinta da nossa, levar uma cruz pesada que tivesse ao menos algum brilho, antes que uma cruz ligeira que cansa por sua continuidade: Ilusão! Devemos levar nossa cruz, e não outra, e seu mérito não se encontra em sua qualidade, senão na perfeição com que a levamos;
17º Não se deixe turbar pelas tentações, pelos escrúpulos, pelas aridezes espirituais: “o que se faz durante a sequidão é mais meritório diante de Deus do que o que se faz durante a consolação“, dizia o santo bispo de Genebra;
18º Não devemos entristecer-nos demasiado por nossas misérias, senão mais bem humilhar-nos. Humilhar-se é uma coisa boa, que poucas pessoas compreendem; inquietar-se e impacientar-se é uma coisa que todo o mundo conhece e que é má, porque nesta espécie de inquietude e de despeito o amor próprio tem sempre a maior parte;
19º Desconfiemos igualmente da timidez e do desânimo, que fazem perder as energias, e da presunção, que não é mais do que o orgulho em ação. Trabalhemos como se tudo dependesse de nossos esforços, mas permaneçamos humildes como se nosso trabalho fosse inútil.

D. Mortificações que há que praticar em nossas ações exteriores
1º Deve ser o mais exato possível em observar todos os pontos de sua regra de vida, obedecer sem demora, lembrando-se de São João Berchmans, que dizia: “Minha maior penitência é seguir a vida comum“; “Fazer o maior caso das menores coisas, tal é o meu lema“; “Antes morrer que violar uma só de minhas regras!“;
2º No exercício de seus deveres de estado, trate de estar muito contente com tudo o que parece feito de propósito para desagradá-lo e molestá-lo, lembrando-se também aqui da frase de São Francisco de Sales: “Nunca estou melhor quando não estou bem“;
3º Não conceda jamais um momento à preguiça; da manhã à noite, esteja ocupado sem descanso;
4º Se sua vida se passa dedicada, ao menos em partes, ao estudo, aplique os seguintes conselhos de Santo Tomás de Aquino aos seus alunos: “Não se contentem com receber superficialmente o que lêem ou escutam, senão tratem de penetrar e aprofundar seu sentido. – Não fiquem nunca com dúvidas sobre o que podem saber com certeza. – Trabalhem com uma santa avidez em enriquecer seu espírito; classifiquem com ordem em sua memória todos os conhecimentos que possa adquirir. – Sem embargo, não tratem de penetrar os mistérios que estão por acima de sua inteligência“;
5º Ocupe-se unicamente da ação presente, sem voltar ao que precedeu nem adiantar-se pelo pensamento ao que vem a seguir; diga com São Francisco: “Enquanto faço isto, não estou obrigado a fazer outra coisa“; “Apressemo-nos com bondade: será tão logo tanto quanto esteja bom“;
6º Seja modesto em sua compostura. Nenhum porte era tão perfeito como o de São Francisco; tinha sempre a cabeça direita, evitando igualmente a ligeireza que a gira em todos os sentidos, a negligência que a inclina adiante e o humor orgulhoso e altivo que a levanta para trás. Seu rosto estava sempre tranquilo, livre de toda preocupação, sempre alegre, sereno e aberto, sem ter sem embargo uma jovialidade indiscreta, sem risadas ruidosas, imoderadas ou demasiado frequentes;
7º Quando se encontrava só mantinha-se em tão boa compostura como diante de uma grande assembleia. Não cruzava as pernas, não apoiava a cabeça no encosto. Quando rezava, ficava imóvel como uma coluna. Quando a natureza lhe sugeria seus gostos, não a escutava em absoluto;
8º Considere a limpeza e a ordem como uma virtude, e a sujeira e a desordem como um vício: evite os vestidos sujos, manchados ou rasgados. Por outra parte, considere como um vício ainda maior o luxo e o mundanismo. Faça de modo de ao ver sua vestimenta e adereços, ninguém diga: está desarrumado; nem: está elegante; senão que todo o mundo possa dizer: está decente.

E. Mortificações para praticar em nossas relações com o próximo
1º Suporte os defeitos do próximo: faltas de educação, de espírito, de caráter. Suporte tudo o que nele lhe desagrada: seu modo de andar, sua atitude, seu tom de voz, seu sotaque, e todo o resto;
2º Suporte tudo a todos e suporte até o fim e cristãmente. Não se deixe levar jamais por essas impaciências tão orgulhosas que fazem dizer: Que posso fazer de tal o qual? Em que me concerne o que diz? Para que preciso o afeto, a benevolência ou a cortesia de uma criatura qualquer, e desta em particular? Nada é menos segundo Deus que estes desprendimentos altaneiros e estas indiferenças depreciativas; melhor seria, certamente, uma impaciência;
3º Encontra-se tentado a irar-se? Pelo amor a Jesus, seja manso. De vingar-se? Devolva bem por mal. Diz-se que o segredo de chegar ao coração de Santa Teresa, era fazer-lhe algum mal. De mostrar a alguém uma cara má? Sorria com bondade. De evitar seu encontro? Busque-o por virtude. De falar mal dele? Fale bem. De falar-lhe com dureza? Fale doce e cordialmente;
4º Ame fazer o elogio de seus irmãos, sobretudo daqueles a quem sua inveja se dirige mais naturalmente;
5º Não diga acuidades em detrimento da caridade;
6º Se alguém se permite em sua presença palavras pouco convenientes, ou mantém conversações próprias para danificar a reputação do próximo, poderá às vezes repreender com doçura a quem fala, mas mais frequentemente será melhor distanciar habilmente a conversação ou manifestar por um gesto de descontentamento ou de desatenção querida que o que se está dizendo o desagrada;
7º Quando lhe custe fazer um favor, ofereça-se a fazê-lo: terá duplo mérito;
8º Tenha horror de apresentar-se diante de si mesmo ou dos demais como uma vítima. Longe de exagerar suas cargas, esforce-se em encontrá-las leves. O são em realidade muito mais frequentemente do que parece, e o seriam sempre se tivesse um pouco mais de virtude.

Conclusão
Em geral, saiba negar à natureza o que pede sem necessidade.
Saiba fazer-lhe dar o que ela nega sem razão. Seus progressos na virtude, disse o autor da Imitação de Cristo, serão proporcionais à violência que saiba fazer-se.
Dizia o santo Bispo de Genebra: “Há que morrer afim de que Deus viva em nós: porque é impossível chegar à união da alma com Deus por outro caminho que pela mortificação. Estas palavras: Há que morrer! são duras, mas serão seguidas de uma grande doçura, porque não se morre a si mesmo senão para unir-se a Deus por esta morte“.
Quisera Deus que pudéssemos aplicar-nos com pleno direito as seguintes palavras de São Paulo: “Em todas as coisas sofremos a tribulação… Trazemos sempre em nosso corpo a morte de Jesus, afim de que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos” (2 Cor. 4, 10).


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Fonte:
http://www.fsspx.com.br/a-pratica-da-mortificacao-crista/





Conheça o significado da Quaresma



A quaresma é o tempo litúrgico de conversão, que a Igreja marca para nos preparar para a grande festa da Páscoa. É tempo para nos arrepender dos nossos pecados e de mudar algo de nós para sermos melhores e poder viver mais próximos de Cristo.

A Quaresma dura 40 dias; começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos. Ao longo deste tempo, sobretudo na liturgia do domingo, fazemos um esforço para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros fiéis que devemos viver como filhos de Deus.

Na Quaresma, Cristo nos convida a mudar de vida. A Igreja nos convida a viver a Quaresma como um caminho a Jesus Cristo, escutando a Palavra de Deus, orando, compartilhando com o próximo e praticando boas obras. Nos convida a viver uma série de atitudes cristãs que nos ajudam a parecer mais com Jesus Cristo, já que por ação do pecado, nos afastamos mais de Deus.

Por isso, a Quaresma é o tempo do perdão e da reconciliação fraterna. Cada dia, durante a vida, devemos retirar de nossos corações o ódio, o rancor, a inveja, os zelos que se opõem a nosso amor a Deus e aos irmãos. Na Quaresma, aprendemos a conhecer e apreciar a Cruz de Jesus. Com isto aprendemos também a tomar nossa cruz com alegria para alcançar a glória da ressurreição.

Por que a cor roxa?
A cor litúrgica deste tempo é o roxo que simboliza a penitênica e a contrição. Usa-se no tempo da Quaresma e do Advento.
Durante esse tempo a Igreja veste seus ministros com paramentos de cor roxa e suprime os cânticos de alegria: O "Glória", o "Aleluia" e o "Te Deum".
Nesta época do ano, os campos se enfeitam de flores roxas e róseas das quaresmeiras. Antigamente, era costume cobrir também de roxo as imagens nas igrejas. Na nossa cultura, o roxo lembra tristeza e dor. Isto porque na Quaresma celebramos a Paixão de Cristo: na Via-Sacra contemplamos Jesus a caminho do Calvário .

O significado dos 40 dias
A duração da Quaresma está baseada no símbolo do número quarenta na Bíblia. Nesta, é falada dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias e Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou o exílio dos judeus no Egito.

Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material, seguido de zeros significa o tempo de nossa vida na terra, seguido de provações e dificuldades. A prática da Quaresma data do século IV, quando se dá a tendência a constituí-la em tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, ao menos em um princípio, nas Igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma tem sido cada vez mais abrandada no ocidente, mas deve-se observar um espírito penitencial e de conversão.

Quais são os rituais e tradições associados com este tempo?

