SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA, PAPA BENTO XVI, 2013



Estimados irmãos e irmãs
A todos vós, feliz festa de Maria Imaculada! Neste Ano da fé gostaria de ressaltar que Maria é a Imaculada por um dom gratuito da graça de Deus que, no entanto, encontrou nela uma disponibilidade e colaboração perfeitas. Neste sentido, Ela é «bem-aventurada» porque «acreditou» (Lc 1, 45), porque teve uma fé firme em Deus. Maria representa aquele «resto de Israel», aquela raiz santa que os profetas anunciaram. Nela encontram acolhimento as promessas da Antiga Aliança. Em Maria a Palavra de Deus encontra escuta, recepção e resposta, encontra aquele «sim» que lhe permite encarnar e vir habitar no meio de nós. Em Maria a humanidade e a história abrem-se realmente a Deus, acolhem a sua graça e estão dispostas a cumprir a sua vontade. Maria é expressão genuína da Graça. Ela representa o novo Israel, que as Escrituras do Antigo Testamento descrevem com o símbolo da esposa. E são Paulo retoma esta linguagem na Carta aos Efésios, onde fala do matrimónio e afirma que «Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para a santificar, purificando-a pela água do baptismo com a palavra, para a apresentar a si mesmo toda gloriosa, sem mancha, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível» (5, 25-27). Os Padres de Igreja desenvolveram esta imagem e assim a doutrina da Imaculada nasceu primeiro em referência à Igreja virgem-mãe e, em seguida, a Maria. Assim escreve poeticamente Efrém, o Sírio: «Como os próprios corpos pecaram e morrem, e a terra, sua mãe, é maldita (cf. Gn 3, 17-19), assim por causa deste corpo que é a Igreja incorruptível, la sua terra é abençoada desde o início. Esta terra é o corpo de Maria, templo no qual foi lançada uma semente» (Diatessaron 4, 15: sc 121, 102).
A luz que promana da figura de Maria ajuda-nos a compreender o verdadeiro sentido do pecado original. Com efeito, em Maria está plenamente viva e concreta aquela relação com Deus que o pecado interrompe. Nela não há qualquer oposição entre Deus e o seu ser: há plena comunhão, entendimento integral. Existe um «sim» recíproco, de Deus a Ela e dela a Deus. Maria é livre do pecado porque é toda de Deus, totalmente expropriada para Ele. É cheia da sua Graça, do seu Amor.
Como conclusão, a doutrina da Imaculada Conceição de Maria expressa a certeza de fé que as promessas de Deus se realizaram: que a sua aliança não falha, mas produziu uma raiz santa da qual germinou o Fruto abençoado de todo o universo, Jesus, o Salvador. A Imaculada demonstra que a Graça é capaz de suscitar uma resposta, que a fidelidade de Deus sabe gerar uma  verdadeira e boa.
Amados amigos, esta tarde, como de costume, irei à Praça de Espanha, para a homenagem a Maria Imaculada. Sigamos o exemplo da Mãe de Deus, a fim de que também em nós a Graça do Senhor encontre resposta numa fé genuína e fecunda.


Depois do Angelus
Antes de tudo, desejo assegurar a minha proximidade às populações das Filipinas atingidas nos últimos dias por um violento furacão. Rezo pelas vítimas, pelas suas famílias e pelos numerosos desabrigados. A fé e a caridade fraterna sejam a força para enfrentar esta prova difícil.

Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/angelus/2012/documents/hf_ben-xvi_ang_20121208_po.html

Ineffabilis Deus, definicão dogmatica acerca da Imaculada Conceição, 8 de Dezembro de 1854




Posição e privilégios de Maria nos desígnios de Deus

1. Deus inefável, "cuja conduta toda é bondade e fidelidade", cuja vontade é onipotente, e cuja sabedoria "se estende com poder de um extremo ao outro (do mundo), e tudo governa com bondade", tendo previsto desde toda a eternidade a triste ruína de todo o gênero humano que derivaria do pecado de Adão, com desígnio oculto aos séculos, decretou realizar a obra primitiva da sua bondade com um mistério ainda mais profundo, mediante a Encarnação do Verbo. Porque, induzido ao pecado — contra o propósito da divina misericórdia — pela astúcia e pela malícia do demônio, o homem não devia mais perecer; antes, a queda da natureza do primeiro Adão devia ser reparada com melhor fortuna no segundo.

