3 de Novembro




DEPOIS DA MORTE...

Com a morte tudo se acaba?
  
Sim, é verdade, com a morte tudo se acaba. Lá se vão as riquezas, as honras, o luxo, as glórias ter­renas e até nosso pobre corpo tão miserável se trans­forma num monturo asqueroso e horrível. Vamos ao pó donde viemos. Tu és pó e em pó te hás de tornar. Seremos quanto ao corpo, nada, pó, um punhado de lodo. Todavia, temos uma alma imortal, criada à ima­gem e semelhança de Deus, e esta não se acaba. É espiritual. Separa-se do corpo que ela vivificou, mas não morre. A morte não é mais do que a separação da alma do corpo. Então ne
m tudo se acaba na morte. Fica o principal, a alma.

Fica tudo — uma alma remida pelo Sangue de um Deus.

Não somos um bruto que nasce, cresce, morre e desaparece num monturo para sempre.

Um amigo de Sócrates, o célebre filósofo grego condenado à morte, perguntou-lhe antes que o vene­no da cicuta arrebatasse a preciosa vida:

— Tem algum deseja para que o cumpramos? Porventura alguma disposição sobre o enterro?

— Que querem? Meu amigo, pensam então em me sepultar? Podem enterrar meu corpo, mas a mim não poderão sepultar.

Resposta de um pagão consciente da sua imorta­lidade.

E nós, cristãos, podemos com muito mais razão dizer: — sepultam nosso cadáver, nosso pobre e mi­serável corpo. Ficamos nós, porém, vivos e imortais. Não morreremos. Não morre nossa alma. A imortalidade de nossa alma é uma verdade tão clara, que nunca houve povo tão bárbaro que nela deixasse de crer. Repugna e revolta ao nosso ser todo, a idéia estúpida do materialismo apontando-nos a sepultura e um punhado de pó como a única e última finalidade de nossa existência.

Com a morte tudo se acaba?

Sim, quanto ao corpo, até a ressurreição da car­ne no dia do Juízo.

E quanto à alma, então sim é que tudo começa. Começa a eternidade...

A vida passa depressa. Somos crianças neste mundo, sempre iludidos pelas bagatelas e loucuras do pecado. Andamos à caça de borboletas de ilusões. Depois... depois... Virá a hora da despedida de tudo quanto é terreno. E havemos de partir para a casa da nossa eternidade.

Diz a Escritura: Irá o homem para a casa da sua eternidade.

Ora, morrer é, pois, ir para a casa. Deus é Pai. Iremos pois então para a casa de nosso Pai. Haverá coisa mais bela e mais consoladora? Como é bela a esperança cristã!

E como é horrível o materialismo a considerar o túmulo um punhado de lodo, o último e fatal destino de um homem!
 
E depois?
  
Depois, quando nossa alma se separar do corpo, o que constitui a morte, todos nós compareceremos ante o Tribunal Divino e seremos julgados. Omnes stabimus ante tribunal Domini nostri Jesu Christi! Que dia aquele e que hora tremenda a da sentença! Estaremos em face de duas eternidades: Céu ou Inferno! Post hoc judicium... Depois da morte o Juízo. Daremos contas severas a Deus de tudo. Nossa vida inteira se passou na presença do Senhor que tudo sa­be e penetra até os nossos mais secretos pensamen­tos. “Cada dia, escreveu Bossuet, cada instante a Justiça de Deus registrou nossas ações. Cada momen­to de nossa existência, cada respiração, cada batida de nosso pulso, si assim posso me exprimir, cada manifestação de nosso pensamento tem consequências eternas. E toda esta história sem igual nos será apre­sentada um dia”.

Sim, toda a nossa vida, e até as nossas mais se­cretas intenções irão ao Tribunal de Deus, no dia e na hora em que nossa alma se separar deste corpo de morte. Quem é o Juiz? Deus Santo, a Santidade em essência, Deus que tudo sabe e tudo vê, Deus que num instante nos apresenta toda a nossa vida, com seus pecados e misérias, bem como as boas obras que fizemos ou deixamos de fazer. Daremos conta tam­bém do abuso da Graça e dos pecados de omissão. Meu Deus! Meu Deus! Que tremendo Juízo nos está reservado! Que responsabilidade a do cristão em face da morte! Será a morte apenas um estúpido aniquilamento? Será uma podridão de vermes numa sepultu­ra, e nada mais além disto? Ó não, mil vezes não!

A morte é a porta da eternidade, e ela nos lan­ça, despojados de tudo, sozinhos, com o peso de nos­sos pecados ou de nossas boas obras, na face do Se­nhor, do Juiz eterno dos vivos e dos mortos para ser­mos julgados. Já meditamos seriamente nisto? Já pesamos a tremenda responsabilidade da vida? En­tretanto, como se procede tão levianamente em face da morte! Que insensatos são os homens quando nem querem pensar na morte, e procuram se iludir para melhor viveram no pecado!

Daremos contas a Deus de nossa vida. Exame rigoroso de tudo... até “de uma palavra ociosa”, diz Nosso Senhor no Evangelho. E depois? Virá a sen­tença. Duas eternidades: céu e inferno! Acreditam? Tanto melhor! Não acreditam? — Pois não deixará de existir o inferno, nem o céu deixará de ser a mais consoladora das realidades por que alguns materia­listas ou cristãos degenerados não querem crer. Ire­mos para a casa da nossa eternidade! Ibit homo ad domum aeternitatis suae. Iremos, sim, mais cedo ou mais tarde. Estamos preparados? Preparados para o Juízo? Então seremos salvos pela Divina Misericórdia si a morte não nos encontrou no pecado e na inimi­zade de Deus. Somos porém bem puros para compa­recermos diante de Deus e entrarmos na vida eterna? Ai! Quanta miséria e fragilidade! E fizemos tão pou­ca penitência, neste mundo, dos nossos pecados! Res­ta-nos o purgatório. Para lá iremos quase todos, ire­mos nos purificar, antes da recompensa eterna. Poderíamos dizer em geral: depois do Juízo... o Pur­gatório!
  
No purgatório...

Quando levamos nossos mortos queridos à sepul­tura, costumamos dizer: descansaram!... Sim, des­cansaram das fadigas e lutas desta vida que é um combate no dizer expressivo de Jó: militia est vita ho­minis super terram — a vida do homem neste mundo é um combate. Porém, descansaram já no seio de Deus? Estão já no eterno repouso do céu? Ai! É tão grande a fragilidade humana, que bem poucos, raríssimos, são os que deixam esta vida e entram logo no céu. Os mortos entraram, sim, na paz do Senhor, mas na paz da Justiça, geralmente na paz da expiação do purgatório. O purgatório é lugar da paz. Lá habita a doce paz dos eleitos, dos que resignados e cheios de amor e de dor cumprem a sentença e se purificam à espera do céu. Já se chamou ao purgatório, e com razão, o vestíbulo do paraíso. É o pórtico da eterni­dade bem-aventurada.

Sim, nossos mortos descansaram, mas sofrem, e sofrem muito mais do que tudo quanto padeceram nesta vida. O fogo das provações neste mundo, quei­ma a palha. O fogo do purgatório acrisola o ouro. É terrível! Em face da morte deveríamos pensar na expiação das pobres almas que foram prestar contas a Deus e, talvez, sofram no purgatório. Não digamos comodamente: estão no céu! estão no céu! Com isto padecem almas no purgatório. Iremos meditar o que é e o que padecem as almas do purgatório. A Igreja pelas lições impressionantes da sua Liturgia quer que associemos ao pensamento da morte o da eternidade. E, diz o Prefácio da Missa dos defuntos, si a condição da nossa morte nos entristece, console-nos a pro­messa da imortalidade futura.

E depois, quantas vezes gemendo sobre nós, cla­ma: Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno! Dai-lhes o descanso eterno! Implora misericórdia para nossa po­bre alma, lembra o Juízo tremendo de Deus, e quer nos aliviar nas chamas expiadoras do purgatório. Nunca meditemos na morte sem meditarmos no pur­gatório. É este o sentido da Liturgia nos funerais.