As celebrações têm início no Domingo de Ramos, ele significa a entrada triunfal de Jesus, o começo da semana santa. Os ramos simbolizam a vida do Senhor, ou seja, Domingo de Ramos é entrar na Semana Santa para relembrar aquele momento.
Depois, na realizada na quinta-feira Santa, conhecida também como o lava pés. Ela ratifica Jesus criando a eucaristia e a instituição do Sacerdócio Católico, "In Persona Christi",  a entrega de Jesus e portanto, o resgate dos pecadores.
Depois, a Sexta-feira da paixão, também conhecida como Sexta-feira Santa, que na Ação Litúrgica  é o único dia que não é atualizado Santo sacrifício da Santa Missa, às 15h00. Na sexta à noite geralmente é feita uma procissão ou ainda a Via Sacra, que seria a repetição das 14 passagens da vida de Jesus.
No sábado à noite, o Sábado de Aleluia, é  a Vigília Pascal, também conhecida como a Missa do Fogo Novo. Nela o Círio Pascal é acesso, resultando as cinzas. O significado das cinzas "é que do pó viemos e para o pó voltaremos", sinal de conversão e de que nada somos sem Deus. Um símbolo da renovação de um ciclo. Os rituais se encerram no Domingo, data da ressurreição de Cristo, com a Missa da Páscoa, que proclamamos o Cristo Ressuscitado e Vitorioso.
Jejum e abstinência no Novo Código de Direito Canônico de 1983.
Os dias e períodos de penitência para a Igreja universal são todas as sextas-feiras de todo o ano e o tempo da Quaresma [Cânon 1250]. A abstinência de carne ou de qualquer outro alimento determinado pela Conferência Episcopal deve ser observada em todas as sextas, exceto nas solenidades. [Cânon 1251].
A abstinência e o jejum devem ser observados na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. [Cânon 1252]. A lei da abstinência vincula a todos que completaram 14 anos. A lei do jejum vincula a todos que chegaram à maioridade, até o início dos 60 anos [Cânon 1252].
Dias de jejum simples:
O jejum consiste numa refeição completa e duas menores, que juntas são menos que uma refeição inteira. Não é permitido comer entre as refeições, mas líquidos podem ser tomados. É permitido comer carne em dia de jejum simples. Os dias de jejum simples são: segundas, terças, quartas e quintas-feiras da Quaresma. [Cânon 1252/3]
Todos eram vinculados à lei do jejum a partir dos 21 até os 60 anos.
Dias de abstinência:
A abstinência consiste em abster-se de comer carne de animais de sangue quente, molhos ou sopa de carne nos dias de abstinência. A abstinência era em todas as sextas-feiras, a não ser que fosse um Dia de Guarda [cânon 1252/4]. A lei da abstinência vinculava a todos que tinham completado 7 anos de idade. [Cânon 1254/1].
O jejum e abstinência consistem numa refeição completa e duas refeições menores que juntas são menos que uma refeição inteira. Não era permitido comer carne de animais de sangue quente, molhos e sopas de carne. Não era permitido comer entre as refeições, embora bebidas pudessem ser tomadas. Esses dias eram: quarta-feira de cinzas, toda sexta e sábado da Quaresma (até meia noite no Sábado Santo), em cada uma das Quatro Temporas, Vigília de Pentecostes, Assunção, Todos os Santos e Natal. [Cânon 1252/2]
Os dias tradicionais de abstinência aos que usam o Escapulário de Nossa Senhora do Monte Carmelo são Quartas e Sábados.
Aproveitemos esse tempo de conversão e não esquecemos de nossas irmãs, as Santas Almas do Purgatório, eles serão muito beneficiadas com esses ato de piedade!

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Fontes:
http://fratresinunum.com/2013/02/13/o-jejum-e-a-abstinencia-na-lei-da-igreja-5/
http://www.acidigital.com/fiestas/quaresma/quaresma.htm





SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA, PAPA BENTO XVI, 2013



Estimados irmãos e irmãs
A todos vós, feliz festa de Maria Imaculada! Neste Ano da fé gostaria de ressaltar que Maria é a Imaculada por um dom gratuito da graça de Deus que, no entanto, encontrou nela uma disponibilidade e colaboração perfeitas. Neste sentido, Ela é «bem-aventurada» porque «acreditou» (Lc 1, 45), porque teve uma fé firme em Deus. Maria representa aquele «resto de Israel», aquela raiz santa que os profetas anunciaram. Nela encontram acolhimento as promessas da Antiga Aliança. Em Maria a Palavra de Deus encontra escuta, recepção e resposta, encontra aquele «sim» que lhe permite encarnar e vir habitar no meio de nós. Em Maria a humanidade e a história abrem-se realmente a Deus, acolhem a sua graça e estão dispostas a cumprir a sua vontade. Maria é expressão genuína da Graça. Ela representa o novo Israel, que as Escrituras do Antigo Testamento descrevem com o símbolo da esposa. E são Paulo retoma esta linguagem na Carta aos Efésios, onde fala do matrimónio e afirma que «Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para a santificar, purificando-a pela água do baptismo com a palavra, para a apresentar a si mesmo toda gloriosa, sem mancha, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível» (5, 25-27). Os Padres de Igreja desenvolveram esta imagem e assim a doutrina da Imaculada nasceu primeiro em referência à Igreja virgem-mãe e, em seguida, a Maria. Assim escreve poeticamente Efrém, o Sírio: «Como os próprios corpos pecaram e morrem, e a terra, sua mãe, é maldita (cf. Gn 3, 17-19), assim por causa deste corpo que é a Igreja incorruptível, la sua terra é abençoada desde o início. Esta terra é o corpo de Maria, templo no qual foi lançada uma semente» (Diatessaron 4, 15: sc 121, 102).
A luz que promana da figura de Maria ajuda-nos a compreender o verdadeiro sentido do pecado original. Com efeito, em Maria está plenamente viva e concreta aquela relação com Deus que o pecado interrompe. Nela não há qualquer oposição entre Deus e o seu ser: há plena comunhão, entendimento integral. Existe um «sim» recíproco, de Deus a Ela e dela a Deus. Maria é livre do pecado porque é toda de Deus, totalmente expropriada para Ele. É cheia da sua Graça, do seu Amor.
Como conclusão, a doutrina da Imaculada Conceição de Maria expressa a certeza de fé que as promessas de Deus se realizaram: que a sua aliança não falha, mas produziu uma raiz santa da qual germinou o Fruto abençoado de todo o universo, Jesus, o Salvador. A Imaculada demonstra que a Graça é capaz de suscitar uma resposta, que a fidelidade de Deus sabe gerar uma  verdadeira e boa.
Amados amigos, esta tarde, como de costume, irei à Praça de Espanha, para a homenagem a Maria Imaculada. Sigamos o exemplo da Mãe de Deus, a fim de que também em nós a Graça do Senhor encontre resposta numa fé genuína e fecunda.


Depois do Angelus
Antes de tudo, desejo assegurar a minha proximidade às populações das Filipinas atingidas nos últimos dias por um violento furacão. Rezo pelas vítimas, pelas suas famílias e pelos numerosos desabrigados. A fé e a caridade fraterna sejam a força para enfrentar esta prova difícil.

Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/angelus/2012/documents/hf_ben-xvi_ang_20121208_po.html

Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Unievrso




Basílica Vaticana
Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Unievrso
Domingo, 21 de Novembro de 2010

CONCELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA COM OS NOVOS CARDEAIS
 E ENTREGA DO ANEL CARDINALÍCIO
HOMILIA DO PAPA BENTO XVI

