1. São José operário

A Exortação
Apostólica Redemptoris Custos (nº 22) evidencia claramente a missão de São José
quando afirma que “Graças ao seu banco de
trabalho, junto do qual exercitava o próprio ofício juntamente com Jesus, José
aproximou José aproximou o trabalho humano ao mistério da redenção”.
A Encíclica
Laborem Exercens de João Paulo II, Jesus dedicou a maior parte dos anos de sua
vida sobre a terra ao trabalho manual, junto a um banco de carpinteiro (nº 6).
Neste sentido “São José tem uma grande importância para Jesus, se
verdadeiramente o Filho de Deus feito homem o escolheu para revestir a si mesmo
de sua aparente filiação... Jesus o Cristo, quis assumir a sua qualificação
humana e social deste operário (Paulo VI – Alocução 19/3/1964). Jesus “não se
serviu das realidades humanas apenas para manifestar-se, mas uniu-se a elas
para santificá-las com sua humanidade” (S Th, III q.8,a.1). Porque o trabalho
constitui uma dimensão fundamental da existência humana, Jesus escolheu esta dimensão
para qualificar o seu estado social.
Escolhendo de
ser considerado Filho de José (Lc 3,23), Jesus herdou, como afirmamos, o título
de Filho de Davi, mas contemporaneamente assumiu também o título de “Filho do
Carpinteiro” (Mt 13,55), e na carpintaria de Nazaré trabalhou com mãos de homem
(GS 22), santificando o trabalho.
Sendo que
Jesus dividiu o seu trabalho com José na carpintaria, então nenhuma outra
pessoa, depois de Maria, esteve tão próximo das mãos, da mente, da vontade e do
coração de Jesus quanto José; por isso, Pio XII afirma que ele foi o Santo no
qual penetrou grandemente o espírito do Evangelho.
Como sabemos,
um carpinteiro, numa cidade pequena como Nazaré, naqueles tempos tinha diversas
funções e não trabalhava somente com madeira, mas também com ferro (era
ferreiro), preparava alicerces de casas, planejava e fazia valas para os mais
diversos fins; quem sabe era até pedreiro... Era o Homem do Trabalho.
Após cumprir
essa obrigação religiosa, retornava ao serviço: afinal, era com o suor do seu
rosto, com a força de seus músculos e com os calos de suas mãos que tirava o
sustento para si e para a sua família.
Portanto,
competia ao povo lembrar e pôr em prática todos os mandamentos. Feito esse
momento de oração, retomava-se novamente o trabalho, até o fim da jornada.
Assim, aquele
pequeno recanto da casa pobre de Nazaré que acolheu por muitos anos as três
personagens mais importantes que viveram na terra: Jesus, Maria e José. Nada
ali se manifestava grandioso, portentoso ou extraordinário. José, era focado ao
barulho da serra e do martelo, procurava dia após dia cadenciar tudo com suas
orações e meditações. Animado por esse espírito, todos os seus trabalhos
assumiam um significado profundo e imenso diante de Deus. Afinal, era ali, de
maneira escondida, que se processava um grande mistério: um artesão pobre
ensinava ao próprio Filho de Deus uma profissão e este lhe obedecia colocando
em prática todos os seus ensinamentos.
Sua
característica foi justamente o devotamente total de sua vida ao serviço da
encarnação e da missão redentora do Filho de Deus, missão única e grandiosa.
Por isso, foi enriquecido abundantemente com dons especiais por parte de Deus,
e sua vida, iluminada por uma luz divina.
A
Constituição dogmática Gaudium et spes afirma que o Onipotente artífice do universo
verdadeiramente "trabalhou com mãos de homem", santificando
diretamente o trabalho humano. José foi perante a Providência divina o
necessário instrumento de tal redenção, dada justamente na sua própria
carpintaria, através de uma missão que ele não somente a exercitou ao lado de
Jesus, mas inclusive acima de Jesus, o qual lhe era submisso (Lc 2,51).