2. Assim Deus, desde o princípio e antes dos séculos, escolheu e pré-ordenou para seu Filho uma Mãe, na qual Ele se encarnaria, e da qual, depois, na feliz plenitude dos tempos, nasceria; e, de preferência a qualquer outra criatura, fê-la alvo de tanto amor, a ponto de se comprazer nela com singularíssima benevolência. Por isto cumulou-a admiravelmente, mais do que todos os Anjos e a todos os Santos, da abundância de todos os dons celestes, tirados do tesouro da sua Divindade. Assim, sempre absolutamente livre de toda mancha de pecado, toda bela e perfeita, ela possui uma tal plenitude de inocência e de santidade, que, depois da de Deus, não se pode conceber outra maior, e cuja profundeza, afora de Deus, nenhuma mente pode chegar a compreender.

3. E, certamente, era de todo conveniente que esta Mãe tão venerável brilhasse sempre adornada dos fulgores da santidade mais perfeita, e, imune inteiramente da mancha do pecado original, alcançasse o mais belo triunfo sobre a antiga serpente; porquanto a ela Deus Pai dispusera dar seu Filho Unigênito — gerado do seu seio, igual a si mesmo e amado como a si mesmo — de modo tal que Ele fosse, por natureza, Filho único e comum de Deus Pai e da Virgem; porquanto o próprio Filho estabelecera torná-la sua Mãe de modo substancial; porquanto o Espírito Santo quisera e fizera de modo que dela fosse concebido e nascesse Aquele de quem Ele mesmo procede.

Tradição da Igreja sobre a Imaculada Conceição

4. A Igreja Católica, que, instruída pelo Espírito de Deus, é "a coluna e a base da verdade", sempre considerou como divinamente revelada e como contida no depósito da celeste revelação esta doutrina acerca da inocência original da augusta Virgem, doutrina que está tão perfeitamente em harmonia com a sua maravilhosa santidade, e com a sua eminente dignidade de Mãe de Deus; e, como tal, nunca cessou de explica-la, ensina-la e favorece-la cada dia mais, de muitos modos e com atos solenes.

5. Porém esta mesma doutrina, admitida desde os tempos antigos, profundamente radicada na alma dos fiéis e admiravelmente propagada no mundo católico pelo cuidado e pelo zelo dos bispos, de modo o mais claro foi professada pela Igreja quando esta não hesitou em propor a Conceição da Virgem ao culto público e à veneração dos fiéis. Com este ato significativo ela, de fato, mostrava que a Conceição de Maria devia ser venerada como singular, maravilhosa, diferentíssima da de todos os outros homens, e plenamente santa; visto que a Igreja só celebra as festas dos Santos. Por isto é costume da Igreja, quer nos ofícios eclesiásticos, quer na santa Liturgia, usar e aplicar à origem da Virgem as mesmas expressões com que as divinas Escrituras falam da Sabedoria incriada e representam as eternas origens desta, havendo Deus, com um só e mesmo decreto, preestabelecido a origem de Maria e a encarnação da Divina Sabedoria.

6. Todas estas doutrinas e todos estes fatos, em toda parte e geralmente aceitos pelos fiéis, mostram com quanto cuidado a própria Igreja Romana, mãe e mestra de todas as Igrejas, tem favorecido a doutrina da Imaculada Conceição da Virgem. Todavia, parece assaz conveniente recordar em particular os atos mais importantes da Igreja nesta matéria; porquanto é tal a dignidade e autoridade que à Igreja absolutamente pertencem, que ela deve ser considerada o centro da verdade e da unidade católica; é a única que tem guardado inviolavelmente a religião; e todas as outras igrejas devem receber a tradição da fé.

Os Papas favoreceram o culto da Imaculada

7. Pois bem: esta Igreja Romana nada teve mais a peito do que professar, sustentar, propagar e defender por todos os modos mais significativos a Imaculada Conceição da Virgem, o seu culto e a sua doutrina. Tal solicitude é aberta e claramente atestada por inúmeros atos insignes dos Pontífices Romanos Nossos Predecessores, aos quais, na pessoa do Chefe dos Apóstolos, foi pelo próprio Cristo Senhor confiada a tarefa e a autoridade suprema de apascentar os cordeiros e as ovelhas, de confirmar os irmãos e de reger e governar a Igreja.