Senhores Cardeais
Venerados Irmãos
no Episcopado e no Sacerdócio
Estimados irmãos e irmãs
Na solenidade de Cristo Rei do universo, temos a alegria de nos reunirmos ao redor do Altar do Senhor, juntamente com os 24 novos Cardeais, que ontem agreguei ao Colégio Cardinalício. Antes de tudo, dirijo-lhes a minha cordial saudação, que faço extensiva aos demais Purpurados e a todos os Prelados aqui presentes, assim como às ilustres Autoridades, aos Senhores Embaixadores, aos Sacerdotes, aos Religiosos e a todos os fiéis, vindos de várias regiões do mundo para esta feliz circunstância, que reveste um acentuado cariz de universalidade.
Muitos de vós puderam observar que também o precedente Consistório público para a criação de Cardeais, realizado em Novembro de 2007, foi celebrado na vigília da solenidade de Cristo-Rei. Transcorreram três anos e, portanto, segundo o ciclo litúrgico dominical, a Palavra de Deus vem ao nosso encontro através das mesmas Leituras bíblicas, próprias desta importante festividade. Ela insere-se no último domingo do ano litúrgico e apresenta-nos, no final do itinerário da fé, o semblante régio de Cristo, como o Pantocrator na abside de uma antiga basílica. Esta coincidência convida-nos a meditar profundamente sobre o ministério do Bispo de Roma e a ele ligado, dos Cardeais, à luz da singular Realeza de Jesus, nosso Senhor.
O primeiro serviço do Sucessor de Pedro é o da fé. No Novo Testamento, Pedro torna-se «pedra» da Igreja, enquanto portador do Credo: o «nós» da Igreja começa com o nome daquele que foi o primeiro a professar a fé em Cristo, tem início com a sua fé; uma fé primeiro imatura e ainda «demasiado humana», mas sucessivamente, depois da Páscoa, madura e capaz de seguir Cristo até ao dom de si; madura para crer que Jesus é verdadeiramente o Rei; que o é, precisamente porque permaneceu na Cruz, e de tal modo ofereceu a vida pelos pecadores. No Evangelho vê-se que todos pedem a Jesus que desça da cruz. Zombam dele, mas este é também um modo para se desculparem, como se dissessem: não é nossa culpa, se Tu estás ali na cruz; a culpa é somente tua, porque se Tu fosses verdadeiramente o Filho de Deus, o Rei dos judeus, Tu estarias ali, mas salvar-te-ias, descendo daquele patíbulo infame. Portanto, se ficas ali, quer dizer que estás errado e nós estamos certos. O drama que se desenvolve aos pés da cruz de Jesus é um drama universal; diz respeito a todos os homens diante de Deus que se revela por aquilo que é, ou seja, Amor. Em Jesus crucificado, a divindade é desfigurada, despojada de toda a glória visível, mas está presente e é real. Só a fé sabe reconhecê-la: a fé de Maria, que une no seu Coração também este fragmento do mosaico da vida do seu Filho; Ela ainda não consegue ver tudo, mas continua a confiar em Deus, repetindo mais uma vez com o mesmo abandono: «Eis a serva do Senhor» (Lc 1, 38). E além disso há a fé do bom ladrão: uma fé superficial, mas suficiente para lhe garantir a salvação: «Hoje estarás comigo no Paraíso». É decisivo aquele «comigo». Sim, é isto que o salva. Sem dúvida, o bom ladrão está na cruz como Jesus, mas sobretudo está na cruz comJesus. E, contrariamente ao outro malfeitor e a todos os demais que o ridicularizam, não pede a Jesus que desça da cruz, nem que o faça descer. Ao contrário, diz: «Recorda-te de mim, quando entrares no teu reino». Vê-o na cruz desfigurado, irreconhecível, e no entanto confia-se a Ele como a um rei, aliás como ao Rei. O bom ladrão acredita naquilo que está escrito no letreiro acima da cabeça de Jesus: «Rei dos judeus»: crê e confia. Por isso já está, imediatamente, no «hoje» de Deus, no Paraíso, porque o Paraíso consiste nisto: estar com Jesus, estar com Deus.
Dilectos Irmãos, eis então que sobressai claramente a mensagem primária e fundamental que a Palavra de Deus nos diz hoje: a mim, Sucessor de Pedro, e também a vós, Cardeais. Chama-nos aestar com Jesus, como Maria, e não a pedir-lhe que desça da cruz, mas a permanecer ali com Ele. E isto, por causa do nosso ministério, temos que o fazer não apenas para nós mesmos, mas para a Igreja inteira, para todo o povo de Deus. Dos Evangelhos nós sabemos que a cruz foi o ponto crítico da fé de Simão Pedro e dos outros Apóstolos. É claro, e não podia ser de outra forma: eles eram homens e pensavam «segundo os homens»; não podiam tolerar a ideia de um Messias crucificado. A «conversão» de Pedro realiza-se plenamente, quando renuncia ao desejo de «salvar» Jesus e aceita ser salvo por Ele. Renuncia ao desejo de salvar Jesus da cruz e aceita ser salvo pela sua cruz. «Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos» (Lc 22, 32), diz o Senhor. O ministério de Pedro consiste inteiramente na sua fé, uma fé que Jesus reconhece imediatamente, desde o início, como genuína, como dádiva do Pai celestial; mas uma fé que deve passar através do escândalo da cruz, para se tornar autêntica, verdadeiramente «cristã», para se tornar a «rocha» sobre a qual Jesus possa construir a sua Igreja. A participação no Senhorio de Cristo verifica-se, de modo concreto, unicamente na partilha da sua humilhação, mediante a Cruz. Caros Irmãos, também o meu ministério e por conseguinte inclusive o vosso, consiste inteiramente na fé. Jesus pode construir sobre nós a sua Igreja, na medida em que encontrar em nós aquela fé verdadeira, pascal, aquela fé que não quer fazer com que Jesus desça da Cruz, mas que se confia a Ele na Cruz. Neste sentido, o lugar genuíno do Vigário de Cristo é a Cruz, é o persistir na obediência da Cruz.
Este ministério é difícil, porque não está em sintonia com o modo de pensar dos homens — com aquela lógica natural que, de resto, permanece sempre activa também em nós mesmos. No entanto, este é e permanece sempre o nosso serviço primário, o serviço da fé, que transforma a vida inteira: crer que Jesus é Deus, que é o Rei, precisamente porque chegou até àquele ponto, porque nos amou até ao extremo. E nós devemos testemunhar e anunciar esta realeza paradoxal como Ele — o Rei — fez, ou seja seguindo o seu próprio caminho e esforçando-nos por adoptar a sua lógica, a lógica da humildade e do serviço, do grão que morre para produzir o fruto. O Papa e os Cardeais são chamados a estar profundamente unidos, antes de tudo, neste ponto: todos juntos, sob a chefia do Sucessor de Pedro, devem permanecer no Senhorio de Cristo, pensando e agindo em conformidade com a lógica da Cruz — e isto nunca é fácil, nem óbvio. Nisto, temos que ser compactos, e somo-lo porque não nos une uma ideia, uma estratégia, mas sim o amor de Cristo e o seu Espírito Santo. A eficácia do nosso serviço à Igreja, Esposa de Cristo, depende essencialmente disto, da nossa fidelidade à realeza divina do Amor crucificado. Por isso, no anel que hoje vos entrego, selo do vosso pacto nupcial com a Igreja, está representada a imagem da Crucifixão. E pelo mesmo motivo, a cor do vosso hábito faz alusão ao sangue, símbolo da vida e do amor. O Sangue de Cristo que, segundo uma antiga iconografia, Maria recebe do lado trespassado do Filho morto na cruz; e que o Apóstolo João contempla, enquanto jorra juntamente com a água, segundo as Escrituras proféticas.
Prezados Irmãos, daqui deriva a nossa sabedoria: sapientia Crucis. Sobre isto ponderou profundamente Paulo, o primeiro que delineou um pensamento cristão orgânico, centrado precisamente no paradoxo da Cruz (cf. 1 Cor 1, 18-25; 2, 1-8). Na Carta aos Colossenses — da qual a Liturgia de hoje propõe o hino cristológico — a reflexão paulina, fecundada pela graça do Espírito, já alcança um nível impressionante de síntese ao expressar um autêntico conceito de Deus e do mundo, da salvação pessoal e universal; e tudo está centrado em Cristo, Senhor dos corações, da história e do cosmos: «Porque aprouve a Deus fazer habitar nele toda a plenitude, e que por Ele todas as criaturas fossem reconciliadas consigo, pacificando pelo sangue da sua Cruz tudo quanto existe na terra e nos céus» (Cl 1, 19-20). Caros Irmãos, é isto que somos sempre chamados a anunciar ao mundo: Cristo «imagem do Deus invisível», Cristo «Primogénito de toda a criação» e «daqueles que ressuscitam dos mortos», para que — como escreve o Apóstolo — «Ele tenha a primazia sobre todas as coisas» (Cl 1, 15.18). A primazia de Pedro e dos seus Sucessores está totalmente ao serviço desta primazia de Jesus Cristo, único Senhor; ao serviço do seu Reino, ou seja, do seu Senhorio de amor, a fim de que ela venha e se difunda, renove os homens e as coisas, transforme a terra e faça germinar nela a paz e a justiça.
No contexto deste desígnio, que transcende a história e ao mesmo tempo nela se revela e se resume, encontra lugar a Igreja, «corpo» cuja «Cabeça» é Cristo (cf. Cl 1, 18). Na Carta aos Efésios, São Paulo fala explicitamente do Senhorio de Cristo, colocando-o em relação com a Igreja. Ele formula uma oração de louvor à «grandeza do poder de Deus», que ressuscitou Cristo e que O constituiu Senhor universal, e depois conclui: «E Ele [Deus] sob os seus pés sujeitou todas as coisas, / e constituiu-o Cabeça de toda a Igreja, / que é o seu corpo, / a plenitude daquele que é o perfeito cumprimento de todas as coisas» (Ef 1, 22-23). A própria palavra «plenitude», que compete a Cristo, Paulo atribui-a aqui à Igreja, mediante a participação: com efeito, o corpo participa da plenitude da Cabeça. Venerados Irmãos Cardeais — dirijo-me também a todos vós, que compartilhais connosco a graça de ser cristãos — eis no que consiste a nossa alegria: participar, na Igreja, na plenitude de Cristo através da obediência da Cruz, «participar na sorte dos santos na luz», o facto de termos sido «introduzidos» no Reino do Filho de Deus (cf. Cl 1, 12-13). Por isso, nós vivemos em acção de graças perene, e até através das provações não esmorecem a alegria e a paz que Cristo nos deixou, como garantia do seu Reino, que já se encontra no meio de nós, que esperamos com fé e esperança, e que antegozamos na caridade.

SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA


SANTA MISSA NA SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO
DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA

HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Paróquia de Santo Tomás de Vilanova, Castel Gandolfo

Quarta-feira 15 de Agosto de 2012


Prezados irmãos e irmãs!
No dia 1 de Novembro de 1950, o Venerável Papa Pio XII proclamava como dogma que a Virgem Maria, «concluindo o curso da vida terrena, foi elevada à glória celeste em alma e corpo». Esta verdade de fé era conhecida pela Tradição, afirmada pelos Padres da Igreja, e representava sobretudo um aspecto relevante do culto prestado à Mãe de Cristo. Precisamente o elemento cultual constituiu, por assim dizer, a força motriz que determinou a formulação deste dogma: o dogma manifesta-se como um acto de louvor e de exaltação à Virgem Santa. Isto sobressai também do próprio texto da Constituição apostólica, onde se afirma que o dogma é proclamado «em honra do Filho, para a glorificação da Mãe e o júbilo de toda a Igreja». Assim, exprime-se de forma dogmática aquilo que já tinha sido celebrado no culto e na devoção do Povo de Deus, como a mais elevada e estável glorificação de Maria: o acto de proclamação da Assunção apresenta-se quase como uma liturgia da fé. E no Evangelho que há pouco ouvimos, a própria Maria pronuncia profeticamente algumas palavras que orientam nesta perspectiva. Ela diz: «Doravante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada» (Lc 1, 48). Trata-se de uma profecia para toda a história da Igreja. Esta expressão do Magnificat, mencionada por são Lucas, indica que o louvor à Virgem Santa, Mãe de Deus, intimamente unida a Cristo seu Filho, diz respeito à Igreja de todos os tempos e de todos os lugares. E a anotação destas palavras por parte do Evangelista pressupõe que a glorificação de Maria já estava presente no período de são Lucas e que ele a considerava um dever e um compromisso da comunidade cristã para todas as gerações. As palavras de Maria dizem que é um dever da Igreja recordar a grandeza de Nossa Senhora para a fé. Por conseguinte, esta solenidade é um convite a louvar a Deus e a contemplar a grandeza de Nossa Senhora, porque é no rosto dos seus que nós conhecemos quem é Deus.
Mas por que motivo Maria é glorificada com a Assunção ao Céu? Como ouvimos, são Lucas vê a raiz da exaltação e do louvor a Maria na expressão de Isabel: «Bem-aventurada aquela que acreditou» (Lc 1, 45). E o Magnificat, este cântico ao Deus vivo e em acção na história, é um hino de fé e de amor, que brota do coração da Virgem. Ela viveu com fidelidade exemplar e conservou no mais íntimo do seu coração as palavras de Deus ao seu povo, as promessas feitas a Abraão, Isaac e Jacob, fazendo delas o conteúdo da sua oração: no Magnificat a Palavra de Deus tornou-se a palavra de Maria, lâmpada do seu caminho, de maneira a torná-la disponível a acolher também no seu seio o Verbo de Deus que se fez carne. A página evangélica de hoje evoca esta presença de Deus na história e no próprio desenrolar dos acontecimentos; aqui há uma referência particular aoSegundo livro de Samuel no capítulo 6 (1-15), onde David transporta a Santa Arca da Aliança. O paralelo que o Evangelista faz é claro: Maria à espera do nascimento do Filho Jesus é a Arca Santa que traz em si a presença de Deus, uma presença que é fonte de consolação, de alegria plena. Com efeito, João dança no seio de Isabel, precisamente como David dançava diante da Arca. Maria é a «visita» de Deus que cria júbilo. No seu cântico de louvor, Zacarias di-lo-á explicitamente: «Bendito o Senhor, Deus de Israel, que visitou e redimiu o seu povo» (Lc 1, 68). A casa de Zacarias experimentou a visita de Deus com o nascimento inesperado de João Baptista, mas sobretudo com a presença de Maria, que traz no seu seio o Filho de Deus.
Mas agora interroguemo-nos: o que é que a Assunção de Maria confere ao nosso caminho, à nossa vida? A primeira resposta é: na Assunção vemos que em Deus existe espaço para o homem, o próprio Deus é a casa de muitos aposentos da qual Jesus fala (cf. Jo 14, 2); Deus é a casa do homem, em Deus há espaço de Deus. Quanto a Maria, unindo-se, unida a Deus, não se afasta de nós, não vai a uma galáxia desconhecida, mas quem procura Deus aproxima-se, porque Deus está próximo de todos nós; e Maria, unida a Deus, participa da presença de Deus, encontra-se extremamente próxima de nós, de cada um de nós. Há uma bonita palavra de são Gregório Magno sobre são Bento, que podemos aplicar de novo a Maria: são Gregório Magno afirma que o coração de são Bento se tornou tão grande, que toda a criação podia entrar nesse coração. Isto é válido ainda mais para Maria: totalmente unida a Deus, Maria tem um coração tão grande que toda a criação pode entrar nele, e os ex-votos demonstram-no em todas as partes da terra. Maria está próxima, pode ouvir, pode ajudar, encontra-se próxima de todos nós. Em Deus há espaço para o homem e Deus está próximo; quanto a Maria, unida a Deus, está extremamente próxima, tem um coração tão grande quanto o coração de Deus.
Mas existe também outro aspecto: em Deus não existe espaço unicamente para o homem; no homem há espaço para Deus. Também isto vemos em Maria, a Arca Santa que traz em si a presença de Deus. Em nós há espaço para Deus, e esta presença de Deus em nós, tão importante para iluminar o mundo na sua tristeza, nos seus problemas, esta presença realiza-se na fé: na fé abrimos as portas do nosso ser, de tal forma que Deus entre em nós, a fim de que Deus possa ser a força que dá vida e caminho ao nosso ser. Em nós existe espaço, abramo-nos como Maria se abriu, dizendo: «Que se cumpra em mim a tua vontade, eu sou a serva do Senhor». Abrindo-nos a Deus, nada perdemos. Pelo contrário: a nossa vida torna-se rica e grande.
E deste modo fé, esperança e amor combinam-se entre si. Hoje existem muitas palavras sobre um mundo melhor a esperar: seria a nossa esperança. Se e quando este mundo melhor virá, nós não o sabemos, eu não sei. Obviamente, um mundo que se afasta de Deus não se torna melhor, mas pior. Somente a presença de Deus pode garantir também um mundo bom. Mas deixemos isto.
Uma realidade, uma esperança é certa: Deus espera por nós, aguarda-nos, não caminhamos no vazio, somos aguardados. Deus espera-nos e, indo para o outro mundo, encontramos a bondade da Mãe, encontramos os nossos, encontramos o Amor eterno. Deus aguarda-nos: esta é a nossa grande alegria e a grandiosa esperança que nasce precisamente desta festa. Maria visita-nos, é a alegria da nossa vida, e a alegria é esperança.
Portanto, o que podemos dizer? Coração grande, presença de Deus no mundo, espaço de Deus em nós e espaço de Deus para nós, esperança, ser esperado: tal é a sinfonia desta festa, a indicação que a meditação desta Solenidade nos concede. Maria é aurora e esplendor da Igreja triunfante; ela constitui a consolação e a esperança para o povo ainda a caminho, comenta o Prefácio hodierno. Confiemo-nos à sua intercessão materna para que, através do Senhor, fortaleçamos a nossa fé na vida eterna; ajude-nos a viver bem o tempo que Deus nos oferece com esperança. Uma esperança cristã, que não é apenas saudade do Céu, mas desejo vivo e concreto de Deus aqui no mundo, desejo de Deus que nos torna peregrinos incansáveis, alimentando em nós a coragem e a força da fé, que é ao mesmo tempo coragem e fortaleza do amor. Amém!

Fonte:
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2012/documents/hf_ben-xvi_hom_20120815_assunzione_po.html

CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA DO PAPA PIO XII MUNIFICENTISSIMUS DEUS



CONSTITUIÇÃO DO PAPA PIO XII Apostolica
Munificentissimus Deus
Definição DO DOGMA DA ASSUNÇÃO
DE NOSSA SENHORA
 EM CORPO E ALMA AO CÉU
  