Eficaz contra o Comunismo.
“... Agora se faz necessário considerar uma outra
causa de perturbação, muito mais profunda, que se aninha justamente no mais
íntimo da sociedade humana: dado que o flagelo da guerra se abateu sobre as
pessoas quando elas já estavam profundamente infectadas pelo naturalismo, isto
é, por aquelas grande peste do século que, onde se enraíza, diminui o desejo
dos bens celestes, apaga a chama da caridade divina e retira do homem a graça
salvadora e elevadora de Cristo até que, tolhida dele a luz da fé e deixadas a
ele as solitárias e corrompidas forças da natureza, o abandona à mercê das mais
insanas paixões.
Por isto, devemos constatar com verdadeira dor
que agora os costumes públicos são bem mais depravados e corrompidos que antes,
e que portanto a assim chamada “questão social” foi-se agravando a tal ponto de
suscitar a ameaça de irreparáveis ruínas.
De fato amadureceu nos desejos e nas expectativas
de todos os sediciosos a chegada de uma certa república universal, a qual seria
fundada sobre a igualdade absoluta entre os homens e sobre a comunhão dos bens,
e na qual não haveria mais distinção alguma de nacionalidade, nem teria mais
que reconhecer-se a autoridade do pai sobre os filhos, nem dos poderes públicos
sobre os cidadãos, nem de Deus sobre os homens reunidos em sociedade civil
Agora, pelo mesmo motivo, ou seja, para recordar
o dever aos nossos fiéis que estão em toda parte e ganham o pão com o trabalho,
e para conservá-los imunes do contágio do socialismo, o inimigo mais implacável
dos princípios cristãos, Nós, com grande solicitude, propomos a eles de modo
particular São José, para que o sigam como guia e o honrem como celeste
Patrono. Ele de fato levou uma vida similar a deles, tanto é verdade que Jesus
bendito, enquanto era o Unigênito do Pai Eterno, quis ser chamado “o Filho do
carpinteiro”. Mas aquela sua humilde e pobre condição, de quais e quantas
virtudes excelsas Ele soube adornar! Ou seja, virtudes que deviam resplandecer
no esposo de Maria Imaculada e no pai putativo de Jesus Cristo. Por isso, na
escola de São José, aprendam todos a considerar as coisas presentes, que
passam, à luz das futuras, que permanecem para sempre; e, consolando as
inevitáveis dificuldades da condição humana com a esperança dos bens celestes,
a estes aspirem com todas as forças, resignados à vontade divina, sobriamente
vivendo segundo os ditames da piedade e da justiça. Ao que diz respeito
especialmente aos operários, nos agrada relembrar aqui as palavras que
proclamou em circunstância análoga o nosso predecessor de feliz memória Leão
XIII, pois elas, ao nosso parecer, não poderiam ser mais oportunas:
“Considerando estas coisas, os pobres, e quantos vivem com o fruto do trabalho,
devem sentir-se animados por um sentimento superior de equidade, pois se a
justiça permite-lhes elevar-se da indigência e de conseguir um melhor
bem-estar, porém é proibido pela justiça e pela mesma razão de perturbar a
ordem que foi constituída pela divina Providência. Aliás, é conselho insensato
usar de violência e buscar melhorias através de revoltas e tumultos, os quais,
na maioria das vezes, nada mais fazem que agravar ainda mais aquelas dificuldades
que se desejam diminuir. Portanto, se os pobres querem agir sabiamente, não
confiarão nas vãs promessas dos demagogos, mas sim no exemplo e no patrocínio
de São José e na caridade materna da Igreja, a qual dia após dia tem por eles
um zelo sempre maior” (Carta Encíclica “Quamquam pluries” )...”
(Bonus
Sane, Carta Encíclica de S.S. o Papa Bento XV (Motu Proprio), 25 de julho de
1920