O Manuscrito do Purgatório- 1879

1879


(Retiro de setembro) — Nós vemos São Miguel como se vêem os Anjos, eles não têm corpo. São Miguel vem ao purgatório buscar todas as almas que já estão purificadas porque é ele quem as conduz ao Céu. Sim, é verdade, ele está entre os Serafins, como me disse Monsenhor. É o primeiro Anjo do céu. Nossos Anjos da Guarda vêm também nos ver, mas São Miguel é muito mais belo do que todos eles! Quanto à Santíssima Virgem, nós a vemos com o seu corpo. Ela vem ao purgatório nas suas festas e volta para o céu com muitas almas. Enquanto Ela está conosco, não sofremos. São Miguel a acompanha, mas enquanto São Miguel está só, nós sofremos como sempre.
Quando eu vos falei do grande, e do segundo purgatório, era, para vos fazer compreender. Eu queria dizer que há diferença de graus no purgatório. Assim, eu chamo o grande purgatório, o lugar onde estão as almas mais culpadas, onde eu fiquei dois anos, sem poder dar nenhum sinal dos meus tormentos, pois no ano em que eu comecei a me queixar que eu ainda estava no grande purgatório quando comecei a vos falar.
No segundo purgatório, que é sempre o purgatório, mas que, no entanto, é diferente do primeiro, sofre-se também, porém menos do que no primeiro purgatório.
Finalmente, há um terceiro lugar que é o purgatório do desejo. Lá não há fogo. Lá estão as almas que não desejaram bastante o céu e que não amaram bastante a Deus neste mundo. Eu estou agora lá neste momento.
Nestes três purgatórios, há ainda graus. À medida que uma alma se purifica, sofre menos, e já não sofre os mesmos tormentos. Tudo está em proporção às faltas que deve expiar.
O Retiro foi bom. Há de produzir muitos frutos. O diabo é que não está contente.
O bom Deus ama muito o Padre que vos pregou o retiro.
Dizei ao bom Padre que eu agradeço o “Memento” que prometeu rezar por mim na Santa Missa. Da minha, parte não serei ingrata. Pedirei a Deus que lhe conceda as graças de que ele necessita.
Fizestes muito bem em lhe dizer esta tarde tudo que vos disse. Foi São Miguel quem vo-lo enviou. A Comunidade aproveitou, mas ele veio aqui principalmente para vós. São Miguel, a quem amais e que vos protege, quis que fosse um dos seus missionários que soubesse tudo o que vos disse. Deus tem desígnio nisto. Conhecereis mais tarde. Mais tarde também podereis lhe dar algumas novas mais precisas sobre São Miguel.
Vós me perguntais se o Padre P. é agradável a Deus? Eis o que deveis lhe dizer: que ele continue a proceder como o fez até aqui. O que Deus mais gosta nele é a sua pureza de intenção, o seu espírito interior e a grande bondade para com as almas. Dizei-lhe que ele continue a se unir mais ao Coração de Jesus. Quanto mais íntima for esta união, mais a sua vida toda será proveitosa e suas ações serão proveitosas para as almas e meritórias para o céu.
Eu não espero dele uma perfeição comum. Que ele recomende nas missões e retiros, o oferecimento das ações do dia, porque no mundo, e mesmo nas comunidades não se pensa bem nisto, e muitas ações boas não terão recompensa no último dia porque não foram oferecidas a Deus antes de serem executadas. Que ele não perca nunca a coragem, embora veja que seus esforços não produzem o que deseja. Pense ele que Deus fica satisfeito com seus trabalhos, ainda que tenha conseguido dar a um coração um quarto de hora de amor de Deus que seja.
Pedi muito por mim, a fim de que logo alcance o objeto de meus longos e tão grandes desejos. Eu vos hei de ser muito mais útil no céu do que aqui. Tivestes um bom pensamento de me convidar no encerramento do retiro para adorar Jesus presente em vosso coração durante a ação de graças depois da Comunhão. Se já o tivésseis feito até agora, eu teria tido muito mais alivio. Fazei também assim antes de todas as vossas orações. Depois oferecereis um pouco do vosso trabalho por mim, eu tenho um desejo tão grande de ver a Deus!
Eu espero, há muito tempo, um pouco mais de amor em tudo o que fazeis. Quanto mais uma alma ama a Jesus, tanto mais as suas orações e ações são meritórias diante dele. No céu só o amor é que há de ser recompensado. Tudo o que for feito com outra intenção será nulo e por conseguinte, perdido. Amai então a Jesus como Ele quer ser amado, com isto eu sinto um grande alívio.
– Deus está um pouco mais contente comigo nestes dias?
Resposta: — Sim, Ele está muito contente convosco porque lhe procurastes agradar mais. Já notastes como Ele é bom? Não vos deu tanto prazer também nestes dias? Pois bem, eis como Ele há de proceder sempre para convosco. Quanto mais fizerdes por Ele, mais Ele fará por vós. Sou tão feliz ao ver que realmente quereis trabalhar para a vossa perfeição, e se fosse preciso ficar mais tempo no purgatório eu o faria de boa vontade, se soubesse que por este sofrimento alcançaria que chegásseis ao estado em que Deus vos quer ver para cumprir os desígnios que tem sobre vós.
Não olheis nunca para trás para examinar muito vosso procedimento. Entregai tudo nas mãos de Deus e caminhai sempre avante.
Vossa vida deve se resumir em duas palavras: sacrifício e amor. Sacrifício de manhã à noite, e ao mesmo tempo: amor.
Se soubésseis o que é o bom Deus! Não haveria sacrifício que não quisésseis fazer, sofrimento que não quisésseis padecer para o ver um minuto somente, e então, ficaríeis bem satisfeita, bem consolada, ainda que nunca mais tivésseis de vê-lo. Que não será então vê-lo por toda eternidade?
(13 de agosto) — Qual é o melhor meio de glorificar a São Miguel?