Estas preces tocantes e belas, estes ritos impres­sionantes e cheios de majestade, lembram-nos a nossa dignidade de cristãos, a dignidade de nosso corpo, sacrário de urna alma imortal e templo do Espírito Santo, destinado a ressuscitar um dia e comparecer no Tribunal do Juízo. Lembram-nos a triste condi­ção de urna pobre alma ao comparecer diante de Deus, e implora misericórdia ao Juiz dos vivos e dos mor­tos. Sim, não podemos, como cristãos e filhos da Igreja, separar o pensamento da morte do da eter­nidade. E como sabemos qual é a Justiça de Deus, não deixaremos de considerar que após a morte, aí vem o purgatório para quase todos nós, e que lá na expiação, há muitas almas queridas pelas quais so­mos obrigados a orar por dever de Justiça e de ca­ridade. Eis pois, repito, o sentido da meditação da morte e da Liturgia dos mortos. Não é um pensa­mento de morte, não estão vendo? É ao invés um pen­samento de vida. Vita mutatur non tollitur, diz o Prefácio dos defuntos. A vida não foi tirada, nem desapareceu, mudou-se apenas. De terrena passou a ser eterna. Eis como o cristão pensa na morte!
  
Exemplo

As almas do purgatório na hora da morte dos que as socorrem
  
É certo, diz um autor, a ingratidão não pode existir no Purgatório. Aquelas benditas almas hão de proteger e socorrer os que as aliviam nesta vida com seus sufrágios. O célebre Cardeal Baronio con­ta que uma pessoa devota das santas almas foi terri­velmente tentada na hora da morte. Estava desolada e quase em estado de desespero, quando uma multidão de pessoas veio em seu auxílio. Logo ficou livre de toda tentação e entrou em doce paz. Perguntou curiosa:

— Que multidão é esta que entrou aqui e na mesma hora senti tanto alicio e fui socorrida pelo céu?

— Somos as almas que tirastes do purgatório, responde uma doce voz, e viemos buscar vossa alma para juntos entrarmos no céu.

Ao ouvir estas palavras, a agonizante feliz sor­riu e expirou.

São Felipe Neri era também devotíssimo das al­mas, e, cheio de caridade, nunca deixou de socorrê-las em toda sua vida. Muitas vezes lhe apareceram para lhe testemunhar uma gratidão profunda. De­pois da morte do Santo, um dos seus confrades o viu na glória do céu, cercado de uma multidão de bem-aventurados no esplendor da glória eterna.

— Que corte é esta que vos cerca? Pergunta o Padre.

— São as almas que livrei do purgatório e que salvei. Vieram me acompanhar na glória.

Um dia Santa Brígida, numa visão que teve do purgatório, ouviu a voz de um Anjo que descia do céu para consolar as almas e repetia:

— Bendito seja aquele que ainda na terra en­quanto vivo, ajuda as almas do purgatório com suas orações e boas obras! A justiça de Deus exige que necessariamente as almas sejam purificadas pelo fo­go e as obras boas dos amigos das almas as podem livrar do sofrimento.

Dos abismos a Santa ouviu também esta súplica: “Ó Cristo Jesus, nosso Juiz justíssimo, em nome da vossa misericórdia infinita não olheis as nossas faltas que são inumeráveis, mas os méritos do vosso Preciosíssimo Sangue na Paixão! Senhor, fazei que os eclesiásticos, religiosos e prelados, com um senti­mento de caridade que vós lhe dareis, venham nos socorrer em nossa triste situação por suas orações, esmolas e indulgências, que eles nos tirem de nossa triste situação”.

Outras vozes respondiam agradecidas: Graças, mil graças, Senhor, a todos os que nos aliviam em nossas desgraças. Senhor, que o vosso poder pague o cêntuplo aos nossos benfeitores que nos levaram a vossa eterna e divina luz.

Era a voz da gratidão do purgatório.

Na morte e depois da morte seremos recompen­sados pelo que tivermos feito em sufrágio das bendi­tas almas do purgatório.

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Fonte:
Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!
30 meditações e exemplos sobre o Purgatório e as Almas, por Monsenhor Ascânio Brandão

Livro de 1948 - 243 pags, Casa da U.P.C. Pouso Alegre


2º de Novembro. O dia dos mortos

                      


                                                         Finados
      É o dia dos fiéis defuntos em toda Igreja. Uma lembrança dos que já passaram e dormem o sono da paz. Qui dormiunt in somno pacis.
Toda a Liturgia recorda o dogma do purgatório e pede-nos orações pelos nossos mortos. A Igreja se cobre de luto e os sacerdotes podem, neste dia, cele­brar três vezes o Santo Sacrifício. As multidões afluem aos cemitérios. É a lembrança de nossos mor­tos despertada. Avivam-se as saudades. Finados! Dia dos mortos! Lembramo-nos deles apenas com al­gumas flores e umas lágrimas que com o tempo se vão estancando, ou procuramos sufragar-lhes as po­bres almas que talvez ainda estejam sofrendo no pur­gatório? Este dia nos foi dado pela Igreja, não para as pompas e manifestações de um sentimentalismo estéril, mas para sufrágio dos mortos. Como se es­quecem disto muitos cristãos! Multidões que enchem os cemitérios, sorrindo e até brincando muita vez, sem orações, sem um pensamento sobrenatural dos mortos! Santifiquemos este dia. Seja, sim, o dia da nossa saudade, mas principalmente seja o do nosso sufrágio.
A Igreja, nossa Mãe, neste dia abre-nos os te­souros das suas indulgências em favor dos mortos. Permite a celebração das três Santas Missas desde a Constituição Apostólica de 15 de Agosto de 1915, de Bento XV. Duas Missas pertencem: uma aos fiéis defuntos em geral e outra nas intenções do Sumo Pontífice. Concede uma grande indulgência, seme­lhante à da Porciúncula, em favor dos defuntos. Aos que visitarem uma igreja ou oratório público ou semi-público, indulgência plenária cada vez aos que en­trarem na igreja e rezarem seis Padre-Nossos e seis Ave-Marias nas intenções do Sumo Pontífice, con­tanto que tenham se confessado e recebido a Santa Comunhão. (P. P. O. 544.)
Que tesouro de indulgência em favor das pobres almas! Mais ainda, todas as Santas Missas celebra­das no dia de finados pelos mortos, e durante a oi­tava gozam do altar privilegiado. A visita ao cemi­tério também neste dia tem uma indulgência plená­ria. Porque nos abre assim a Igreja estes tesouros? Para nos estimular a devoção aos mortos e o zelo pelo sufrágio das almas.
Tudo no Ofício Divino deste dia nos fala da mi­séria humana, pelas lamentações dolorosas de Jó, e repetem gemidos que parecem vir das profundezas do abismo: Miseremini mei! miseremini mei! Saltem-vos amici mei quia manus Domini tetigit me! Tende pie­dade de mim, tende piedade de mim, pelo menos vós que sois meus amigos, porque a mão de Deus me fe­riu. Sim, a mão da Justiça de Deus feriu as pobres almas para santificá-las, purificá-las e torná-las dig­nas do céu.
Com a Igreja, nossa Mãe vestida de luto, vamos chorar nossos mortos, e, rezando por eles, reafirmar nossa fé na imortalidade de nossa alma e na ressur­reição da carne. Digamos de coração: Requiem aeternam dona eis Domine, et lux perpetua Iuceat eis. Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno, e brilhe para elas a luz perpétua!

Origem do dia dos mortos
A oração pelos mortos é tão antiga como a Igre­ja, ou como está já provado, tão antiga como o Antigo Testamento, pois quem não se recorda da oração e dos sacrifícios ordenados por Judas Macabeus e a expressão: é útil e salutar orar pelos mortos? Sempre na Igreja se fizeram preces e foi oferecido o Augus­tíssimo Sacrifício dos Altares pelo alívio dos mortos. Todavia, não existiu sempre um dia especialmente dedicado aos sufrágios e à lembrança piedosa dos fiéis defuntos. A comemoração dos fiéis defuntos de 2 de Novembro vem do tempo de Santo Odilon, célebre aba­de de Cluny de 994 a 1049. Antes deste grande Santo, já muitos mosteiros tinham um dia especialmente consagrado ao sufrágio dos monges falecidos, segun­do se depreende dos martirológios e necrológios. Eram comemorações reservadas apenas ao Mosteiro, em caráter particular. A iniciativa de Santo Odilon con­sistiu em estender a todos os fiéis defuntos os bene­fícios e sufrágios destas comemorações particulares e reservadas só aos monges de determinados mos­teiros.
Segundo o monge Jotsald na obra “De vita et virtutibus sancti Odilonis abbatis”, houve um fato extraordinário que determinou esta comemoração ge­ral. Um peregrino de Rodez, que conhecia muito bem as virtudes e os trabalhos de Santo Odilon, na volta de uma peregrinação a Jerusalém, naufragou e foi dar numa ilha deserta. Lá teve umas visões miste­riosas de grandes incêndios, e ouvia gritos e gemidos de pobres almas do purgatório que diziam: “Somos aliviadas pelas orações e pela caridade do servo de Deus Odilon e pelos monges de Gluny”. O peregrino logo que se viu salvo, procurou o Mosteiro de Cluny e contou o que ouvira. Donde a origem da comemora­ção dos mortos, pois Santo Odilon daí por diante tra­balhou para estendê-la a toda a Igreja. No século XI já era conhecida e praticada em toda Igreja do Oci­dente. Com o tempo foi se tornando mais solene, até que nos últimos anos obteve os ricos tesouros de indulgências e missas de que já falamos.
Na vida de Santo Odilon, tirada das Acta Sanc­torum ordinis Sancti Benediciti, se encontra o decre­to da Instituição da Comemoração dos Mortos. Ei-lo: “Pelo nosso beato Pai Dom Odilom e consentimento e súplica de todos os padres de Cluny, foi decreta­do: “Como nas igrejas de Deus que se erguem em todo o orbe terrestre se celebra no dia das kalendas de Novembro a festa de Todos os Santos, assim en­tre nós se fará, segundo o costume das festas, come­moração de todos os fiéis defuntos que viveram desde o começo do mundo até o fim, de tal maneira: no mesmo dia acima dito, depois do Capítulo farão es­mola de pão e vinho a todos os pobres que aparecerem como é costume fazer na ceia do Senhor. Neste mes­mo dia, depois da assembleia das Vésperas, soarão todos os sinos e se cantarão as Vésperas pelos defun­tos. No dia seguinte, depois de Matinas, tocarão de novo todos os sinos e se fará o ofício pelos defun­tos, etc”. E desde então começou, até ser hoje o que vemos, a solenidade da Comemoração dos fiéis de­funtos.