Introdução 
1. Deus munificentíssimo, Que Tudo Pode, e cujos Planos de Providência São cheios de Sabedoria e de amor, nos imperscrutáveis ​​desígnios SEUS, entremeia na Vida OS Povos e dos indivíduos Como Dores com Como alegrias, Paragrafo que POR Diversos Caminhos e de Varias Maneiras Tudo coopere Paragrafo O Bem dos que o AmAm (cf. Rm 8,28).
2 O Nosso pontificado, tempos a Assim Como OS Atuais, Tem Sido assediado POR inúmeros Cuidados, preocupações e angústias, devido ÀS Grandes Calamidades e POR muitos Que Andam afastados da Verdade e da Virtude. Mas Paragrafo E NÓS de grande Conforto ver como, A MEDIDA Que UMA Fé Católica se Manifesta publicamente CADA Vez Mais Ativa, AUMENTA também Joe Cada Diâmetro O Amor ea Devoção Paragrafo com UMA Mãe de Deus, e Quase POR Toda Parte ISSO E Estímulo e auspício de UMA Vida Melhor e Mais Papai Noel. ASSIM E sucede Que, POR UM Lado, um desempenha Santíssima Virgem amorosamente uma SUA Missão de Mãe Paragrafo com OS que foram remidos Pelo Sangue de Cristo, e POR Outro, Como inteligências e Os Corações dos Filhos São estimulados a UMA MAIS PROFUNDA e diligente Contemplação DOS SEUS privilégios.
3 de Fato, Deus, que a partir de Toda a Eternidade olhou par a virgem Maria com particular, e pleníssima complacencia, quando Chegou à dos tempos (Gl plenitude 4,4) atuou o plano da SUA Providência de forma que refulgissem com perfeitíssima harmonia OS privilégios e prerrogativas Que LHE concedera com SUA liberalidade. A Igreja de Semper reconheceu ESTA grande liberalidade ea Perfeita harmonia de Graças, e Durante o decurso dos Séculos de Semper procurou estudá-la Melhor. Nestes tempos NOSSOS refulgiu com luz Mais clara o Privilégio da Assunção corpórea da Mãe de Deus.
4. ESSE Privilégio brilhou com novo fulgor quando O Nosso predecessor Memória imortal de, Pio IX, definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição. De Fato cessos Dois dogmas o Estação estreitamente conexos Entre si. Cristo com a Própria morte venceu a morte EO Pecado, e TODO AQUELE Que Pelo Batismo de novo e Gerado, sobrenaturalmente, Graça Pela, vence também o Pecado ea Morte. Porem Deus, Por Lei Ordinária, de Modo concederá EAO JUSTOS O Pleno EFEITO DESTA Vitória Sobre a morte, quando chegar o Fim tempos do DOS. Por ESSE Motivo, Corpos SO dos Justos corrompem-se DEPOIS da morte, e de Modo None ÚLTIMO dia se juntarão com a Própria alma gloriosa.
5 Mas Deus Quis Dessa excetuar Lei Geral de Bem-aventurada Virgem Maria. Por hum Privilégio inteiramente singular Ela venceu o Pecado com a SUA Concepção Imaculada; e POR ESSE Motivo Localidade: Não FOI sujeita à lei de Permanecer na Corrupção Fazer sepulcro, NEM Teve de esperar hum Redenção fazer tempos Corpo ATÉ AO FIM DOS.
6. quando se definiu solenemente Que a Virgem Maria, Mãe de Deus, FOI imune de um SUA Concepção de Toda a mancha, logotipo OS Corações dos Fiéis conceberam UMA Mais viva Esperança de que EM BREVE o supremo magistério da Igreja definiria também o dogma da assunção corpórea da virgem Maria AO Céu.
Petições Pará UMA Definição dogmática
7 de Fato, sucedeu Que Localidade: Não SO OS Simples Fiéis, MAS ATÉ aqueles que, de Certo modo, personificam Como Nações UO Como Provincias eclesiásticas, e MESMO Localidade: Não poucos Padres do Concílio Vaticano pediram instantemente à Sé Apostólica ESTA Definição.
8 Com o decurso do Tempo essas petições e-votos de: Não diminuíram, Os pingos foram aumentando de dia par dia los Nummer e insistência. Com ESSE FIM fizeram-Se Cruzadas de orações; muitos e exímios teólogos intensificaram com ardor OS SEUS ESTUDOS SOBRE este ponto, Quer los Privado, Quer NAS Universidades eclesiásticas OU NAS Otras escolas de disciplinas sagradas; celebraram-se muitas EM contraditório Congressos marianos Nacionais e INTERNACIONAIS. Todos sos Estudos e Investigações mostraram com Maior Realce Que No Depósito da Fé Cristã, confiado à Igreja, tatmbém se encontrava a assunção da virgem Maria AO Céu. E de ordinário a CONSEQÜÊNCIA FOI enviarem súplicas los Que se pedia instantemente a Definição solene Desta Verdade.
9 Acompanhavam OS Fiéis nessa piedosa insistência OS SEUS Sagrados Pastores, OS cais cais Quais d'Orsay d'Orsay dirigiram hum ESTA Cadeira de S. Pedro semelhantes petições los Nummer Muito considerável. Quando fomos Elevado AO sumo pontificado, JA tinham Sido apresentadas milhares a Sé Apostólica ESTA muitos dessas súplicas, Vindas de TODAS Como contraditório do Mundo e de TODAS Como Aulas de Pessoas: dos NOSSOS AMADOS Filhos Cardeais Fazer Sacro Colégio, dos NOSSOS veneráveis ​​Irmãos Arcebispos e Bispos, das dioceses e paróquias Das.
10 Por ESSE Motivo, AO MESMO ritmo Que dirigíamos a Deus intensas súplicas, Paragrafo Que concedesse A Nossa Mente a luz do Espírito Santo Pará decidirmos TÃO Importante Causa, estabelecemos Normas Especiais los que determinamos que se procedesse com TODO o Cuidado a hum Estudo MAIS rigoroso da Matéria, e se reunissem e examinassem TODAS Como petições relativas à assunção da Santíssima virgem, enviadas Sé Apostólica hum de o Ritmo do Nosso predecessor Pio Memória feliz IX, de, COMEU AO Presente. (1)
Consulta AO episcopado
11 Mas Como se tratava de ASSUNTO de tanta importancia e transcendência, julgamos oportuno Rogar Direta e oficialmente hum de Todos os NOSSOS veneráveis ​​Irmãos no episcopado, Que nsa quisessem manifestar explicitamente a SUA Opinião. tal Pará FIM, None dia 1 ° de maio de 1946, dirigimos-lhes UMA Carta encíclica " Deiparae Virginis Mariae "  em que fazíamos esta pergunta: "Vos SE, veneráveis ​​Irmãos, na Vossa Sabedoria Exímia e Prudência, julgais Que a assunção corpórea da Santíssima Virgem PODE Ser proposta e definida Como dogma de Fé, e se desejais Que o SEJA, Tanto Vos Como o Vosso clero e Fiéis ".
Doutrina concorde do Magistério da Igreja
12 E aqueles que "o Espírito Santo colocou Como Bispos Pará Reger uma Igreja de Deus" (At 20, 28) Quase unanimemente Deram RESPOSTA Afirmativa UMA perguntas Ambas Como. ESSA "singular Concordância dos Bispos e Fiéis" (2) EM julgar Que a assunção corpórea AO Céu da Mãe de Deus podios Ser definida Como dogma de Fé, Mostra-SOE a doutrina concorde do magistério ordinário da Igreja, ea Fé igualmente concorde do povo Cristão - Que AQUELE magistério Sustenta e dirige - e POR ISSO MESMO Manifesta, de Modo Certo e imune de Erro, Que Tal Privilégio É Verdade Revelada POR DEUS É contida no Divino Depósito Que Jesus Cristo confiou a SUA Esposa Para o guardar fielmente e infalivelmente o declarar. (3) De Fato, ESSE magistério da Igreja, Nao POR Estudo meramente Humano, MAS Pela Assistência do Espírito de Verdade (cf. Jo 14,26), e portanto Absolutamente SEM Nenhum Erro, desempenha UMA Missão Que LHE FOI confiada de conservar Semper Puras e Integras Como Verdades Reveladas; e Pelo MESMO Motivo transmite-as SEM Contaminação e SEM lhes ajuntar NEM subtrair nada. "Pois - Como ENSINA o Concilio Vaticano - o Espírito Santo prometido FOI AOS SUCESSORES de Pedro Localidade: Não Paragrafo Que, POR SUA Revelação, doutrinas expressem Novas, mas Paragrafo Que, com o SUA Assistência, guardassem com Cuidado e expusessem fielmente a Revelação transmitida apóstolos Pelos Hook, OU SEJA o Depósito da Fé ". (4) Por ESSA Razão, do Consenso universal do Magistério da Igreja, deduz-se hum Argumento Certo e Seguro de par demonstrar a assunção corpórea da Bem-aventurada Virgem Maria. ESSE Mistério, Pelo Que respeita à glorificação celestial do Corpo da augusta Mãe de Deus, Nao podios Ser conhecido POR nenhuma Faculdade da Inteligência COM parágrafo Humana Como Forças Naturais. É, portanto, POR Verdade Revelada Deus, e POR ESSA Razão de Todos os Filhos da Igreja TEM obrigação de hum CRER firme e fielmente. Pois, Como Afirma o Concílio Vaticano MESMO, "TEMOS obrigação de CRER com Fé divina e Católica, TODAS Como Coisas que se CONTÉM na Palavra de Deus Escrita OU transmitida oralmente, e Que a Igreja, com solene Definição UO com o Seu magistério ordinário e universal, nos propõe Crer, Como Reveladas POR Deus "(5).
Testemunhos da Crença na assunção
13 de remotíssimos Tempos, Pelo decurso dos Séculos, aparecem-SOE Testemunhos, indícios e Vestígios Desta Fé Comum da Igreja; Fé Que se manifes CADA Vez Mais claramente.