Resposta: — O meio mais eficaz de o glorificar no céu e na terra é recomendar quanto possível a devoção às almas do purgatório e fazer conhecer a grande missão que ele tem junto das almas sofredoras. Ele é o encarregado de levá-las do lugar da expiação e introduzi-las depois da satisfação, no céu, morada eterna. Cada vez que uma alma vem aumentar o número dos eleitos, Deus é glorificado por ela e esta glória de certo modo reflete sobre o glorioso ministro do céu. É uma honra para ele apresentar ao Senhor as almas que irão cantar as infinitas misericórdias e unir seu reconhecimento aos dos eleitos por toda eternidade. Eu não posso vos fazer compreender todo o amor que o celeste Arcanjo tem por seu divino Mestre e o amor que por sua vez Deus tem por São Miguel e bem como a grande piedade que São Miguel tem de nós. Ele nos dá coragem no sofrimento quando nos fala do céu. Dizei ao Padre que se ele quiser dar um grande prazer a São Miguel, recomende muito a devoção às almas do purgatório. Não se pensa muito nisto neste mundo! Quando se perdem os parentes e amigos, fazem algumas orações, choram durante alguns dias, depois… tudo se acaba! As almas ficam abandonadas! É verdade que isso elas merecem muito porque não rezaram pelos mortos quando na terra, e o divino Juiz só nos dá no outro mundo o que fazemos neste. As pessoas que deixaram esquecidas as almas do purgatório, serão esquecidas também, mas se lhes tivessem dado a inspiração de rezar pelos defuntos, e lhes feito conhecer o que é o purgatório, talvez elas tivessem procedido de outra maneira, de modo muito diferente…
Quando Deus o permite, podemos nos comunicar diretamente com o Arcanjo, à maneira dos espíritos e como as almas se comunicam entre si.
— Como se festeja São Miguel no purgatório?
Resposta: — No dia de sua festa, São Miguel vem ao purgatório e volta para o céu com muitas almas, principalmente as almas que lhe tiveram devoção na, terra.
— Que glória recebe São Miguel da sua festa na terra?
Resposta: — Quando se faz a festa de um santo na terra, ele recebe no céu uma glória acidental. Ainda mesmo que não o festejem na terra, em memória de alguma ação especial heroica que praticou neste mundo, ou da glória que deu a Deus em alguma ocasião, nesta época, recebe no céu uma recompensa especial que consiste numa maior glória acidental, junta com a que lhe dão na terra.
A glória acidental que recebe o Arcanjo São Miguel é superior a de todos os outros santos, porque esta glória de que vos falo, é proporcionada à grandeza do mérito daquele que a recebe, como também ao valor da ação que mereceu esta recompensa.
— Conheceis as coisas da terra?
Resposta: — Eu não as conheço senão enquanto Deus o quer, e meu conhecimento é muito restrito. Conheço alguma coisa da comunidade e é só. Não sei o que se passa na alma das outras pessoas, à exceção da vossa, e isto porque Deus o permitiu, para vossa perfeição. O que vos digo algumas vezes de pessoas particulares, e ainda vos direi, Deus mo fez conhecer no momento, mas fora disto não sei mais de coisa alguma. Certas almas têm conhecimentos mais e mais extensos do que eu. Tudo isto é proporcionado ao mérito.
Quanto aos graus do purgatório, eu vos posso falar deles, pois eu passei por lá. No grande purgatório há diferentes graus. No mais profundo e baixo, no que mais se sofre, e que é um “inferno momentâneo”, lá estão os pecadores que cometeram enormes crimes durante a vida, e que a morte os surpreendeu neste estado sem que tivessem tempo de se penitenciarem. Salvaram-se por milagre, muitas vezes pelas orações dos parentes e de pessoas piedosas. Algumas vezes nem puderam se confessar, e o mundo os julgou condenados, mas o bom Deus, cuja misericórdia é infinita, lhes deu no momento da morte a contrição necessária para se salvarem, tendo em vista algumas ações boas que praticaram na vida. Para estas almas o purgatório é terrível! É um inferno, exceto isto, que no inferno se amaldiçoa a Deus, enquanto que no purgatório o bendizem e agradecem por terem sido salvos.
Logo em seguida, vêm as almas que, sem terem cometido grandes crimes, foram indiferentes para com Deus. Não cumpriam o dever pascal, e convertidas na hora da morte, nem puderam às vezes comungar, e no purgatório se encontram em penitência de sua longa indiferença. Sofrem penas inauditas, abandondas, sem orações. Se se fazem orações por elas, não as podem aproveitar.
Depois enfim há ainda o purgatório das religiosas e dos religiosos tíbios, que se esqueceram dos seus deveres, indiferentes para com Jesus; padres, que não exerceram seu ministério com a reverência devida à Majestade Divina e não fizeram as almas que lhe foram confiadas amar bem a Deus. Eu estou neste grau.
No segundo purgatório se encontram as almas que morrem culpadas de pecados veniais não expiados antes da morte, ou então, em pecados mortais perdoados, mas dos quais não satisfizeram inteiramente à justiça Divina.
Há também no purgatório diferentes graus, segundo os méritos das pessoas.
Assim, o purgatório das pessoas consagradas e que receberam maiores graças, é mais longo e mais penoso do que o das pessoas do mundo.
Finalmente, o purgatório do desejo, que se chama o Átrio ou Vestíbulo do céu. Poucas pessoas o evitam. Para o evitar é mister ter desejado ardentemente o céu, e tendo em vista Deus, a presença e a visão de Deus. E é raro isto, porque muitas pessoas, mesmo muito piedosas, têm medo de Deus e não desejam bastante o céu com ardor.