Resoluções
Façamos o propósito de guardar bem as lições deste dia, gravadas em nossa alma.
A lembrança dos mortos há de ser embalsamada pelo perfume da oração e a caridade do sufrágio. Seja o Dia de Finados o dia da nossa grande dedicação para com os mortos. Ouvir a Santa Missa, receber a Santa Comunhão e visitar o cemitério, se possível. Podemos carinhosamente adornar de flores os túmu­los queridos. Todavia, que estas flores simbolizem a nossa oração e venham depois ou juntas com nossos sufrágios. Flores e lágrimas sentimentais e estéreis, nada aproveitam aos mortos, já o dissemos e repeti­mos. Não se deixe o essencial pelo acessório. O útil pelo supérfluo. Vamos ao cemitério sem vaidades e com espírito de fé. Lá procedamos como verdadeiros cristãos, com todo respeito. Meditemos seriamente em nosso destino eterno. Digamos como São Camilo de Lellis: “Ó, si estes que aqui estão nos túmulos pudessem voltar, como haviam de ser santos e tra­balharem pela sua salvação! Estes já foram e eu tam­bém irei um dia! Mais tarde me visitarão também num cemitério!”.
Estou preparado? A morte virá quando eu menos pensar. Meu Deus! Tende piedade daqueles que tal­vez estejam sofrendo no purgatório por minha causa!
Enfim, quanta reflexão grave e decisiva não po­de nos vir num cemitério!
São Silvestre, abade, se converteu e se santificou à vista do cadáver em corrupção, cadáver de um grande amigo que viu ele num túmulo aberto, em estado lamentável de corrupção. A oração do Santo no Breviário, lembra esta passagem quando assim reza; “Ó clementíssimo Deus, que vos dignastes chamar à solidão o santo abade Silvestre, quando ele meditava piedosamente sobre a vaidade deste mundo, em um túmulo aberto, assim como o ornastes com os méritos de uma vida ilustre, humildemente vos su­plicamos que imitando o seu exemplo, desprezemos os bens terrenos a fim de gozarmos eternamente a vossa companhia”.
É o que precisamos fazer no dia dos mortos: contemplar os túmulos e procurar a solidão de uma meditação grave. Pensarmos em nossa vida futura. Não é mister que se abram os túmulos e presencie­mos, como São Silvestre, o espetáculo horrível da cor­rupção a que havemos de chegar um dia. Sobre os túmulos fechados há muito que meditar, há muita lição que aprender num cemitério! Tomemos a reso­lução, pois, repito, de visitarmos os mortos para apren­dermos a viver. Façamos do dia de finados o dia da nossa grande e generosa caridade para com os fiéis defuntos.

Exemplo
O livreiro de Colônia
Guilherme Freyssen foi um célebre livreiro de Colônia, do qual se contam duas graças extraordiná­rias alcançadas pela devoção às santas almas do pur­gatório. Ele havia narrado estas graças numa car­ta escrita no ano de 1649 ao Revmo. Pe. Tiago de Monfort, da Companhia de Jesus. Eis a carta:
“Meu Padre, eu vos escrevo esta para vos con­tar a dupla cura de minha mulher e de meu filho. Durante os dias feriados em que fechei minha livraria e tipografia, fiquei recolhido em casa e tomei um livro bom e piedoso, para leitura. Eram os originais de uma obra que ia imprimir sobre as almas do purgatório. Estava ocupado nesta leitura, quando me vieram dizer que meu filho estava com os sintomas de uma doença muito grave. A doença progrediu ra­pidamente e a criança estava em perigo sério de vida. Os médicos não deram mais esperanças. Já se pensa­va mesmo nos funerais. Nesta grande aflição e vendo baldados todos os recursos humanos, resolvo fazer um pedido ao Senhor pelas almas do purgatório e fiz uma promessa: distribuiria gratuitamente cem exemplares do livro que tratava do purgatório e recomendava a devoção às santas almas. Uma grande espe­rança encheu meu coração. Entrei logo no quarto do filho e o encontrei muito melhor. No dia seguinte, contra toda expectativa, o menino estava completa­mente curado e restabelecido. Cumpri meu voto. Fiz logo propaganda da obra. Passaram-se três semanas e uma doença grave veio atingir minha mulher. Tre­mia ela por todo corpo e se atirava ao chão, em con­vulsões, até ficar sem sentidos. Chegou a perder o uso da palavra. Empregaram-se todos os meios pos­síveis para salvá-la, mas tudo inutilmente. O confes­sor que a assistia só tinha palavras de consolo. Quan­to a mim, não perdi a esperança. Tinha grande confiança nas benditas almas do purgatório. Voltei à igre­ja e prometi distribuir, desta vez, duzentos exemplares do livro a fim de conquistar muitas almas para a devoção às santas almas. Mal saía da Igreja quando os criados me vieram dar a notícia feliz de que minha mulher estava bem melhor. E assim era. Encontrei minha mulher mais bem disposta, e poucos dias depois estava perfeitamente curada. Fui fiel em dar os livros prometidos e sempre fui muito grato às almas do purgatório.”. (Hautin, Puteus defunctorum Lib. I - C. V. Art. 3.).

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Fonte:
Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!
30 meditações e exemplos sobre o Purgatório e as Almas, por Monsenhor Ascânio Brandão
Livro de 1948 - 243 pags, Casa da U.P.C. Pouso Alegre