8. De fato, os Nossos Predecessores consideraram sua glória o haverem, com a sua autoridade Apostólica, instituído na Igreja Romana a festa da Conceição, dotando-a e honrando-a com um Ofício e com uma Missa própria, em que com máxima clareza se afirma a prerrogativa da imunidade de toda mancha original. Além disto, com todo o cuidado promoveram e aumentaram o culto já estabelecido, concedendo Indulgências; concedendo a cidades, províncias e reinos a faculdade de escolherem por Padroeira a Mãe de Deus sob o título da Imaculada Conceição; aprovando irmandades, congregações e famílias religiosas instituídas em honra da Imaculada Conceição; tributando louvores à piedade daqueles que levantavam mosteiros, hospícios, altares, templos sob o título da Imaculada Conceição, ou sob juramento se comprometiam a defender a todo custo a Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

9. Ademais, com a maior alegria ordenaram que a festa da Conceição fosse celebrada em toda a Igreja com solenidade igual à da festa da Natividade; que com oitava fosse celebrada pela Igreja universal e escrupulosamente observada por todos os fiéis como festa de preceito; que todo ano, no dia da festa da Imaculada Conceição de Maria, se promovesse Capela Papal na Nossa patriarcal basílica Liberiana.

10. Desejando, pois, confirmar sempre mais no ânimo dos fiéis esta doutrina da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, e estimular-lhes a piedade do culto e à veneração da Virgem concebida sem pecado original, com sumo prazer concederam a faculdade de citar a Imaculada Conceição da mesma Virgem nas Ladainhas Lauretanas e no próprio Prefácio da Missa; de modo que a norma da fé fosse valorizada pela forma da oração. Portanto, Nós, postos nas pegadas de Predecessores tão ilustres, não somente temos aprovado e aceitado as suas piedosíssimas e sapientíssimas disposições, senão que, lembrados daquilo que Sisto IV instituíra, de muito bom grado confirmamos com a Nossa autoridade o Ofício próprio da Imaculada Conceição, e concedemos o uso dele a toda a Igreja.

Os Papas precisaram o objeto do culto da Imaculada

11. Mas, como tudo o que se refere ao culto está estreitamente ligado com o seu objeto e não pode ter consistência nem duração se este objeto estiver mal definido ou incerto, os Romanos Pontífices Nossos Predecessores, enquanto solicitamente se esforçaram por aumentar o culto da Conceição, intensissimamente se preocuparam também com lhe explicar e inculcar o objeto e a doutrina.

12. Com efeito, eles ensinaram clara e abertamente que, nas festas por eles estabelecidas, se celebrava a Conceição da Virgem; e proscreveram, como falsa e contrária ao pensamento da Igreja a opinião daqueles que entendiam e afirmavam que a Igreja honrava não propriamente a Conceição de Maria, mas a sua santificação. Nem julgaram dever ter maiores considerações com os que, para abalarem a doutrina da Imaculada Conceição, excogitaram uma distinção entre o primeiro e o segundo instante da Conceição, e pretenderam que da Conceição se festejasse não o primeiro, mas o segundo momento. E, na realidade, os mesmos Nossos Predecessores consideraram seu estrito dever não somente sustentarem com todo empenho a festa da Conceição da beatíssima Virgem, mas também asseverarem que o verdadeiro objeto do culto era a Conceição considerada no seu primeiro instante.

13. Daqui as palavras absolutamente peremptórias com que Alexandre VII, Nosso Predecessor, exprimiu o verdadeiro pensamento da Igreja. De fato Ele declarou que "desde a antiguidade, a piedade dos fiéis para com a beatíssima Virgem Maria havia crido que a sua alma, desde o primeiro instante da sua criação e da sua infusão no corpo, por uma especial graça e privilégio de Deus, em vista dos méritos de Jesus Cristo, seu Filho e Redentor do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha do pecado original; e, neste sentido, celebrara ela solenemente a festa da Conceição"1.

14. Mas, os Nossos Predecessores aplicaram-se sobretudo, com todo cuidado, zelo e esforço a manter intacta a doutrina da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. De fato, eles não só, absolutamente, não toleraram que, por quem quer que fosse e de qualquer modo, fosse essa doutrina criticada ou censurada, porém foram ainda muito mais longe, proclamando com claras e reiteradas declarações que a doutrina com que professamos a Imaculada Conceição da Virgem é e deve ser, com toda razão, considerada em tudo conforme ao culto da Igreja; éantiga e quase universal; é tal, que a Igreja Romana começou a favorece-la e a defende-la; e é de todo digna de ter um lugar na própria Liturgia sagrada e nas orações mais solenes.