Este purgatório tem seu martírio bem doloroso como os outros. Estar privado da visita do bom Jesus, que sofrimento!
— Conhecei-vos uma às outras no purgatório?
Resposta: — As almas se comunicam entre si quando Deus o permite, porém à maneira das almas, sem palavras…
Sim, é verdade que eu vos falo, mas sois um espírito? Havíeis de me compreender se eu não pronunciasse as palavras? Para mim, pois, que Deus o permitiu, eu vos compreendo sem que pronuncieis palavras com os lábios. Há entretanto comunicações de almas assim quando vos vem um bom pensamento pelo vosso Anjo de Guarda, ou por Deus mesmo. Eis a linguagem das almas.
— Onde está o purgatório?
Resposta: — No centro da terra, próximo do inferno (como o vistes depois da Comunhão). As almas estão aí num lugar restrito, comparado à multidão que aí se encontra, pois são milhares e milhares de almas. Entretanto, que lugar ocupa uma alma?
Cada dia aí chegam milhares e milhares, e, a maior parte dos trinta aos quarenta anos. Eu vos digo segundo os cálculos da terra, porque aqui é outra coisa muito diferente.
Ah! se soubessem e pensassem o que é o purgatório, e se soubessem que amargura pensar que a gente aqui está por própria culpa! Estou aqui há oito anos, e parece-me que há dez mil anos!… Ó, meu Deus! Dizei isto ao vosso padre espiritual. Que ele aprenda de mim o que é este lugar de sofrimento, a fim de que ele o faça conhecer para o futuro. Ele há de experimentar por ele mesmo quanto é proveitosa a devoção às almas do purgatório!
Deus concede muitas vezes mais graças por intermédio das almas do purgatório do que pela intercessão dos próprios santos. Quando o Padre X quiser obter uma coisa com mais segurança, dirija-se de preferência às almas que mais amaram a Santíssima Virgem neste mundo, e que, por conseguinte, esta boa Mãe deseja libertar mais depressa, e depois ele vos dirá se não foi muito bem tudo!…
Há também algumas almas que não ficam no purgatório propriamente dito. Assim, por exemplo, eu vos acompanho por toda parte, e quando repousais, eu sofro mais, pois fico no purgatório.
Outras almas fazem às vezes o seu purgatório nos lugares onde pecaram, ao pé dos santos altares, onde se encontra o Santíssimo Sacramento, mas não importa o lugar onde se encontram, porque levam com elas o sofrimento, embora sejam estes menos intensos do que no purgatório mesmo.
O Padre… tem razão quando vos diz que não deveis procurar senão a vontade de Deus em tudo o que fazeis. Será para vós felicidade ver a vontade de Deus em tudo o que acontece. Sofrimentos ou alegrias, tudo vem igualmente de Jesus. Sede muito boa, duas vezes boa, para dar prazer a Jesus que é tão bom para convosco! Tende sempre os olhos da alma abertos para Ele, a fim de prevenir o menor dos seus desejos. Ide mesmo adiante, a fim de lhe dar prazer.
A inglesa que se afogou junto do Monte São Miguel, foi diretamente para o céu. Teve ela a contrição necessária no momento da morte, e ao mesmo tempo o Batismo de desejo. Tudo aconteceu por intercessão de São Miguel. Feliz naufrágio!
Pio IX foi direito para o céu. Seu purgatório estava já feito na terra.
— Como sabeis que M. P. foi direito para o céu, pois não a vistes passar pelo purgatório?
Resposta: — Deus me revelou e Ele também por pura bondade permite que eu saiba o que vós me pedis, quando eu não o vi ou não percebi por mim mesma.
A justiça de Deus nos retém no purgatório é verdade, e nós o merecemos, mas crede que a sua misericórdia e seu coração paterno não nos deixam lá sem nenhuma consolação. Desejamos muito nossa união com Deus, mas Ele não a deseja menos do que nós.
Na terra Ele se comunica de uma maneira íntima a certas almas e se compraz em lhes desvendar seus segredos. As almas que lhe são agradáveis, são as que no seu modo de proceder não vivem e não respiram senão por Jesus, e só procuram agradá-lo.
No purgatório há almas bem culpadas, mas arrependidas, e não obstante as faltas que têm ainda a expiar, estão confirmadas em graça e não podem mais pecar. São perfeitas. Pois bem, à medida, e na proporção que uma alma se purifica no lugar da expiação, compreende melhor a Deus, ou Deus e ela se compreendem melhor, sem entretanto se verem, porque então não haveria mais purgatório!
Se nós não conhecêssemos a Deus mais do que aí na terra, nossas penas, nosso martírio, não seriam tão poderosos, nosso martírio tão cruel! O que faz nosso principal tormento é a ausência daquele único objeto de nossos longos anos de desejos.
— E quando uma alma é destinada a ter uma mais bela coroa no céu, não tem também no purgatório mais graças do que as outras?
Resposta: — Sim, quanto mais uma alma está destinada a ocupar um lugar mais elevado no céu, também os seus conhecimentos são mais extensos e sua união mais íntima com Ele no lugar da expiação. Tudo aqui é proporcionado ao mérito.
— Os três amigos de V. P. estão no céu há muito tempo? Que é feito das orações que se fizeram por eles?
Resposta: — As pessoas que estão no céu, e pelas quais rezam na terra, podem dispor destas orações pelas almas que desejem aplicá-las. É uma lembrança bem doce para as almas do outro mundo, ver que os parentes e os amigos não as esqueceram na terra, embora não tenham mais necessidade de orações. E em retribuição não são elas ingratas!…
Os juízos de Deus são bem diferentes dos da terra. Ele olha para o temperamento, o caráter, o que se fez por leviandade ou por pura malícia. Conhece o fundo dos corações, não lhe é difícil ver o que neles se passa. Jesus é muito bom, sim, mas é muito justo também!…