Academia da Congregação Maria de Nossa Senhora Auxiliador e de São José

São José Mestre da Vida Interior
            Não é difícil de se ouvir a afirmação que São José, porque exerceu a sua profissão de carpinteiro em Nazaré para sustentar a sua família, tenha exercido consequentemente uma atividade exterior e por isso tenha tido pouco tempo para as atividades interiores.
Toda a vida de São José em contato com Jesus e Maria era portanto pautada pela contemplação do mistério do Filho de Deus em sua casa, na qual palpitava de amor o coração de seu Filho, sempre em perfeita harmonia com os afetos de sua vontade humana e com o seu amor divino, quando em contato com sua mãe Maria na pequena casa de Nazaré, e com seu pai putativo José, ao qual obedecia ajudando-lhe como fiel colaborador, no trabalho da carpintaria, como afirmou  Pio XII, em sua encíclica Haurietes Aquas, em maio de 1955.
No desenrolar desta sua vida contemplativa, como afirmou São Bernardo, “o Senhor encontrou José segundo o seu coração e lhe confiou com plena segurança o mais misterioso e sagrado segredo de seu coração. Para ele revelou a obscuridade e os segredos de sua sabedoria, possibilitando-lhe de conhecer o mistério desconhecido por todos...” (Hom Super Missus: Pl 183,70).
Portanto, se alguém duvida que em São José não houve a dimensão contemplativa, podemos afirmar que o amor que ele vivenciou e participou juntamente com Jesus e Maria, assegurou-lhe a união entre a sua vida contemplativa e ativa.
O amor de São José para Jesus era puro amor de contemplação desta verdade divina (Jesus) que se irradiava da própria humanidade de Jesus; era ao mesmo tempo, puro amor a serviço à própria humanidade de Jesus. Com esta preocupação e dedicação para amar e servir a Jesus, José procurou a amar e a ser amado com todas as suas forças e assim chegou ao cume supremo do amor, sendo que não se pode exprimi-lo de outro modo, senão concluindo que depois de Maria, José amou como José.
Encontramos em São José uma vida num clima de silêncio que acompanhava os acontecimentos de sua vida, e que lhe dava o seu perfil interior. Os evangelhos falam que José “fez”, mas este fazer é envolvido num profundo clima de contemplação. A contemplação é definida como a ciência do amor (São João da Cruz), é aquela atitude de alguém que se ilumina do amor de Deus ao considerar a sua beleza; é algo que faz com que a verdade divina não só seja vista, mas amada (Santo Tomás).
São João de Catagena citando a frase de Provérbios 6,27: “Pode alguém carregar o fogo sem queimar a própria roupa? afirma igualmente que “José trazia em seu peito o fogo, isto é, Cristo, aliás, infinitas vezes o tocou com suas mãos, trocou suas roupas, vestiu-o abraçou-o, beijou-o e certamente ardia em si de modo fortíssimo a chama do seu amor” (J.Vives, Summa Josephina, Romae, 1907, nº.  673-675).
Por isso José superou todos os santos na vida contemplativa em vista de ser tocado profundamente durante a sua missão pelo exemplo de Cristo e de Maria. É por causa desta sua profunda vida interior alimentada pelo amor. Na verdade, São José experimentou o puro amor de contemplação da verdade divina que irradiava da humanidade de Cristo com o qual ele convivia, assim como também experimentou a exigência do amor, ou seja, o amor de serviço requerido aos cuidados de Jesus.
Termino com a consagração da nossa vida e família ao glorioso patriarca São José, retirado de nosso “Manual do congregado mariano”, página 276, 10ª edição de 1948.

                                                  CONSAGRAÇÃO
Ó Glorioso Patriarca São José, que por Deus fostes estabelecido para a cabeça e guarda da mais santa entre as famílias, dignai-vos lá do céu ser também a cabeça e guarda desta, que aqui está prostrada diante de vós e pede que recebais sob o manto do vosso patrocínio. Nós desde este momento vos escolhemos para Pai, protetor, conselheiro, guia e padroeiro e colocamos debaixo da vossa guarda especial a nossa alma, corpo e bens, tudo o que temos e somos, e vida e a morte.
Olhai-nos como vossos filhos e coisa vossa. Defendei-nos de todos os perigos, de todos os ardis e de todos os enganos dos nossos inimigos visíveis e invisíveis. Assisti-nos em todos os tempos, em todas as necessidades, consolai-nos em todas as amarguras da vida, mas em especial na agonia da morte. Dizei em nosso favor uma palavra a aquele amável Redentor que em Menino trouxestes em vossos braços, àquela Virgem Gloriosa de quem fostes amantíssimo esposo. Ó alcançai-nos aquelas bênçãos que conheceis serem proveitosas ao nosso verdadeiro bem e eterna salvação. Numa palavra, ponde esta (Família ou Congregação) no número das que amais e ela procurará por meio de uma vida verdadeiramente cristã não se tornar indigna de vosso especial patrocínio. Amém 

Academia da Congregação Maria de Nossa Senhora Auxiliador e de São José

São José na Vida da Igreja
Se São José teve um relacionamento pessoal e direto com Cristo e com sua missão redentora, é evidente que também este deve estender-se para a Igreja que é o prolongamento de Cristo no mundo. Justamente por isso os bispos e superiores de várias ordens religiosas pediram além de um culto especial na liturgia, que também “o Santo ecumênico Sínodo Vaticano I decretasse que São José, ao qual Deus tinha confiado a guarda da Sagrada Família, fosse declarado Primeiro Patrono da Igreja depois da Virgem Santíssima” (Ci prien Macabiau – De cultu S. Josephi, Sponsi Virginis Mariae ac Christi Parentis amplificando Postulatum, Paris 1908 pg 3-15).
Na verdade este Concílio, devido às situações políticas, terminou abruptamente e não houve tempo para tratar deste pedido que fora firmado por 38 dos 42 cardeais presentes no Concílio, entre os quais, aquele que depois foi o papa Leão XIII e por 217 bispos. Mas aos 8 de dezembro de 1870 o Papa Pio IX com o Decreto Quemadmodum Deus proclamou São José como Patrono da Igreja Universal Católica.
Neste Decreto o Papa lembra a eleição de São José como guarda dos tesouros mais preciosos de Deus, Jesus e Maria, e que ele como pai abraçou e beijou com afeto paterno, e nutriu com especialíssima solicitude a Jesus e que por tal sublime dignidade que Deus concedeu-lhe, a Igreja lhe rende honras somente inferiores a Maria. Lembra que muitos prelados e fiéis tinham pedido de que fosse declarado Patrono da Igreja durante o Concílio Vaticano I e o papa quis atender o desejo dos solicitantes declarando-o solenemente Patrono da Igreja Católica (ASS 6 [1870] 193-194).
Alguns anos depois, Leão XIII, aquele que no Concílio Vaticano I tinha assinado a petição para a declaração do patrocínio de São José na Igreja, publicou a Encíclica Quamquam Pluries, em 15 de agosto de 1889. Nela ele diz:
“São José é com título próprio, Patrono da Igreja, a qual dele espera muitíssimo a defesa e o patrocínio, porque ele foi o esposo de Maria e pai, como era tido, de Jesus Cristo. Disso lhe advém dignidade e graça, santidade e glória... A casa divina, a qual São José preside com pátria potestade, contém o germe da incipiente Igreja. A Virgem Santíssima enquanto mãe de Cristo, é também mãe de todos os cristãos, porque os gerou sobre o Calvário entre as dores do Redentor; e Jesus é irmão como o primogênito de  todos os cristãos, por adoção e redenção. Em tudo isso devemos ver a causa pela qual, com título singular, ao beatíssimo Patriarca é confiada a multidão da qual é composta a Igreja, o que quer dizer, esta família inumerável e presente em todo o mundo, sobre a qual, por ser ele esposo de Maria e pai de Cristo, exercita uma autoridade em certo sentido paterna. É portanto justo e muito conveniente para a dignidade de São José que como em tempos passados considerou sua função de defender santamente a família de Nazaré em todas as suas necessidades, que agora proteja a Igreja de Cristo com seu celeste patrocínio”. (ASS 22 [1889] 67).
Fundamentando-se nos documentos pontifícios é evidente que a maior razão para o Patrocínio de São José é devido ao fato de que ele foi o pai e Jesus aqui na terra e portanto é também o pai da Igreja, seu Patrono e Protetor, porque a Igreja é o corpo de Cristo, inseparável dele. Portanto, Leão XIII ao colocar o seu pontificado ao patrocínio de São José, não teve intenção simplesmente de dar-lhe uma honra, mas fazer um reconhecimento por aquilo que ele é.
São José não é simplesmente Patrono da Igreja, mas também de cada fiel; de fato, o papa no seu Decreto ensina que a sua proteção é para todos os fiéis. Isto ele exprimiu muito bem de outra forma na oração que compôs para que fosse rezada no mês de outubro depois da reza do terço, com estas palavras: “Protegei cada um de nós com vosso constante patrocínio, a fim de que ao vosso exemplo e sustentados pelo vosso auxílio possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no céu a eterna bem-aventurança” (ASS 22 [1889] 117-118).
Em decorrência disso, assim como chamamos Maria “Nossa mãe Celeste”, devemos também chamar São José “nosso pai”, como fazia Santa Tereza de Jesus que o chamava: “Meu pai e senhor São José”.
Em vista disso, o Papa Pio XI numa mensagem aos casais aos 19 de março de 1938, intercede a São José para que “com a sua paterna providência e com a sua intercessão onipotente, seja de ajuda  a vós e às vossas famílias”. Um exemplo de confiança no poder de intercessão de São José é-nos dado por Santa Tereza de Jesus quando afirma: “Parece que o Senhor tenha dado aos outros santos a graça de socorrer-nos em qualquer necessidade particular, mas o glorioso São José, sei por experiência que nos socorre em todas...”
A liturgia reconhece de modo claro a função de protetor que São José exercitou na história da salvação, "a cuja primorosa custódia Deus quis confiar os inícios de nossa redenção", e considera tal proteção em relação a Cristo, pois "o colocou como chefe de tua família para guardar como pai o que o único filho", e também em relação à igreja, sobre a qual é invocado o seu patrocínio e: “continueis do céu a sua primorosa custódia para a Santa igreja que o venera como protetor" (Missal Romano).
Os ensinamentos dos Sumos Pontífices a este respeito se fundamentam em suas próprias convicções em recomendarem para toda a Igreja o Patrocínio de São José. Basta lembrar que o papa Pio IX proclamou São José Patrono da Igreja Universal, mas antes disso, no ano seguinte à sua eleição ao pontificado, ou seja, no dia 10 de setembro de 1847, através do decreto Urbis et Orbis, tinha estendido a festa do Patrocínio para toda a igreja, tornando-a festa de preceito.
O Patrocínio de São José sobre a Igreja universal foi proclamado aos 8 de dezembro de 1870 pelo mesmo pontífice por meio da Sagrada Congregação dos Ritos com o Decreto “Quemadmodum Deus”. Trata-se de um Decreto que no dizer do papa João XXIII, “abriu um veio de riquíssimas e preciosas inspirações aos sucessores do nosso Pio”.
O Decreto e evidencia a dignidade única de São José "constituído por Deus Senhor e Príncipe de sua casa e de sua possessão e escolhido como guarda dos divinos tesouros ". Sendo que São José é o segundo em dignidade depois da Virgem, e sendo honrado por Deus de modo excepcional, era lógico que a Igreja recorresse a ele em suas dificuldades, entre os erros no campo filosófico, religioso, moral e social, que andavam concomitantemente com as turbulências políticas condenadas depois de alguns anos com o a Encíclica "Quanta cura" e depois na célebre lista das 80 proposições errôneas, denominada " Syllabus" de 1864.
A conflitiva situação daquele tempo persuadiu o papa Pio IX a  "colocar a si próprio e a todos os fiéis sob o potentíssimo patrocínio do Santo patriarca José", pedindo de fazê-lo aos bispos do mundo católico em seus nomes e também em nome do "Sagrado Ecumênico Concílio Vaticano".
Aos 15 de agosto de 1889, Leão XIII publicou a Encíclica “Quamquam Pluries”, também esta levada pelas circunstâncias difíceis que estava atravessando a igreja durante o seu pontificado. A exortação Apostólica de S. João Paulo II, que estamos tratando, justamente lembra o centenário desta Encíclica leonina.  Mereceria também neste contexto lembrar o Motu Proprio "Bonum Sane" de  Benedito XV lançado aos 25 de julho de 1920 por ocasião do 50º aniversário da proclamação do Patrocínio de São José assim como as freqüentes intervenções de Pio XI  e depois de Pio XII que repropuseram São José como Patrono e modelo dos operários (11 de março 1945), assim como do papa Paulo VI.
O papa S. João Paulo II acrescenta a estas considerações que nós ainda hoje temos motivos suficientes para recomendar a São José cada homem.  Afirma ainda que o seu patrocínio "é necessário ainda para a igreja não somente para a defesa contra os perigos, mas também e sobretudo para confortá-la no seu renovado empenho de evangelização no mundo e de reevangelização naquelas nações, onde a religião e a vida cristã são colocadas a duras provas".