14 Fiéis OS, guiados e instruídos pastores Pelos Hook, souberam POR Meio da Sagrada Escritura Que a Virgem Maria, de Durante UMA SUA Peregrinação terrestre, levou Vida Cheia de Cuidados, Angústias e sofrimentos; e Que, Segundo a Profecia do Santo Velho Simeão, Uma espada de dor LHE traspassou o Coração, Junto da Cruz do Seu divino Filho e Nosso Redentor. E Fazer MESMO MoDo, Nao tiveram dificuldade los admitir Que, à semelhança do Seu Filho unigênito, tambem a excelsa Mãe de Deus Morreu. Mas ESSA persuasão de: Não OS impediu de CRER Expressa e firmemente Que o Seu Sagrado Corpo de: Não sofreu hum Corrupção Fazer sepulcro, NEM FOI Reduzido à podridão e Cinzas AQUELE tabernáculo Fazer Verbo divino. Pelo contrario, o OS Fiéis iluminados Pela Graça e abrasados ​​de amor par com aquela Que É Mãe de Deus e Nossa Mãe dulcíssima, compreenderam CADA Vez Maior clareza com UMA Maravilhosa harmonia existente Entre OS privilégios concedidos POR Deus àquela Que o MESMO Deus Quis associar AO Nosso Redentor. ESSES privilégios elevaram-na a UMA ALTURA TÃO grande, Que Localidade: Não FOI atingida POR Nenhum Ser Criado, excetuada somente a Natureza Humana de Cristo.
15 Patenteiam inequivocamente ESTA MESMA Fé OS inumeráveis ​​Templos consagrados a Deus lhes Honra da Assunção de Nossa Senhora, e Como Imagens Neles expostas à veneração dos Fiéis, Que mostram AOS Olhos de Todos Este triunfo singular da Santíssima Virgem. Muitas Cidades, dioceses e regiões foram consagradas AO especial patrocínio e Proteção da Assunção da Mãe de Deus. Fazer MESMO modo, com aprovação da Igreja, fundaram-se Institutos Religiosos com o nomo dEste Privilégio. Nem se passar Desen los Silêncio Que Não Rosário de Nossa Senhora, cuja reza Tanto recomenda ESTA Sé Apostólica, ha hum Mistério proposto à Nossa Meditação, Que, Como Todos Sabem, E consagrado à Assunção da Santíssima Virgem AO Céu. 
Testemunho da liturgia
16 De Modo AINDA Mais universal e esplendoroso se manifes ESTA Fé dos pastores e dos Fiéis, com UMA FESTA Liturgica da Assunção celebrada a partir de Tempos antiquíssimos no Oriente e Ocidente nao. Nunca Santos OS padres e Doutores da Igreja deixaram de haurir luz Nesta solenidade, POIs, Como Todos Sabem, a sagrada liturgia, "Sendo também Profissão das Verdades Católicas, e estando sujeita AO supremo magistério da Igreja, PODE fornecer Argumentos e Testemunhos de Nao Pequeno valor nominal determinar algum Ponto da doutrina Cristã "(6).
17. n.os Livros litúrgicos los Que Aparece UMA festa da  Dormição UO da Assunção de santa Maria , encontram-se expressões que de UMA OU outra Maneira concordam los referir que, quando a virgem Mãe de Deus Passou dEste Exílio Para O Céu, POR UMA Especiais Providência divina, sucedeu AO Seu Corpo Algo de consentâneo com a Dignidade de Mãe do Verbo encarnado e com OS Para nós Ligação privilégios Que LHE foram concedidos. É O QUE SE Afirma, apresentarmos Pará hum Exemplo elucidativo, Nao  Sacramentário  predecessor enviado Pelo Nosso de Memória imortal Adriano I, Imperador Carlos Magno AO. Nele se Diz: "E digna de veneração, Senhor, um dia festividade dEste, EM que um Papai Mãe de Deus sofreu a morte temporal mas Localidade: Não PODE Ficar presa com algemas Como da morte aquela Que Gerou Localidade: Não Seu seio o Verbo de Deus encarnado, Vosso Filho, Nosso Senhor ". (7)
18 Aquilo Que Aqui do SE UMA REFERÊ com sobriedade de Palavras costumeiras na Liturgia romana, Exprime-se Mais difusamente nn Para nos ligam Livros Das Antigas liturgias Orientais e ocidentais. O Sacramentário Galicano , Exemplo POR, Chama UMA ESSE Privilegio de Maria, "inexplicável Mistério, Tanto Mais Digno de Ser proclamado, Quanto e Único Entre OS Homens, Pela assunção da virgem". E na liturgia bizantina a assunção corporal da virgem Maria e relacionada DIVERSAS vezes Localidade: Não Só com a Dignidade de Mãe de Deus, MAS também com OS Para privilégios nos ligam, especialmente com a SUA Maternidade virginal, decretada POR UM Designio singular da Providência divina: "Deus, Rei do Universo, privilégios concedeu-vos que superam a Natureza ;. ASSIM Como No parto vos conservou a virgindade, Assim Localidade: Não sepulcro vos preservou o Corpo da Corrupção EO conglorificou Pela divina translação" (8)
A festa da Assunção
19 A Sé Apostólica, Herdeira do múnus confiado AO Príncipe dos Apóstolos de Confirmar na Fé OS Irmãos (cf. Lc 22,32), COM SUA Autoridade FOI tornando CADA Vez Mais solene ESTA celebração. ESSE Fato estimulou eficazmente OS Fiéis a irem-se apercebendo Mais e Mais da importancia dEste Mistério. E ASSIM, a festa da Assunção, que tinha o Princípio AO MESMO grau de solenidade que Como restantes marianas Festas, elevada FOI AO rito Das Festas MAIS solenes Fazer Ciclo litúrgico. O Nosso predecessor S. Sérgio I, AO prescrever Como ladainhas, uo UMA Chamada procissão estacional, NAS Festas de Nossa Senhora, enumera simultaneamente a  Natividade , a  Anunciação , a  Purificação  ea  Dormição . (9) A festa se celebrava JÁ com o nomo de Assunção da Bem-aventurada Mãe de Deus, Sem ritmo de S. Leão IV ESSE papa procurou Que se revestisse de Maior esplendor, Mandando ajuntar-LHE a vigília ea oitava. E o proprio pontífice Quis Participar nessas solenidades, acompanhado de Imensa Multidão. (10) Na vigília de JA HÁ Muito se guardava o jejum, Como se Prova com Evidência Fazer Afirma que O Nosso predecessor S. Nicolau I, AO TRATAR dos principais jejuns "que ... desde OS tempos Antigos observava e AINDA UMA OBSERVA de Santa Romana Igreja "(11).
20 A Liturgia da Igreja Localidade: Não cria UMA Fé Católica, mas supõe-na; EE Dessa Fé Que brotam OS ritos Sagrados, Como da Árvore OS frutos. POR ISSO os Santos Padres e Doutores NAS homilias e sermões que Nesse dia fizeram AO Povo, Nao foram buscar ESSA doutrina à liturgia, Como a Fonte Primária; mas falaram Dela AOS Fiéis Como de Coisa sabida e admitida Por Todos. Declararam-na Melhor, explicaram o Seu significado EO Fato com Razões Mais Profundas, destacando e amplificando Aquilo que muitas vezes OS Livros litúrgicos apenas aludiam los poucas Palavras, um sabre, que esta com festa de: Não se comemora somente a incorrupção do Corpo Morto da Dinamarca Santíssima Virgem, mas principalmente o triunfo POR ELA alcançado Sobre a morte ea SUA celeste glorificação à semelhança do Seu Filho unigênito, Jesus Cristo.
Testemunho dos santos Padres
21 S. João Damasceno, que entre Todos se distingue Como pregoeiro Dessa Tradição, AO comparar a assunção gloriosa da Mãe de Deus com o SUAS Como Otras prerrogativas e privilégios, Exclama com veemente eloqüência: "Convinha Que aquela Que No parto manteve ilibada virgindade conservasse O Corpo incorrupto MESMO DEPOIS da morte. Convinha Que aquela Que Trouxe de: Não seio o Criador encarnado, habitasse tabernáculos Entre OS divinos. Convinha que Morasse de: Não tálamo celestial aquela Que o Eterno Pai desposara. Convinha Que aquela Que Viu o Seu Filho na cruz, com o Coração traspassado POR UMA espada de dor de que tinha Sido imune None parto, contemplasse assentada à Direita do Pai. Convinha Que a Mãe de Deus possuísse o Que Fazer era Filho, e Que Fosse Venerada POR TODAS Como Criaturas como Mãe e Serva Fazer MESMO Deus "(12).
22 Condizem com essas Palavras de s. João Damasceno Como de muitos para nos link que afirmam a doutrina MESMA. E Localidade: Não São Menos expressivas, NEM Menos Exatas, Como Palavras Que se encontram Nos sermões proferidos Pelos santos Padres Mais Antigos UO da MESMA Época, ordinariamente POR OCASIÃO Dessa festividade. ASSIM, Paragrafo citar Outro Exemplo, s. Germano de Constantinopla julgava Que a incorrupção do Corpo da Virgem Maria Mãe de Deus, ea SUA Assunção AO Céu São corolários de: Não So da SUA Maternidade divina, mas ATÉ da Santidade daquele SINGULARES Corpo virginal: "Vos, Como ESTA Escrito, EM Beleza 'aparecestes'; o Vosso Corpo virginal E Totalmente santo, Totalmente casto, Totalmente Domicílio de Deus de forma que ATÉ POR Este Motivo FOI isento de desfazer-se em OP; FOI, sim, transformado, enquanto era Humano, Paragrafo Viver a Vida altissima da incorruptibilidade, mas ágora ESTA vivo, gloriosíssimo, incólume e Participante da Vida Perfeita "(13) Outro Escritor antiquíssimo assevera POR SUA Vez .:" A gloriosíssima Mãe de Cristo, Deus e Salvador Nosso, dador da Vida e da imortalidade, glorificada FOI Revestida e do Corpo na eterna incorruptibilidade, POR AQUELE MESMO UMA Que ressuscitou Fazer sepulcro ea chamou a si duma forma que até ELE SABE "(14).
23 A MEDIDA Que a festa Liturgica se FOI Espalhando, e Celebrando Mais devotamente, Maior FOI o numéro de Bispos e oradores Sagrados que julgaram de Seu Dever explicar com clareza Toda a O Mistério Que se venerava Nesta solenidade e mostrar Como Ela estava intimamente relacionada com Como Otras Verdades Reveladas.
Teólogos Testemunho DOS