Continua...





O Manuscrito do Purgatório- 1878

1878
(Retiro de agosto) — Os grandes pecadores e os que ficaram toda vida afastados de Deus pela indiferença, e bem assim as religiosas que não foram o que deveriam ter sido, estão no grande purgatório. E lá as operações que se fazem por estas almas não são aplicadas. Elas foram indiferentes para com Deus em vida, e por sua vez agora Ele, o Senhor, é indiferente para com elas e as deixa numa espécie de abandono, a fim de que elas reparem assim a, sua vida que foi nula.
Ah! Não podeis imaginar nem representar ainda na terra quem é Deus. Nós, porém, o sabemos e o entendemos porque nossa alma está desprendida de todos os laços que a prendiam e impediam de compreender a santidade, a majestade do bom Deus, sua grande misericórdia. Somos mártires, nós nos derretemos de amor, por assim dizer. Uma força irresistível nos leva para o bom Deus como nosso Centro, e, ao mesmo tempo, uma força nos impele para o lugar da nossa expiação. Estamos neste estado oprimidas e aflitas pela impossibilidade de satisfazer os nossos desejos.
Ó que sofrimento! Nós, porém, o merecemos e aqui ninguém murmura. Queremos o que Deus quer. Ninguém poderá compreender na terra o que padecemos!
Sim, eu estou bem aliviada, eu não estou mais no fogo. Agora eu só tenho o desejo insaciável de ver a Deus, sofrimento bem cruel ainda! Sinto todavia que se aproxima o termo do meu exílio e me aproximo do lugar a que aspiro com todos os meus desejos.
Eu o percebo muito bem. Eu me sinto pouco a pouco mais livre, mas dizer quando chegará o dia, não o sei. Só Deus o sabe! Talvez eu ainda tenha de ficar anos a desejar assim o céu. Continuai sempre a rezar e eu vos pagarei mais tarde, embora eu desde já reze por vós, e muito.
Ó como são grandes as misericórdias de Deus para convosco! Quem poderá compreender porque Jesus age assim para convosco? Por que vos ama muito mais do que as outras? Será que o mereceis? Não. Pois o mereceis até bem menos do que outras almas. Mas Ele quer proceder assim para convosco! É Ele o Senhor das suas graças.
Sede então muito reconhecida. Ficai sempre em espírito aos pés do Senhor, e deixai que Ele faça o que quiser. Vigia muito vosso interior. Sede bem fiel ao examinar tudo que possa agradar a Jesus. Não tenhais olhos nem coração senão para Ele., Consultai-o sempre antes de qualquer coisa. Abandonai-vos ao que Ele quiser, e depois, ficai tranquila. Tudo quanto vos disse se há de cumprir. Não deveis pôr obstáculos, é Jesus quem o quer assim.
Quando eu estiver lá, eu vo-lo direi, mas eu penso que as grandes festas no céu se celebram por um duplo êxtase de admiração de ação de graças e sobretudo de amor.
Para que chegueis a uma grande união com Deus, como já vos disse, é mister que nada vos perturbe: penas, alegrias, sucessos, insucessos, boa, ou má graça. É mister que nada disto vos impressione nem um pouco, mas que Jesus domine tudo em vós e que tenhais os olhos fixos nele para compreender seus menores desejos.
Eu vos repito ainda, não tenhais medo de mim. Não me vereis no sofrimento. Mais tarde, quando estiverdes mais forte de alma, vereis as almas do purgatório. Mas não penseis que será para vos assustar. Deus vos dará então a coragem necessária, e tudo se fará para cumprir a sua santa vontade.
— Mas isto não é um castigo?
— Não. Eu estou aqui para meu alívio e para vossa santificação. Prestai um pouco de atenção ao que vos digo…
— É verdade, mas eu acho estas coisas tão esquisitas… que posso eu pensar de tudo isto? Não é ordinário estar a vos escutar assim…
— Eu compreendo bem o vosso embaraço. Eu sei o que tendes sofrido com isto, mas já que Deus o permite, e é para meu alívio, deveis ter piedade de mim, não é? Quando eu estiver livre, vereis como eu vos darei mais do que fizestes por mim. Eu desde já rezo muito por vós.
— Onde está a Irmã X?
— No grande purgatório, onde ela não recebe as orações de ninguém. O bom Deus fica muito contrariado, se assim posso falar, na morte de muitas religiosas, porque Ele chamou estas almas para que o servissem fielmente na terra, e fossem depois da morte imediatamente o glorificar no céu. E acontece o contrário, pelas suas infidelidades, ficam elas muito tempo no purgatório, muito mais tempo até que as pessoas do mundo que não receberam tantas graças!