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Devoção á Sagrada Família contra a Ideologia de genêro.
“... Com o florescimento da devoção dos fiéis a São José, aumentará ao mesmo tempo, como necessária consequência, o culto à Sagrada Família de Nazaré, da qual ele foi o augusto chefe, brotando estas duas devoções uma da outra espontaneamente, dado que por São José nós vamos diretamente a Maria, e por Maria à fonte de toda santidade, Jesus Cristo, o qual consagrou as virtudes domésticas com a sua obediência para com São José e Maria. Nestes maravilhosos exemplos de virtude, Nós, pois, desejamos que as famílias cristãs se inspirem e completamente se renovem. E assim, dado que a família é o sustentáculo e a base da sociedade humana, fortalecendo a sociedade doméstica com a proteção da santa pureza, da fidelidade e da concórdia, com isso realmente um novo vigor, e diremos ainda, quase um novo sangue, circulará pelas veias da sociedade humana, que assim virá a ser vivificada pelas virtudes restauradoras de Jesus Cristo, e delas seguirá um alegre reflorescimento, não só dos costumes particulares, mas também das instituições públicas e privadas. Nós, portanto, cheios de confiança no patrocínio Daquele à cuja próvida vigilância Deus agradou-se em confiar a guarda de seu Unigênito encarnado e da Virgem Santíssima, vivamente exortamos todos os Bispos do mundo católico, a fim de que, em tempos tão borrascosos para a Igreja, solicitem aos fiéis que implorem com maior empenho o válido auxílio de São José...” (Bonus Sane, Carta Encíclica de S.S. o Papa Bento XV (Motu Próprio), 25 de julho de 1920). 
Palavras essas de Sua Santidade o Papa Bento XV, em 1920, nos parece saída hoje para enfrentar a filha do comunismo, a ideologia de gênero, desgraça atual tão nefasta para a nossa sociedade, que quer virar as costa para Nosso Senhor, negando como que o seu “Reinado pessoal” em nossos corpos e almas, templos do Espirito Santo e se rebelar contra a natureza humana, criada e desejada por Deus, pois o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, porque a alma humana é espiritual e racional, livre na sua ação, capaz de conhecer e de amar a Deus, e de gozá-Lo eternamente, perfeições que refletem em nó sum raio da infinita grandeza de Deus na tentativa de alcançar aquilo que a Revolução Francesa não conseguiu, banir o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo, de nossas almas o Amor a Deus e nossa vocação primaria, de sermos Homens e Mulheres, transmitir aos nossos filhos pela Indissolúvel sacramento do matrimônio,  a fé católica. Querendo enganar que não exista a o homem natural e a mulher natural, para ai introduzir a rebelião contra Deus.

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A Castidade entre S. José e Maria Santíssima.
É comum apreciarmos a cena do casamento de José com Maria, muito errada, onde ele é representado como um velho, fruto da invenção dos apócrifos em faze-lo um esposo decrépito de Maria, a fim de eximi-lo de qualquer que fosse a responsabilidade na concepção virginal de Maria. Esta ideia foi bem acolhida especialmente por nível popular na arte, na escultura, no teatro religioso, etc., sempre apresentando-o velho, careca ou com poucos cabelos brancos, numa atitude que representava mais um servo de Maria do que seu digno esposo.
Temos que recordar que Nosso Senhor é o Primogênito do gênero humano, até mesmo na ovulação de Nossa Senhora, teve sua primeira menstruação e logo veio a encarnação.
Uma reação a esta concepção errada e injusta só chegou com Gerson (1363-1429), o qual passou a exaltar a grande missão de José como esposo de Maria semelhante a ela nos dons e virtudes (L.Martin Gonzáles, Iconografia de São José, sus fuentes – Estudios Josefinos, 26 [1972] pg 203-212).
Naturalmente as razões para negar uma idade avançada a José, como esposo a partir de então, foram que se ele fosse muito velho seria um homem incapaz de gerar filhos, e de defender Maria de eventuais calunias de adultério e nem Jesus de ser um filho adulterino.
Além disso, não poderia desenvolver suas funções de pai nas diversas circunstâncias como a viagem de Nazaré a Belém e depois ao Egito com o retorno para Nazaré, e que teria dificuldade de prover as necessidades naturais para Jesus e Maria, pois teria suas forças físicas debilitadas.
Face a isso, segundo o conhecimento e as fontes de que hoje dispomos, e que os antigos escritores não tinham, é consenso comum atribuir a José aquela idade que era própria para um jovem hebreu casar-se, ou seja, entre os 18 a 25 anos (H.Haag, Diccionario de la Biblia, 1963 – voz matrimonio, col 1199).