24 Entre teólogos escolásticos OS, alguns de: Não faltaram, Que, pretendendo Penetrar Mais profundamente NAS Verdades Reveladas, o Acordo de Incorporação e mostrar entre Uma Chamada Razão Teológica ea Fé Católica, notaram UMA Estreita Conexão existente entre este Privilégio da Assunção da Santíssima Virgem e Como Demais Verdades contidas na Sagrada Escritura.
Partindo desse pressuposto 25, apresentam DIVERSAS Razões Para corroborar ESSE Privilégio mariano. A Razão Primária e diziam Fundamentos de Ser O Amor filial de Cristo Para O LeVar hum Querer UMA assunção de SUA Mãe AO Céu. E advertiam Mais, que a Força dos Argumentos se baseava na incomparável Dignidade da SUA Maternidade divina e lhes TODAS Como Graças que Dela derivam: a altissima Santidade que exceder como Santidade de Todos os Homens e anjos, um Íntima União de Maria com o Seu Filho, e sobretudo o de amor Que o Filho consagrava a SUA Mãe digníssima.
26 vezes Muitas OS teólogos e oradores Sagrados, seguindo OS Passos dos Santos Padres (15), Pará explicarem a SUA Fé na assunção, serviram-se com Certa Liberdade de Fatos e Textos da Sagrada Escritura. E ASSIM, Paragrafo mencionar Só alguns Mais Empregados, houve QUEM citasse Vá para este Propósito Como Palavras do salmista: "Erguei-vos, Senhor, Para O Vosso Repouso, Vos ea Arca de Vossa santificação" (Sl 131, 8); e na Arca da Aliança, Feita de madeira incorruptível e colocada no Templo de Deus, viam Como que UMA Imagem do Corpo Puríssimo da virgem Maria, preservado da Corrupção Fazer sepulcro, e elevado a tamanha Glória Localidade: Não Céu. Fazer MESMO modo, AO TRATAR Desta Materia, descrevem UMA Entrada triunfal da Rainha na corte celeste, e Como se Vai Sentar a Direita do divino Redentor (Sl 44,10.14-16); e recordam A Proposito UMA Esposa dos Cantares "Que Sobe Deserto pelo, Como UMA Coluna de mirra e de Incenso" Para Ser Coroada (Ct 3,6; cf. 4,8; 6,9). Ambas São propostas Como Imagens daquela Rainha e Esposa celestial, Que sobe AO Céu com o Seu Esposo divino.
27 Os Doutores escolásticos vislumbram igualmente a assunção da Mãe de Deus Localidade: Não Só lhes Varias Figuras Fazer Antigo Testamento, mas também Naquela Mulher, Revestida de sol, Que o apóstolo s. João contemplou na ilha de Patmos (Ap 12, ls.). Porem, Textos Entre OS Fazer Novo Testamento, consideraram e examinaram COM Particulares aquelas Cuidado Palavras: "Ave, Cheia de Graça, o Senhor E convosco, bendita sois Vos Entre Como Mulheres" (Lc 1,28), POIs viram None Mistério da Assunção o complemento daquela plenitude de Graça, concedida à Santíssima Virgem, e UMA singular benção contraposta à Maldição de Eva. 
Na Teologia Escolástica
28 Por ESSE Motivo, nos primórdios da Teologia Escolástica, o piedosíssimo varão Amadeu, bispo de Lausana, afirmava Que a carne da virgem Maria permaneceu incorrupta - NEM SE PODE CRER Que o Seu Corpo padecesse a Corrupção -, o o Porque se uniu de novo à alma, e juntamente com Ela penetrou na corte celestial. "Pois era ELA Cheia de Graça e Bendita Entre Como Mulheres (Lc 1,28). Só Ela mereceu conceber o Deus verdadeiro do Deus verdadeiro, e Sendo virgem DEU-o à luz, amamentou-o, Trouxe-o no regaço, e prestou-LHE de Todos os Cuidados maternos ". (16)
29 Entre OS Escritores Sagrados Que naquele ritmo COM VÁRIOS Textos, comparações e analogias tiradas das divinas Letras, ilustraram e confirmaram a doutrina da Assunção los que piamente acreditavam, Ocupa Lugar primordial o doutor evangélico s. Antônio de Pádua. Na festa da Assunção, AO Comentar aquelas Palavras de Isaías: "glorificarei o Lugar dos MEUS PES" (Is 60,13), afirmou com Segurança Que o divino Redentor glorificou de Modo Mais Perfeito a SUA Mãe amantíssima, da qua tomara carne Humana. "Daqui, ve-se claramente", Diz, "Que O Corpo da Santíssima Virgem FOI AO ASSUNTO Céu, POIs era o Lugar dos pes FAZ Senhor". Pelo Que, escreve o salmista: "Erguei-vos, Senhor, Para O Vosso Repouso, Vos EA Arca da Vossa santificação". E Como ASSIM, acrescenta AINDA, Jesus Cristo ressuscitou triunfante da morte e subiu Paragrafo hum Direita do Pai, ASSIM também "ressuscitou a Arca da SUA santificação, quando Neste dia um assunta virgem Mãe FOI AO tálamo celestial". (17)
No PERÍODO Áureo
30 quando, na Idade Media, a Teologia Escolástica atingiu o Maior esplendor, s. Alberto Magno, Paragrafo demonstrar ESSA Verdade, apresenta fundados Vários Argumentos nd Sagrada Escritura, na Tradição, na liturgia por e lhes Razões teológicas, e CONCLUI: "Por ESTAS e Outras muitas Razões e autoridades, evidenciados E Que a Bem-aventurada Mãe de Deus foi assunta AO Céu lhes Corpo e alma SOBRE OS coros dos Anjos cremos E que IstoÉ Absolutamente verdadeiro. "(18) E num Sermão Pregado em Dia da Anunciação de Nossa Senhora, aquelas AO explicar Palavras do Anjo :." Ave, Cheia de Graça ... ", o doutor universal COMPARA a Santíssima Virgem com Eva, e Afirma clara e terminantemente que Maria foi Livre das Quatro maldições Que caíram SOBRE Eva (19).
31 O Doutor Angélico, seguindo Como pisadas do Mestre, AINDA Que Nunca TRAR expressamente Fazer ASSUNTO, Nao entanto Semper Que se oferece UMA OCASIÃO Fala DELE, e com a Igreja Católica Afirma Que O Corpo de Maria juntamente com a alma FOI AO levado Céu ( 20).
32 E da MESMA Opinião, muitos Entre a US Link, O Doutor Seráfico, o qua TEM Como Certo Que, Assim Como Deus preservou Maria Santíssima da violação do pudor e da Integridade virginal AO conceber e dar à luz o Seu Filho, ASSIM Localidade: Localidade: Não permitiu isso. o Seu Corpo se desfizesse los podridão e Cinzas (21) Aplica a Santíssima Virgem, EM SENTIDO acomodatício, aquelas Palavras da Sagrada Escritura: "Quem E esta que sobe do Deserto, Cheia de gozo, e Apoiada no Seu amado?" (Ct 8,5), e raciocina Desta forma: "Daqui PODE concluir-se Que ELA ESTA ali corporalmente (na Glória celeste) ... o ... o Porque a SUA Felicidade Localidade: Não Seria plena se ali de: Não estivesse em Pessoa; ora hum Pessoa Localidade: Não E de forma a alma, mas o Composto; logotipo E Claro Que ESTA ali Segundo o Composto, Isto É, EM Corpo e alma ;. de Outro Modo de: Não gozaria de plena Felicidade "( 22)
Na Escolástica posterior
33 Na Escolástica posterior, OU SEJA nenhuma XV Século, São Bernardino de Sena, resumindo e ponderando cuidadosamente Tudo Quanto OS teólogos Medievais tinham Escrito UMA ESSE Propósito, Nao julgou Suficiente referir Como principais Considerações Que OS Antigos Doutores tinham proposto, mas acrescentou Otras Novas. Por Exemplo, Uma semelhança Entre a divina Mãe EO divino Filho, Nao Que respeita à perfeição e Dignidade de alma e Corpo - ASSIM Exige Absolutamente Que Maria "- Que semelhança NEM Sequer nn permite Pensar Que a Rainha celestial POSSA Estar separada do Rei dos Céus . deva Estar Onde ESTA Cristo "(23) Portanto, E Muito conveniente e Conforme à Razão que Tanto o Corpo Como a alma do Homem e da Mulher tenham alcançado ja a Glória de: Não Céu; e, Finalmente, o Fato de Nunca a Igreja ter PROCURADO Como Relíquias da Santíssima Virgem, NEM Como ter Exposto à veneração dos Fiéis, constitui hum Argumento Que É "como que UMA Experiência sensivel" da Assunção (24).
Tempos Modernos nsa
34. tempos 'em' MAIS RECENTES, Como Razões dos santos Padres e Doutores, aduzidas Acima, foram Usadas comumente. Seguindo O COMUM DOS Sentir cristãos, Dos Recebido Tempos Antigos s. Roberto Belarmino exclamava: "Quem há, pergunto, Que POSSA Pensar Que a arca da Santidade, o Domicílio Fazer Verbo, o Templo do Espírito Santo tenha caido los Ruinas Horroriza-se o Espírito Só com Pensar Que aquela carne Que Gerou, DEU UM? luz, alimentou e transportou a Deus, se tivesse convertido los Cinza OU Fosse Alimento dos Vermes "(25).
35 De Igual forma s. Francisco de Sales Afirma Que Localidade: Não se PODE duvidar Que Jesus Cristo cumpriu Fazer Modo Mais Perfeito o divino mandamento Que obriga Os Filhos de honrar OS Pais. E uma pergunta Seguir FAZ ESTA: "Que haveria Filho, Que, se pudesse, Nao ressuscitava a SUA Mãe e Localidade: Localidade: Não a levava Para o Céu" (26) E s. Afonso escreve POR SUA Vez .: "Jesus de: Não Quis Que O Corpo de Maria se corrompesse DEPOIS da morte, redundaria POIs los Seu desdouro Que se transformasse los podridão aquela carne virginal de que ELE MESMO tomara a carne Própria" (27)