O Manuscrito do Purgatório- 1877


1877


(13 de fevereiro — diante do Santíssimo Sacramento) — Vede como Jesus está só! Neste momento poderia ter Ele aqui mais gente se houvesse um pouco mais de boa vontade. Todavia,, que indiferença até entre as almas religiosas. Nosso Senhor é muito sensível no Santíssimo Sacramento! Pelo menos, então, amai-o pelas almas injustas, e o bom Jesus sentir-se-á confortado e consolado neste desprezo.
(12 de maio) — Mortificai-vos no corpo, mas sobretudo no espírito. Esquecei-vos. Fazei um ato total de abnegação de vós mesma. Não repareis nunca no que fazem as outras. O bom Deus não pede a mesma perfeição de todas as almas. Nem todas são esclarecidas com as mesmas luzes. Vós que a quem Jesus ilumina, não olheis senão para Ele. Que só Ele sela o vosso fim em tudo.
Tende uma confiança sem limites na bondade de Jesus. Se soubésseis que poder tem Ele, haveríeis de pôr assim limites ao seu poder? O que não pode Ele em favor de uma alma que o ama.
Preparai-vos sempre com muito cuidado para a santa comunhão, para a Confissão e para o Oficio Divino, enfim, para tudo que tende a um união maior com Nosso Senhor.
Eu já vos disse que o bom Deus procura neste mundo almas que o amem, mas com este amor de criança, esta ternura respeitosa, é verdade, mas cordial. Pois bem! Ele não encontra estas almas… O número delas é muito menor do que se pensa. Consideram o bom Jesus muito grande para poderem se achegar a Ele, e o amor que lhe dão é muito frio! O respeito afinal se degenera numa certa indiferença. Eu bem sei que nem todas as almas são capazes de compreender este amor que Nosso Senhor pede; mas vós, a quem Jesus fez compreender isto, reparai esta indiferença, esta frieza. Pedi-lhe que dilate o vosso coração para poder conter muito amor. Por vossa ternura e as respeitosas familiaridades que Jesus vos permite podeis reparar o que não é dado a todos compreender. Fazei isto, sim, e sobretudo amai muito.
Não vos canseis jamais de trabalhar. Recomeçai cada dia como se tivésseis de começar e não tivésseis feito nada. Esta renúncia perpétua da própria vontade de seus cômodos, e da maneira, própria de ver, é um longo martírio, mas muito meritório e muito agradável a Deus.