4. A educação religiosa de S. José
A paternidade de São José foi, um dom de Deus e por isso ela foi dotada do que é essencial para qualquer paternidade dando-lhe plenamente a consciência de seus direitos e deveres. José foi depois de Maria, o primeiro adorador de Jesus, Filho de Deus; ele o circuncidou, apresentou-o no Templo, conduziu-o com cuidado e carinho juntamente com Maria para o Egito e depois os trouxe de volta para Nazaré. Ele depois providenciará laboriosamente com seu trabalho o sustento de Jesus e Maria.
Como muito bem afirmou Santo Tomás, o matrimônio de José com Maria e sua consequente paternidade, foram em vista da educação de Jesus, e neste sentido José exercitou os seus deveres, dentre os quais um dos mais importantes aquele da educação religiosa de Jesus, que segundo os costumes ele ensinou a Jesus desde as tradições nacionais, as quais em grande parte eram de natureza religiosa, assim como as prescrições dadas aos antepassados (Ex 10,2).
Fazia também parte desta educação religiosa o ensinamento dos textos literários (2Sam 1,18), ensinamentos este que Jesus recebeu particularmente na escola sinagogal. Claro que a mãe também tinha sua responsabilidade na educação dos filhos, tais como os elementos de instruções moral (Prov 1,8; 6,20), e por isso Maria foi juntamente com seu esposo a dedicada educadora de Jesus.
Não faltavam ainda na instrução religiosa a história da libertação do povo da escravidão e as grandes linhas da história da salvação, assim como os salmos, os ensinamentos dos profetas, etc. De tudo isso José foi um fiel executor. Portanto no processo educativo de Jesus, toda a sua vida foi impregnada dos exemplos e dos ensinamentos de José, assim como da educação profissional. É importante lembrar que os artistas também exprimiram este aspecto de José educador apresentando-o algumas vezes ao lado de Jesus diante de um livro instruindo-o.
O título mais comum que os teólogos encontraram para designar a paternidade de São José é "pai putativo", baseando-se em Lucas 3, 23: "Ao iniciar o ministério, Jesus tinha uns trinta anos, filho, segundo se pensava de José..." Esse título também diz pouco. Serve somente para afirmar que os habitantes de Nazaré acreditavam que ele era o pai, sem que ele o fosse, o que pode fazer com que também nós acreditemos sem que ele o seja.
Não encontrando uma palavra que possa expressar perfeitamente essa paternidade especial, o melhor seria continuar chamando São José simplesmente de "pai de Jesus", como a Sagrada Escritura sempre o chamou, não acrescentando nenhum adjetivo especial a esse título.

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O Nome a Jesus e os Sonhos de José
“Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que se chamará Emanuel (Is 7,14), que significa: Deus conosco. Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa. E, sem que ele a tivesse conhecido, ela deu à luz o seu filho, que recebeu o nome de Jesus” (Mt 1,21-25)
Sabemos que para o povo bíblico o nome designa a própria natureza do ser, as suas qualidades e a missão da pessoa. No livro do Gênesis (17,5) Javé trocou o nome de Abrão para Abraão porque o tornou pai de uma multidão.
Dar o nome ao filho é um direito inerente à missão dos pais, pois estes exercitam a autoridade sobre eles, e de certo modo designam a personalidade deles. De fato, Abraão deu o nome aos seus filhos Israel (Gn 16,15;); Isac (Gen 17,19); Raquel ao filho José (Gn 30,22-24); Ana ao Filho Samuel (1 Sam 1,20); Zacarias a João (Lc 1,55-64).
Na verdade, nesta ótica bíblica, José ao impor o nome a Jesus, o introduziu na descendência davídica com a sua consequente messianidade, assim como assumiu sobre ele os direitos de pai.
De fato, São João Crisóstomo coloca na boca do anjo do anúncio a José, estas palavras:
“Sem bem que tu, José, não tens nada a ver com a geração... te confiro igualmente aquilo que é próprio de um pai, impor-lhe o nome; te confio Jesus para que sejas aqui na terra o seu pai” (In Matthaeum homilia IV: MG 57,46-47).
Os sonhos estão presentes na história dos Patriarcas, tais como: Abraão (Gn 15,.12); Jacó (Gn 31,10-18); José (37,5-10), etc. No NT são apresentadas situações de visões mas que no contexto parecem sugerir sonhos (At 16,9; 27,23; 18,9; 23,11), além daquelas referências de Mateus, onde se descreve a vocação de José (1,18-25), A fuga para o Egito (2,13-15), A volta do Egito (2,19-23), etc.
            Ligado aos sonhos de José estão os anjos, os mensageiros de Deus. São várias as passagens do NT que fazem referências aos anjos (Lc 1,11; 2,9; At 5,19; 8,26; 12,7.23; 22,43; Mt 4,11 etc.).
O beato Paulo VI evidencia neste fato, São José como modelo de escuta da vontade de Deus, onde por “três vezes no evangelho, se fala de colóquios de um anjo com José durante o sono. O que quer dizer isso? Significa que José era guiado, aconselhado no íntimo, pelo mensageiro celeste. Havia uma ordem da vontade de Deus que se antepunha às ações e portanto o seu comportamento normal era movido por um arcano diálogo do que fazer: José, não temas; não faças isso; partas, voltes!
Vemos (nele) uma estupenda docilidade, uma prontidão excepcional de obediência e de execução. Ele não discute, não hesita, não reivindica direitos ou aspirações. Lança-se na execução da palavra que lhe foi dirigida” (Homilia 19/3/1968).
Portanto, José regulou a sua vida como a sua consciência, iluminada pelo o que o Espírito de Deus lhe ditava. Ele comporta-se conforme as inspirações que lhe vinham do alto. Como conclusão pode-se dizer que os sonhos de São José conforme nos apresenta o evangelista Mateus, podem ser considerados como um meio de revelação divina. Eles podem ser considerados evidentes inspirações divinas que o guiava para o desenvolvimento de sua responsabilidade de pai legal de Jesus.
Os sonhos de José narrados por Mateus evidenciam este fato, pois estes referem-se aos “mistérios” da vida de Jesus, ou seja, nascimento, permanecia no Egito e residência em Nazaré, mistérios estes, dos quais São José foi indispensável “ministro”.
De fato, nos episódios de sua vocação (Mt 1,18-25), José resolve suas dúvidas diante da maternidade de Maria, quando o anjo o coloca junto a ela para assegurar a messianidade de Jesus através da descendência davídica e depois para dar-lhe o nome. Da mesma forma, a permanência no Egito é para salvar a vida física de Jesus ameaçada por Herodes, mas dentro do “mistério” é a redenção da humanidade operada naquela região de antiga escravidão através do Filho e do intervento do Pai: “do Egito chamei o meu Filho” (Mt 2,15).
Este sentido de disponibilidade e de obediência de José é lembrado por são João Paulo II propondo-o como modelo para toda a Igreja... “Logo no princípio da Redenção humana, nós encontramos o modelo da obediência encarnado, depois de Maria, precisamente em José, aquele que se distingue pela execução fiel das ordens de Deus” (RC 30).

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1. São José operário
 Papa Leão XIII com a Encíclica Quamquam Pluries (1889) exprime um sentimento paterno para os trabalhadores preocupando-se com a situação deles. O ponto de referência é o mistério da encarnação, que coloca em realce a dignidade do trabalho através de São José. “Os proletários, os operários e quantos são desafortunados... devem recorrer a São José e dele tomarem a sua imitação. Ele, se bem que da estirpe real, unido em matrimônio com a mais santa e excelsa entre as mulheres, e pai putativo do Filho de Deus, passou a sua vida no trabalho... O trabalho operário, longe de ser desonra...”. Da mesma forma, a Encíclica Rerum Novarum (1891), também de Leão XIII, afirma que Jesus “Embora sendo filho de Deus e Deus ele próprio, quis ser visto e considerado Filho do carpinteiro, e não negou de transcorrer uma grande parte da sua vida no trabalho manual”.
A Exortação Apostólica Redemptoris Custos (nº 22) evidencia claramente a missão de São José quando afirma que “Graças ao seu banco de trabalho, junto do qual exercitava o próprio ofício juntamente com Jesus, José aproximou José aproximou o trabalho humano ao mistério da redenção”.
A Encíclica Laborem Exercens de João Paulo II, Jesus dedicou a maior parte dos anos de sua vida sobre a terra ao trabalho manual, junto a um banco de carpinteiro (nº 6). Neste sentido “São José tem uma grande importância para Jesus, se verdadeiramente o Filho de Deus feito homem o escolheu para revestir a si mesmo de sua aparente filiação... Jesus o Cristo, quis assumir a sua qualificação humana e social deste operário (Paulo VI – Alocução 19/3/1964). Jesus “não se serviu das realidades humanas apenas para manifestar-se, mas uniu-se a elas para santificá-las com sua humanidade” (S Th, III q.8,a.1). Porque o trabalho constitui uma dimensão fundamental da existência humana, Jesus escolheu esta dimensão para qualificar o seu estado social.
Escolhendo de ser considerado Filho de José (Lc 3,23), Jesus herdou, como afirmamos, o título de Filho de Davi, mas contemporaneamente assumiu também o título de “Filho do Carpinteiro” (Mt 13,55), e na carpintaria de Nazaré trabalhou com mãos de homem (GS 22), santificando o trabalho.
Sendo que Jesus dividiu o seu trabalho com José na carpintaria, então nenhuma outra pessoa, depois de Maria, esteve tão próximo das mãos, da mente, da vontade e do coração de Jesus quanto José; por isso, Pio XII afirma que ele foi o Santo no qual penetrou grandemente o espírito do Evangelho.
Como sabemos, um carpinteiro, numa cidade pequena como Nazaré, naqueles tempos tinha diversas funções e não trabalhava somente com madeira, mas também com ferro (era ferreiro), preparava alicerces de casas, planejava e fazia valas para os mais diversos fins; quem sabe era até pedreiro... Era o Homem do Trabalho.
Após cumprir essa obrigação religiosa, retornava ao serviço: afinal, era com o suor do seu rosto, com a força de seus músculos e com os calos de suas mãos que tirava o sustento para si e para a sua família.
Portanto, competia ao povo lembrar e pôr em prática todos os mandamentos. Feito esse momento de oração, retomava-se novamente o trabalho, até o fim da jornada.
Assim, aquele pequeno recanto da casa pobre de Nazaré que acolheu por muitos anos as três personagens mais importantes que viveram na terra: Jesus, Maria e José. Nada ali se manifestava grandioso, portentoso ou extraordinário. José, era focado ao barulho da serra e do martelo, procurava dia após dia cadenciar tudo com suas orações e meditações. Animado por esse espírito, todos os seus trabalhos assumiam um significado profundo e imenso diante de Deus. Afinal, era ali, de maneira escondida, que se processava um grande mistério: um artesão pobre ensinava ao próprio Filho de Deus uma profissão e este lhe obedecia colocando em prática todos os seus ensinamentos.
Sua característica foi justamente o devotamente total de sua vida ao serviço da encarnação e da missão redentora do Filho de Deus, missão única e grandiosa. Por isso, foi enriquecido abundantemente com dons especiais por parte de Deus, e sua vida, iluminada por uma luz divina.
A Constituição dogmática Gaudium et spes afirma que o Onipotente artífice do universo verdadeiramente "trabalhou com mãos de homem", santificando diretamente o trabalho humano. José foi perante a Providência divina o necessário instrumento de tal redenção, dada justamente na sua própria carpintaria, através de uma missão que ele não somente a exercitou ao lado de Jesus, mas inclusive acima de Jesus, o qual lhe era submisso (Lc 2,51).