36 quando JÁ tinha aparecido los Toda a SUA luz O Mistério Que se celebra Nesta festa, Nao faltaram Doutores que, em Vez de TRATAR das Razões teológicas pelas cais cais Quais d'Orsay d'Orsay se demonstrasse a absoluta Conveniência de Crença na assunção corpórea da Virgem Santíssima, voltaram O Pensamento Para a Fé da Igreja, mística Esposa de Cristo, SEM NEM mancha ruga (cf. Ef 5,27), Que o Apóstolo Chama "Coluna e sustentáculo da Verdade" (1Tm 3,15). E apoiados Nesta Fé Comum pensaram Que Seria temeraria, Paragrafo Localidade: Não herética DiZer, UMA contraria Opinião. S. Pedro Canísio, Para muitos nós Ligação Como, DEPOIS de declarar Que o Termo assunção se referia à glorificação de: Não So da alma Mas, também do Corpo, e Que a Igreja HÁ muitos Séculos venerava e celebrava solenemente Este Mistério mariano, obser: "Esta Opinião E admitida HÁ Vários Séculos e Tao fazer impressa na alma dos Fiéis, e Tao fazer recomendada Pela Igreja, que QUEM negasse a assunção AO Céu do Corpo de Maria Santíssima NEM Sequer Seria Ouvido com Paciência, mas Seria vaiado Como pertinaz, OU MESMO Temerario, e imbuido Mais de espírito herético Fazer que Católico "(28).
37 Pela MESMA Época, o Doutor exímio estabelecia ESTA Regra Paragrafo a mariologia: "Os Mistérios da Graça Que Deus operou na virgem Maria NAO SE devem Medir pelas Leis Ordinárias, SENAO Pela onipotência divina, suposta a Conveniência Fazer Fato ea Localidade: Não Contradição OU repugnância com Como Escrituras ". (29) E apoiado na Fé de Toda a Igreja, podios concluir que O Mistério da Assunção Devia fazer CRER-se com a MESMA firmeza Que o da Imaculada Conceição, e ja entao julgava Que Ambas Como Verdades podiam definidas SER. 
Fundamento escriturístico
38 Todos sos Argumentos e Razões dos santos Padres e teólogos apóiam-se, EM ÚLTIMO Fundamento, na Sagrada Escritura. Esta Nos apresenta uma Mãe de Deus extremamente unida AO Seu Filho, e de Semper Participante da SUA sorte. Pelo que parece que Quase Impossível contemplar aquela Que concebeu, DEU à luz, alimentou com o Seu leite, um Cristo, EO Teve nsa Braços e apertou contra o Peito, estivesse ágora, DEPOIS da Vida terrestre, separada DELE, SE Localidade: Não Quanto à alma, corpo AO Menos Quanto ao. O Nosso Redentor E também Filho de Maria; e Como Observador perfeitíssimo da lei divina de: Não podios deixar de honrar a SUA Mãe amantíssima logotipo DEPOIS Fazer Eterno Pai. E podendo ELE Adorna-la com tamanha Honra, preservando-a da Corrupção Fazer sepulcro, DEVE CRER-se Que Realmente o fez.
39 E convém sobretudo ter los vista que, ja a Partir do Século II, os Santos Padres apresentam a virgem Maria Como nova Eva, sujeita sim, mas intimamente unida AO novo Adão na Luta contra o Inimigo infernal. E ESSA Luta, Como JÁ se indicava nenhuma Protoevangelho, Acabaria com a Vitória Completa SOBRE O Pecado e Sobre a morte, Que Semper se encontram unidas Nos Escritos Fazer Apostolo Das gentes (cf. Rm 5, 6, LCOR 15,21-26; 54-57). ASSIM Como a Ressurreição gloriosa de Cristo constituiu-parte essencial e ÚLTIMO TROFÉU Desta Vitória, ASSIM também hum Vitória de Maria Santíssima, Comum com hum Fazer Seu Filho, devia do fazer Terminar Pela glorificação do Seu Corpo virginal. Pois, Como Diz o apóstolo AINDA, "quando ... Este Corpo mortal, se revestir da imortalidade, entao se cumprirá o Que ESTA Escrito: a morte FOI absorvida na Vitória" (1Cor 15,14).
40 dEste modo, hum augustíssima Mãe de Deus, Associada a insondável Jesus Cristo de Modo de Toda a Eternidade "com hum Único decreto" (30) de predestinação, Imaculada na Concepção SUA, semper virgem, na SUA Maternidade divina, generosa companheira afazeres divino Redentor Que obteve triunfo completo SOBRE O Pecado e SUAS consequencias, alcançou POR FIM, Como Suprema privilégios Coroa dos SEUS, Que Fosse preservada da Corrupção Fazer sepulcro, e Que, à semelhança do Seu divino Filho, vencida a morte, fossa levada los Corpo e alma AO Céu, Onde refulge Como Rainha à Direita do Seu Filho, Rei imortal DOS Séculos (cf. 1Tm 1,17).
Oportunidade da Definição
41 Considerando Que a Igreja universal - Que É Assistida Pelo Espírito de Verdade, Que a dirige infalivelmente Para O Conhecimento das Verdades Reveladas - não decurso dos Séculos manifestou de Tantas Formas hum SUA Fé; considerando Que OS Bispos de TODO O Mundo Quase unanimemente pedem que SEJA definida Como dogma de Fé divina e Católica A Verdade da Assunção da Santíssima Virgem corpórea AO Céu; considerando que esta Verdade se funda na Sagrada Escritura, ESTA profundamente gravada na alma dos Fiéis, e de Tempos antiquíssimos E Comprovada Pelo Culto litúrgico, e concorda, inteiramente, com um Otras Verdades Reveladas, e TEM Sido esplendidamente explicada e declarada Pelos Estudos, Sabedoria Prudência e DOS teólogos - julgamos chegado o Momento estabelecido Pela Providência de Deus, Paragrafo proclamarmos solenemente Este Privilégio insigne da virgem Maria. (42). NOS, que colocamos O Nosso pontificado Solúcar o especial patrocínio da Santíssima Virgem, à recorremos qua los Tantas circunstâncias tristes, NSA, que consagramos publicamente TODO o Gênero Humano AO Seu Imaculado Coração, e que experimentamos muitas vezes o Seu Poderoso patrocínio, confiamos firmemente que ESTA solene proclamação e Definição Sera, Será, será de grande proveito do Pará UMA Humanidade inteira, o o Porque reverte los Glória da Santíssima Trindade, a qua a virgem Mãe de Deus ESTA Ligada com Laços Muito Especiais. É de esperar também que de Todos os Fiéis cresçam los de amor par com a Mãe celeste, e Que OS Corações de Todos os Que se gloriam Fazer nomo de cristãos se movam a desejar a União com o Corpo místico de Jesus Cristo, e de: Não de de amor Que aumentem Pará com aquela Que TEM amor de Mãe Paragrafo Com Os Membros Fazer MESMO augusto Corpo. E também E lícito esperar Que, AO meditarem Nos Exemplos gloriosos de Maria, Mais e Mais se persuadam Todos Faze valor da Vida Humana, parágrafo se consagrada AO cumprimento da Vontade do Pai celeste ea procurar Integrante Fazer O Bem Próximo. Enquanto o materialismo ea Corrupção de trajes que DELE se origina ameaçam subverter a luz da Virtude, e destruir Vidas Humanas, suscitando Guerras, E AINDA de esperar que este luminoso e incomparável Exemplo, posto Diante dos Olhos de Todos, mostre com plena luz Qual o FIM que o SE destinam a alma Nossa EO Nosso Corpo. E, Finalmente, esperamos Que a Fé na assunção corpórea de Maria AO Céu torne Mais firme e operativa a Fé na Ressurreição Nossa Própria.
43 E e Paragrafo NÓS Motivo de regozijo Imenso que este Fato, POR Providência de Deus, se Percebe Neste Ano Santo que esta a decorrer, e Que possamos ASSIM, enquanto se celebra Este jubileu Maior, adornar com pedra preciosa ESTA UMA fronte da Virgem Santíssima , e deixar hum monumento, Mais perene Que o bronze, da Nossa ardente Devoção Paragrafo com UMA Mãe de Deus.
Definição solene do dogma
44 "Pelo Que, DEPOIS de TERMOS dirigido hum deus repetidas súplicas, e de TERMOS invocado a paz do Espírito de Verdade, Paragrafo Gloria de Deus onipotente Que UMA Virgem Maria concedeu UMA SUA Especiais benevolência, Paragrafo Honra Fazer Seu Filho, Rei imortal dos Séculos e triunfador do Pecado e da Morte, Paragrafo aumento da Glória da SUA augusta Mãe, e Paragrafo gozo e Júbilo de Toda a Igreja, com a Autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Bem-aventurados Apóstolos s. Pedro e s. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos Ser dogma divinamente Revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a virgem Maria de semper, terminado o Curso da Vida terrestre, assunta estava em Corpo e alma à Glória celestial ".
45 Pelo Que, se alguem, O Que Deus Localidade: Não permita, Ousar, voluntariamente, Negar OU Pôr los Dúvida ESTA Nossa Definição, naufraga Saiba Que na Fé divina e Católica.
46 Para Que Chegue AO Conhecimento de Toda a Igreja Nossa ESTA Definição da Assunção corpórea da virgem Maria AO CEU Queremos Que se conservem ESTA Carta Para Perpétua Memória; mandamos também que, AOS SEUS transuntos OU Copias, impressas MESMO, desde que sejam subscritas Pela Mão de algum notario publico, e munidas com o selo de alguma Pessoa constítuida los Dignidade eclesiástica, se lhes de O MESMO Crédito que um Presente, se Fosse apresentada e mostrada.
47 A NINGUEM, POIs, SEJA lícito infringir ESTA Nossa declaração, proclamação e Definição, OU temerariamente opor-se-LHE e contraria-la. Se alguem presumir intenta-lo, Saiba Que incorre na indignação de Deus onipotente e dos Bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo.

Dado los Roma, Junto de São Pedro, no Ano do Jubileu Maior, de 1950, None dia 1 ° de Novembro, festa de Todos os Santos, no XII Ano fazer Nosso pontificado.

Eu PIO, Bispo da Igreja Católica ASSIM definindo, subscrevi.