O Manuscrito do Purgatório- 1876

1876


Não só deveis preparar uma morada para Jesus, mas convidá-lo também. Que adiantaria preparar um belo cômodo para um amigo se não o convidassem para entrar?
(Fevereiro) — Sim, é verdade que no céu Deus recebe adorações infinitas; mas, como na terra é que Ele é ultrajado, quer também da terra receber a reparação. E de vós espera esta reparação para que o ameis, a fim de desagravá-lo pela vossa ternura, do abandono que Ele sente por toda parte.
(Anunciação) — Quando Deus quer uma alma só para ele, começa por espremê-la como as uvas no lagar para extrair o suco. Depois, quando esta alma assim espremida venceu as suas paixões, os defeitos, à pro-cura de si, então dispõe dela como bem quer, e se ela é fiel logo ficará toda transformada, e então Jesus a cumula de graças escolhidas e a inunda do seu amor.
 (16 de julho) — A Eucaristia deve ser para vós um ímã que vos atraia sempre cada vez mais. A Eucaristia, numa palavra, deve ser o móvel de toda a vossa vida.
(28 de agosto) — Não tenhais outro desejo além do amar a Deus sempre mais, e de vos unir cada vez mais a Ele. Deveis procurar cada dia estar mais unida a Jesus. Vossa vida deve ser uma vida interior e de união a Jesus, pelos sofrimentos do corpo e da alma, e, principalmente pelo amor.
Deus fez o vosso coração só para Ele. Abandonai-vos a Nosso Senhor sem nunca olhar nem para trás nem para diante. Lançai-vos nos seus braços divinos e junto ao coração, e depois de lá estar, não tenhais medo de nada.
Fazei cada manhã uma oração para adorar a Nosso Senhor em todas as igrejas onde se acha abandonado. Transportai-vos então pelo pensamento para essas igrejas e dizei a Jesus então quanto o amais e quereis reparar o abandono em que Ele se encontra. Renovai esta intenção muitas vezes no dia. Dareis um grande prazer a Jesus.
O bom Deus deseja que penseis sempre nele e que façais tudo sob os seus divinos olhares. Em vossas orações e trabalhos, numa palavra, nunca o deveis perder de vista quanto possível. Tudo isto, entretanto, há de ser feito com tranquilidade e sem afetação.
Não tenhais nenhum desejo a não ser o de amar a Deus cada vez mais.
No fim do vosso retiro tomai como resolução pensar muitas vezes no que vos vou dizer: Deus só! Meu Deus e meu tudo! Tudo passa e passa depressa! O tabernáculo é meu repouso! A Eucaristia é minha vida. A cruz é minha herança. Maria, minha Mãe. O céu, minha esperança.
(20 de novembro) — Não é preciso andar examinando e julgando o que fazem as Irmãs. Não tereis que dar contas a Deus por elas e nem vos modelar por elas. Deus não pede de todos a mesma perfeição. Mortificai-vos e não deveis andar examinando se as outras não fazem o que fazeis, porque Deus não exige isto.
(Natal) — Sim, eu estou muito aliviada, e eu creio que o termo do exílio não está longe. Ai! se soubésseis como desejo ver a Deus.