Eficaz contra o Comunismo.
“... Agora se faz necessário considerar uma outra causa de perturbação, muito mais profunda, que se aninha justamente no mais íntimo da sociedade humana: dado que o flagelo da guerra se abateu sobre as pessoas quando elas já estavam profundamente infectadas pelo naturalismo, isto é, por aquelas grande peste do século que, onde se enraíza, diminui o desejo dos bens celestes, apaga a chama da caridade divina e retira do homem a graça salvadora e elevadora de Cristo até que, tolhida dele a luz da fé e deixadas a ele as solitárias e corrompidas forças da natureza, o abandona à mercê das mais insanas paixões.
Por isto, devemos constatar com verdadeira dor que agora os costumes públicos são bem mais depravados e corrompidos que antes, e que portanto a assim chamada “questão social” foi-se agravando a tal ponto de suscitar a ameaça de irreparáveis ruínas.
De fato amadureceu nos desejos e nas expectativas de todos os sediciosos a chegada de uma certa república universal, a qual seria fundada sobre a igualdade absoluta entre os homens e sobre a comunhão dos bens, e na qual não haveria mais distinção alguma de nacionalidade, nem teria mais que reconhecer-se a autoridade do pai sobre os filhos, nem dos poderes públicos sobre os cidadãos, nem de Deus sobre os homens reunidos em sociedade civil
Agora, pelo mesmo motivo, ou seja, para recordar o dever aos nossos fiéis que estão em toda parte e ganham o pão com o trabalho, e para conservá-los imunes do contágio do socialismo, o inimigo mais implacável dos princípios cristãos, Nós, com grande solicitude, propomos a eles de modo particular São José, para que o sigam como guia e o honrem como celeste Patrono. Ele de fato levou uma vida similar a deles, tanto é verdade que Jesus bendito, enquanto era o Unigênito do Pai Eterno, quis ser chamado “o Filho do carpinteiro”. Mas aquela sua humilde e pobre condição, de quais e quantas virtudes excelsas Ele soube adornar! Ou seja, virtudes que deviam resplandecer no esposo de Maria Imaculada e no pai putativo de Jesus Cristo. Por isso, na escola de São José, aprendam todos a considerar as coisas presentes, que passam, à luz das futuras, que permanecem para sempre; e, consolando as inevitáveis dificuldades da condição humana com a esperança dos bens celestes, a estes aspirem com todas as forças, resignados à vontade divina, sobriamente vivendo segundo os ditames da piedade e da justiça. Ao que diz respeito especialmente aos operários, nos agrada relembrar aqui as palavras que proclamou em circunstância análoga o nosso predecessor de feliz memória Leão XIII, pois elas, ao nosso parecer, não poderiam ser mais oportunas: “Considerando estas coisas, os pobres, e quantos vivem com o fruto do trabalho, devem sentir-se animados por um sentimento superior de equidade, pois se a justiça permite-lhes elevar-se da indigência e de conseguir um melhor bem-estar, porém é proibido pela justiça e pela mesma razão de perturbar a ordem que foi constituída pela divina Providência. Aliás, é conselho insensato usar de violência e buscar melhorias através de revoltas e tumultos, os quais, na maioria das vezes, nada mais fazem que agravar ainda mais aquelas dificuldades que se desejam diminuir. Portanto, se os pobres querem agir sabiamente, não confiarão nas vãs promessas dos demagogos, mas sim no exemplo e no patrocínio de São José e na caridade materna da Igreja, a qual dia após dia tem por eles um zelo sempre maior” (Carta Encíclica “Quamquam pluries” )...”
(Bonus Sane, Carta Encíclica de S.S. o Papa Bento XV (Motu Proprio), 25 de julho de 1920

Palestra sobre S. José.


Alisson Oliveira. cm

São José
São Mateus o chama e define também: —O Justo. Joseph cum esset justas... José como era justo... Não simplesmente a virtude cardeal da justiça porém muito mais amplo a virtude em grau sublime e heroico jamais visto ou alcançado (depois de Maria Ssma) de se conformar a Lei de Deus.
“José é chamado de Justo porque tem a perfeição de todas as virtudes”
São Jerônimo, Homilia 3, in Luccam.

O MAIOR DOS SANTOS
Depois de Maria, José. É sem dúvida o maior dos santos, pois recebeu de Deus maiores graças e desempenhou a maior e mais sublime missão na terra. Pai adotivo do Filho de Deus humanado e esposo da Mãe de Deus. Poderia alguém na terra, depois de Maria excedê-lo na gloria da santidade? Quem teve maior e mais sublime missão a cumprir na terra?
Sem dúvida, dos sete dons do Espirito Santo, os que São José mais deve ser exercitado, em razão de sua função, foram o dom do conselho e o da fortaleza, para dirigir, governar e defender a Sagrada Família entre tantas privações e adversidades, sem perder de vista um só momento o supremo sacrifício da Cruz.
S. José excede a dignidade dos Apóstolos. Estes foram ministros e dispensadores dos mistérios de Deus, vasos de eleição, colunas da fé, mensageiros da palavra divina. S. José foi maior que Moises em santidade, a São João Batista, S. Pedro e S. Paulo, bem como também aos maiores mártires e doutores da Igreja. Nenhum santo teve como Ele privilégios tão singulares e viveu mais unido a Deus e mais abrasado na Divina Caridade. Pelas relações com Jesus e Maria Santíssima é o maior dos santos, e precede a todos os eleitos no culto que lhe prestamos.

Pai adotivo de Jesus
A maior glória de São José, a mais rica pérola do seu coroa, o título e privilégio que o faz o maior dos Santos é o de Pai do Filho de Deus humanado. Todos os Santos, se gloriam de serem chamados servos de Deus, servos de Jesus Cristo. São José, e só ele, foi chamado Pai do Salvador, Pai de Jesus Cristo. Entre os títulos de glória do Santo, este é sem dúvida o maior.
Os nazarenos, diz o Evangelista, tinha José por pai de Jesus. Assim dizia e julgava o povo ignorante do adorável mistério da Encarnação do Verbo. Os Evangelistas, que narraram e conheceram o mistério da Encarnação e a Divindade de Jesus, chamavam a José pai de Jesus. E Jesus mil vezes o havia de chamar Pai, e a ele esteve sujeito e obediente trinta anos desde Belém.
São José, pois, é e deve ser chamado Pai de Jesus, Pai virginal, não Pai carnal, Pai putativo, genealógico, jurídico ou legal, adotivo, eletivo, nutrício, virginal, afetivo e de ofício de Jesus Cristo e segundo a geração humana, porque Maria Imaculada concebeu, e foi Mãe de Jesus por obra e graça do Espírito Santo. Eis a sua glória: Pai de Jesus.
Qual graça extraordinária para o São José de ver, dar ordens e prover tudo daquilo que Nosso Senhor necessitava... Ah que graça extraordinária, S. José de que como por um véu, não brilhar como o Sol do meio dia na Terra, a exemplo de Moisés (Ex 34, 29-35) ao descer do monte com as tábuas da Lei nas mãos, brilhava a sua face que os hebreus nem conseguiam olhar para ele.