O Manuscrito do Purgatório- 1875

1875




(Fevereiro) — Vigiai muito o vosso interior. Vossa vida deve ser uma vida de contínuos atos interiores de amor, de mortificação. Nada fazer de extraordinário. Vida bem oculta, bem unida a Jesus.
Deus quer que ameis a Ele Unicamente. Se não puserdes obstáculos às suas graças, Ele tem algumas extraordinárias para vos conceder, e que não deu ainda a ninguém. Ele vos ama de modo todo especial. Não percebestes ainda isto? Procuremos adorar os seus desígnios sem aprofundá-los. Ele é o Senhor e faz com as almas o que bem lhe apraz. Sede sempre muito humilde, bem escondida. Não vos preocupeis com ninguém. Cuidai tão só do que diz respeito à vossa própria santificação.
Amai o bom Deus. Ó como são felizes as almas que possuem este tesouro!
Vossa grande penitência nesta vida não há de ser só a ausência de Jesus mas uma grande dor por todo o pesar que lhe causastes no passado, pelo excesso das graças de que vos cumulou e vos há de conceder ainda, e a impotência em que vos encontrais para retribuir todo amor que desejais lhe dar.
(14 de maio) — Ao fazer o vosso retiro, procurai ter a intenção de não perder nenhuma das graças que Deus vos conceder, e seguir sempre o atrativo de suas graças, ter um grande espírito de fé e um grande recolhimento. Há muito tempo vos estou perseguindo por isto.
É preciso andar sempre tão recolhida, em todas as ações como quando se fica na ação de graças depois da santa Comunhão.
Não deveis fazer nada sem vos recolherdes um instante, e sem consultar Jesus que está em vosso coração: Entendestes?
O, sim, eu amo o bom Deus, mas à medida que uma alma se purifica, isto é, se aproxima do céu, seu amor também cresce cada vez mais.
Pensai muitas vezes no amor que tem por vós. Sede bem fiel a todas as inspirações da graça.
Recomeçai cada dia como se nada ainda tivésseis feito, e sem nunca desanimar.
(18 de maio) — Ó! o número das verdadeiras religiosas, as que têm o verdadeiro espírito, é muito pequeno! Quase uma por cinquenta! É preciso que sejais, custe o que custar, do número destas privilegiadas.
À medida, e na proporção em que eu for me libertando, haveis de me ouvir mais claramente, e, quando eu estiver livre, imediatamente serei para vós um Anjo da Guarda. Mas um anjo que não haveis de ver.
(20 de junho) — Deus pede mas não obriga, não força. Oferece. Ele só quer o coração todo para Ele.
É preciso para obter as graças de Deus, tanto para vós como para a Comunidade, que vos renuncieis de manhã à noite, para que nada procureis em coisa alguma, e tudo seja bem escondido aos olhos das criaturas, e que só Deus saiba de tudo e veja vossos pequenos sacrifícios de cada dia.
Experimentais uma repugnância por diversas coisas. Deus o permite a fim de que possais merecer mais. Prestai atenção e não deixeis perder nada disto.
Quereis saber por que Deus não vos esconde agora as graças que lhe pedis? É porque não tendes bastante confiança nele.
É preciso que ameis a Deus tanto que encontre Ele em vosso coração uma doce mansão onde possa repousar. É preciso que Jesus vos conte os seus sofrimentos, os aborrecimentos que lhe causa o mundo todo o dia, e, da vossa parte, testemunhai-lhe tanto amor que fique Ele consolado.
(14 de agosto) — Não estejais a dar ouvidos a vós mesma. Confiai nele, já não vos disse tantas vezes? Será que Ele não há de querer vos conceder todas as forças necessárias para o servir?
(15 de agosto) — Sim, nós vimos a Santíssima Virgem. Ela subiu ao céu com muitas almas, mas eu… eu fiquei!…
Sentis calor? Ai! se soubésseis o calor do purgatório comparado ao vosso! Uma pequenina oração nos faz tanto bem! Ela nos refrigera como um copo de água fria dada a uma pessoa que tem muita sede.
Fazei todas as vossas ações com olhar em Deus. Eu vos digo: consultai-o antes de tudo que tiverdes de fazer ou dizer. Ó, então quantas graças se hão de derramar sobre vós! Que seja a vossa vida uma, vida de fé e de amor, e se assim fizerdes, já sabeis o que vos disse.
Ocupai-vos do único objeto que há de ser o móvel de toda a vossa vida: Jesus. Sim, Jesus de manhã, Jesus de noite, Jesus de manhã à noite.
(20 de agosto) — Fazei todas as vossas ações sob o olhar de Deus, simplesmente, e neste mundo, não procureis agradar senão a Ele. Enquanto não chegardes a ‘este despojamento de todas as coisas para, não atender `senão a Ele, Ele também não vos deixará em paz.
(8 de setembro) — Deus permite que certas almas tenham uma grande ternura de coração, enquanto outras são menos sensíveis. Tudo está nos seus desígnios. As que têm um coração mais amoroso, este coração Ele o fez assim só para Ele, a fim de que derramem todo este amor no seu Coração adorável. Ele é o Senhor, e dá a, cada um o que bem lhe apraz.
Sofro mais de noite quando repousais. É verdade que eu trago sempre o meu purgatório comigo, mas de dia tenho permissão de vos acompanhar por toda parte, e sofro um pouco menos. Tudo isto é uma permissão de Deus.
(8 de dezembro) — Amai muito ao bom Deus. Não tenhais receio do sofrimento. Confiai muito nele e nunca em vós. Não respireis, não vivais senão para Jesus Cristo!
(12 de dezembro) — Deus Nosso Senhor deseja que antes da adoração perpétua a façais primeiro no coração. Compreendeis bem… É preciso também que vos habitueis a fazer muitas vezes a Comunhão espiritual. Dela haveis de tirar frutos abundantes e os mais salutares, se a fizerdes com boas disposições.


Manuscrito do Purgatório- 1874



(24 de março, 29 domingo de Páscoa) – Ide muitas vezes quanto vos for possível, amanhã, diante do Santíssimo Sacramento. Como eu vos acompanho, terei de estar perto do bom Deus, e isto me alivia.
(Anunciação) – Estou agora, no segundo purgatório. Desde minha morte eu estava no primeiro, onde se sofrem dores muito grandes. Sofre-se também muito no segundo, porém, menos que no primeiro.
Sede sempre um apoio da vossa Superiora.
(Maio) — Eu estou no segundo purgatório desde o dia da Anunciação da Santíssima Virgem. Neste dia, vi pela primeira vez a Santíssima Virgem, porque no primeiro purgatório a gente não a vê. A visita de Maria nos anima, e depois esta boa Mãe nos fala do céu. Enquanto a vemos, nossos sofrimentos parecem diminuídos.
Ai! como desejo ver o céu! Ó que martírio sofremos desde que conhecemos o bom Deus!
O que eu penso… Deus o permite para o vosso bem e para meu alívio. Ouvi bem o que vos vou dizer: Deus tem grandes desígnios, graças para vos conceder. Quer Ele que salveis um grande número de almas. Se por vosso procedimento puserdes obstáculo a isto, um dia haveis de responder por todas as almas que poderíeis ter salvo.
É verdade que não sois digna, mas Deus permitiu isto tudo… Ele é o Senhor e concede as suas graças a quem lhe apraz.
Fazeis muito bem em rezar e mandar rezar para São Miguel. A gente é muito feliz na hora da morte por ter confiança, em alguns santos, para que sejam nossos protetores junto de Deus naquele terrível momento.
Lembrai às vossas filhas as grandes verdades eternas. É preciso abalar as almas de vez em quando com estas verdades.
Não deveis viver senão para Deus. Procurai em toda parte e sempre a glória de Deus.
Quanto bem não podeis fazer às almas!
Nada deveis fazer que não seja para agradar a Deus. Antes de cada ação, recolher-se um momento e ver se é coisa que agrade a Deus. Tudo pelo vosso Jesus. Ó, amai-o muito!
Sim, eu sofro, mas o meu maior tormento é não ver a Deus. É um martírio contínuo que me faz sofrer mais do que o fogo do purgatório. Se mais tarde chegardes a amar a Deus como Ele o quer, haveis de sentir um pouco deste langor que faz desejar a união com o objeto do seu amor: o bom Jesus.
Sim, nós vemos algumas vezes a São José, mas não tantas vezes como a Nossa Senhora.
É preciso que fiqueis indiferente para com tudo, exceto para com Deus. Eis como chegareis ao cume da perfeição a que Jesus vos chama.
Madre N. não teve as Missas que mandou dizer por ela. As religiosas não têm o direito de dispor dos seus bens. É contra a pobreza.
Deus nunca recusa as graças que lhe pedem numa oração bem feita.
O purgatório das religiosas é mais longo e rigoroso que o das pessoas do mundo, porque abusaram mais das graças.
Sim, Deus ama muito a Madre Superiora. Vede que Ele lhe dá uma boa cruz para carregar. Eis a melhor prova do seu amor por ela.
Ninguém pode imaginar o sofrimento que se tem no purgatório! Ninguém pensa nisto neste mundo. As comunidades religiosas também se esquecem disto. Eis porque Deus quer que aqui se reze, especialmente pelas almas do purgatório, e que se inspire esta devoção às alunas, a fim de que elas por sua vez falem dela no mundo.
Não tenhais medo das fadigas. Desde que sejam por Deus, sacrificai tudo por Ele.
Obedecei à vossa Superiora prontamente. Que ela vos faça virar por todas os lados como queira. Sede sempre humilde. Humilhai-vos sempre até o centro da terra, se isto fosse possível.
M. está no purgatório; está no purgatório porque ela paralisou o bem que as Superioras poderiam ter feito, por suas palavras astuciosas.
Tomai como prática a presença de Deus e a pureza de intenção.
Deus procura almas devotadas que o amem só por Ele. Há tão pou-cas! Quer Ele que sejais do número de suas verdadeiras amigas. Pouca gente ama a Deus. Muitos julgam que o amam, mas, na realidade só amam a si próprios. Eis a verdade…
Não, nós não podemos ver a Deus no purgatório… Então seria já o céu!
Quando uma alma procura a Deus sinceramente, por amor e verdadeiramente no seu coração, Ele nunca permite que seja ela enganada.
Entregai-vos, sacrificai-vos, imolai-vos por Deus. Nunca podereis fazer demais por Ele.
Pensai bem que só depois que a gente se encheu bem de piedade é que pode difundi-la para os outros.
Não tenhais respeito humano, ainda mesmo para com as Irmãs mais antigas. Dizei sempre alguma coisa quando se tratar de defender a Superiora.
Não, eu não vejo o bom Deus quando Ele está exposto. Sinto sua presença. Vejo como vós, com os olhos da fé, mas a nossa fé é muito mais viva do que a vossa. Nós sabemos, sim, nós sabemos bem o que é o bom Deus!
Tende sempre Deus convosco. Dizei-lhe tudo como a um amigo e vigiai muito o vosso interior.
Para se preparar bem para a santa Comunhão é preciso amor antes, durante e depois durante a ação de graças. Amor, sempre amor.
Deus quer que não penseis senão nele, que não vivais senão para Ele, e não sonheis senão com Ele, não vos volteis senão para Ele.
Mortificai vosso espírito, vossa língua, isto será muito mais agradável a Deus do que as mortificações do corpo que muitas vezes procedem de nossa própria vontade.
É mister proceder para com Deus como para com um pai, um amigo cheio de ternura, um esposo querido.
É preciso derramar toda a ternura de vosso coração sobre Jesus, sobre Ele tão só, e dar tudo, inteiramente tudo!
Sim, cantareis por toda a eternidade as misericórdias infinitas de Deus para convosco.
É preciso amar tanto a Jesus, e de tal modo, que Ele encontre em vosso coração uma doce mansão onde possa repousar (se assim posso dizer), das ofensas que recebe em toda parte. É mister que o ameis pelos indiferentes, pelas almas relaxadas e covardes e por vós em primeiro lugar. É preciso amá-lo tanto de modo que o vosso exemplo toque.
(12 de dezembro) — Se amardes a Deus, Ele não vos há de recusar nada. Quando uma pessoa ama realmente a uma outra, sabeis muito bem como ela vira e revira em torno dela para obter um sim, para que ela peça alguma coisa e obtenha logo o que deseja. Assim faz Deus para convosco. Ele vos concederá tudo quanto lhe pedirdes.
Deus quer que vos ocupeis só com Ele, com seu amor, e em cumprir sempre a sua vontade santíssima.
Quando a gente se ocupa com Deus, é mister se ocupar também com a salvação das almas. Não haveria grande mérito em se salvar sozinho.