O esposo virginal de Maria Santíssima
“ José, filho de Davi, não temas receber em tua casa Maria, tua esposa” Mt 1,20.
“José... fez como lhe tinha mandado o anjo do Senhor, e recebeu em sua casa Maria, sua esposa” Mt 1,24.
Foi José verdadeiro e legítimo esposo de Maria, de um matrimônio, perfeitamente virginal, maravilhosamente fiel, milagrosa e infinitamente fecundo.
E formou São José semelhante a Maria. José foi formado à semelhança da Virgem, sua esposa. O céu, escolheu a São José como o único digno de um tal tesouro: —Maria.
Para ser esposo da Mãe de Deus, que pureza e que santidade não havia de ter São José! E se Deus o escolheu entre os homens o mais semelhante à mais perfeita das criaturas, sua santíssima Esposa. Para lembrar os dois títulos de maior glória que o tornam o maior e o mais singular dos Santos — Pai adotivo de Jesus Cristo e Esposo de Maria Imaculada.
E aqui fica a resposta à pergunta: Quem é São José? Virum Mariae de quanatus est Jesus. — É o esposo de Maria, diz o Evangelista, da qual nasceu Jesus.

São José, príncipe da casa real de Davi
São José era da nobre estirpe, como nos relata os Evangelhos de S. Mateus 1, 1-17 e S. Lucas 3, 23-28. “Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. Obed gerou Jessé. Jessé gerou o rei Davi. O rei Davi gerou Salomão, daquela que fora mulher de Urias. Salomão gerou Roboão. Roboão gerou Abias. Abias gerou Asa. Asa gerou Josafá. Josafá gerou Jorão... Eleazar gerou Matã. Matã gerou Jacó. Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo. S. Mateus 1, 1-17.  “ não era apropriado que o Rei dos reis convivesse, na sua intimidade, com quem não fosse nobre nem de espirito e de sangue. Não convinha que Aquele a Quem servem milhões de anjos escolhesse como pai adotivo alguém que não fosse de nobre linhagem, nem que a Virgem, escolhida como Mãe de Deus, á qual prestam homenagem todos os habitantes da Jerusalém terrestre, fosse casada com homem de origem plebeia”. Suma dos dons de São José.
Segundo São Mateus mostra as gerações de Davi até Cristo, mudando assim em S. José para indica-lo como pai adotivo e não carnal de Nosso Senhor.
Assim as promessas a dinastia de Davi, na qual S. José tem a glória de pertencer, a um título muito especial: foi o último e não menor e transmitiu a Nosso Senhor a herança davídica.

Prefiguração no Antigo Testamento
Uma das figuras mui própria, em que os Santos Padres reconhecem haver sido misteriosamente representado São José, foi o antigo Patriarca José, Vice-rei do Egito, porque nele se cumpriram todas as grandezas. Sonhara ele que o Sol, a Lua e as Estrelas o adoravam e foi nisto um retrato figurativo da obediência que Jesus e Maria, verdadeiro Sol e verdadeira Lua, havia de ter a São José, e o respeito que os mais santos, simbolizados nas estrelas, lhe tributam. Chamou-se também a José o salvador do mundo, porque proveu de mantimento e livrou da fome não só o Egito, mas toda a terra em torno; e tudo isto foi anuncio de que o glorioso São José na lei da graça havia de ser a quem todo o gênero humano devesse a salvação, pois salvou o Redentor, livrando-o da tirania de Herodes, que o queria matar, quando menino, e ele foi também o que guardou o pão da vida de Jesus Cristo, que é o sustento do universo.
“Ide a José” Gn 41,55.

A virgindade de São José
A virgindade perpétua é outra coroa de glória do santo Patriarca. A Escritura nada fala da virgindade de S. José, mas a Tradição nos guarda e garante esta opinião com segurança. A Tradição teológica, escreve o Pe. Cantera, reprova todos os erros contra esta doutrina e afirma unanemente a Virgindade de S. José, é uma verdade teologicamente, da qual não é lícito a nenhum cristão duvidar. É célebre a resposta de S. Jerônimo ao herege Helvídio: Dizes, que Maria não ficou Virgem. Pois não só defendo e afirmo a Virgindade de Maria, como digo ainda mais: por Maria foi Virgem também S. José(2). (1) Cantera - San José en el Plano Divino (2) Adv. Helv. n° 19.

Dia de São José
Por isso, hoje é dia de festa para a Fé. O culto a São José começou no Oriente, passando mais tarde para o Ocidente, onde hoje alcança grande popularidade.
Pio IX estendeu a festa do Patrocínio de São José a toda a Igreja com o decreto "inclytus Patriarcha Joseph", de 10 de setembro de 1847. Declarou solenemente o Bem-aventurado José “Patrono da Igreja Católica”, e ordenamos que a sua festa de 19 de março, dupla de primeira classe, todavia sem oitava por causa da Quaresma, fosse celebrada no mundo inteiro.

São José e Santa Teresa de Ávila
“Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e encomendei-me muito a ele. Vi claro que, tanto desta necessidade como de outras maiores, de perder a honra e perder a alma, este pai e senhor meu me livrou melhor do que eu lhe saberia pedir. Não me recordo, até agora, de lhe haver suplicado nada que não tenha deixado de fazer.
É coisa que espanta (que maravilha) as grandes mercês que me tem feito Deus por meio deste bem-aventurado santo, dos perigos que me tem livrado, tanto de corpo quanto de alma. A outros santos parece
que o Senhor lhes deu graça para socorrer em uma necessidade; a este glorioso santo tenho experiência que socorre em todas e que quer o Senhor dar-nos a entender que assim como esteve submetido a ele na terra, que como tinha nome de pai - sendo custódio - podia mandar Nele, também no céu faz quanto lhe pedem. E isto o tem comprovado algumas pessoas, a quem eu dizia que se encomendassem a ele, também por experiência; e ainda há muitas que começaram a ter-lhe devoção havendo experimentando esta verdade.
Queria eu persuadir a todos para que fossem devotos deste glorioso santo, pela grande experiência que tenho dos bens que ele alcança de Deus. Não conheci pessoa que deveras lhe seja devota e faça particulares serviços, que não a vejamos mais adiantada nas virtudes porque muito aproveitam as almas que a ele se encomendam. Parece-me, já há alguns anos, que a cada ano, em seu dia, lhe peço uma coisa e sempre a vejo cumprida. Se o pedido segue meio torcido, ele o endereça para o meu bem.
Se fosse uma pessoa que tivesse autoridade no escrever, de bom grado me estenderia em dizer muito a miúdo as mercês que este glorioso santo tem feito a mim e a outras pessoas. Só peço, pelo amor de Deus, que o prove quem não me crê e verá por experiência o grande bem que é o encomendar-se a este glorioso Patriarca e ter-lhe devoção.
Pessoas de oração, em especial, sempre deveriam ser a ele afeiçoadas. Não sei como se pode pensar na Rainha dos Anjos, no tempo que passou com o Menino Jesus, e não se dar graças a São José pelo bem com o qual lhes ajudou. Quem não encontrar mestre que lhe ensine oração, tome este glorioso santo por mestre e não errará no caminho”.3
Invoquemos o nosso Anjo da Guarda para que nos ajude a honrar ao nosso grande Santo Protetor, que é também Príncipe dos Anjos e Arcanjos. São José fora constituído também, no Reino de Deus, o grande Príncipe, e lhe foram dadas as maiores e mais extraordinárias prerrogativas que o fizeram o Príncipe sem igual, acima de todos os súditos do Rei dos reis depois de Maria Santíssima, Rainha dos céus e da terra. E nesta singular e privilegiada missão, quem pode contentar a supremacia de José sobre todos os Anjos e coros angélicos?
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Fonte;
http://salvemariaauxiliadora.blogspot.com.br/2015/03/sao-jose.html

Referências bibliográficas
Santa Teresa de Jesus, Livro da Vida 6,6-8
São José, Mons. Ascânio Brandão
Bíblia Pe João de Matos
São José. O esposo de Maria, da qual nasceu jesus. Ed Petrus 1ª edição-2010