Os Papas proibiram a doutrina contrária

15. E, não satisfeitos com isto, a fim de que a doutrina acerca da Imaculada Conceição de Maria se conservasse íntegra, proibiram severissimamente sustentar-se, quer em público quer em particular, a opinião a ela contrária, a qual quiseram como de muitos modos ferida de morte. E, para que essas repetidas e claríssimas declarações não redundassem vãs, também lhes aditaram sanções.

16. Tudo isto foi expresso pelo Nosso já lembrado Predecessor Alexandre VII, com as seguintes palavras: 

"Nós temos bem presente que a santa Igreja Romana celebra solenemente a festa da Conceição da imaculada e sempre Virgem Maria, e aprovou outrora um ofício especial e próprio para a dita festa, segundo as disposições que então foram dadas por Sisto IV, Nosso Predecessor. Desejamos, pois, favorecer esta louvável e piedosa devoção, a festa e o culto a ela prestado e que permaneceu inalterado na Igreja Romana desde a instituição da mesma; e, consoante o exemplo dos Romanos Pontífices Nossos Predecessores, defender este devoto modo de venerar e honrar a beatíssima Virgem preservada do pecado original por virtude da graça proveniente do Espírito Santo. Além disto, é Nossa viva preocupação conservar no rebanho de Cristo a unidade do espírito no vínculo da paz, suprimindo as ofensas e as contendas, e removendo os escândalos. Por isto, acolhendo as instâncias e as súplicas a Nós apresentadas pelos preditos bispos, pelos Cabidos das suas igrejas, e pelo rei Filipe e pelos seus reinos, renovamos as Constituições e os Decretos emanados dos Romanos Pontífices Nossos Predecessores, e especialmente de Sisto IV, Paulo V e Gregório XV, em defesa da sentença que sustenta que a alma da bem-aventurada Virgem Maria, na sua criação e infusão no corpo, teve o dom da graça do Espírito Santo e foi preservada do pecado original; e em favor da festa e do culto da Conceição da mesma Virgem Mãe de Deus, entendidos segundo a piedosa sentença supra exposta; e ordenamos que tais Constituições e Decretos sejam plenamente observados sob pena de incorrer nas censuras e nas outras sanções previstas pelas próprias Constituições.
"Outrossim decretamos que todos aqueles que continuarem a interpretar as Constituições e os Decretos supralembrados de modo a tornar vão o favor atribuído pelas Constituições e pelos Decretos àquela sentença, à festa e ao culto; todos aqueles que com discussões se manifestarem contra esta sentença, esta festa e este culto, ou que, de qualquer modo — direta ou indiretamente, — ou sob qualquer pretexto — de lhe examinar a definibilidade, de interpretar a Sagrada Escritura ou os santos Padres, ou de comentar os Doutores, — por escrito ou de viva voz, ousarem falar, pregar, tratar, discutir, precisando, afirmando, aduzindo argumentos — deixados depois insolvidos, — ou por qualquer outro modo inimaginável, além de incorrerem nas penas e censuras contidas nas Constituições de Sisto IV — às quais queremos que estejam sujeitos e às quais, de fato, com esta Constituição os sujeitamos, — são por Nós privados da faculdade de pregar, de dar lições públicas, de ensinar, e de interpretar; são privados da voz ativa e passiva em toda espécie de eleições; incorrem "ipso facto", sem necessidade de qualquer declaração, na pena da incapacidade perpétua para pregar, para dar lições públicas, para ensinar e para interpretar. De tais penas não poderão ser absolvidos ou dispensados senão por Nós ou pelos Sumos Pontífices Nossos Sucessores. Além de a estas penas, sujeitamo-los — e pela presente Constituição declaramo-los sujeitos — a todas as outras penas que puderem ser infligidas ao Nosso arbítrio ou ao dos Sumos Pontífices Nossos Sucessores; confirmando, a respeito, as já lembradas Constituições de Paulo V e Gregório XV.
"Por último, proibimos, e decretamos sujeitos às penas e às censuras contidas no Índice dos Livros proibidos, e ordenamos sejam, "ipso facto" e sem necessidade de qualquer declaração, considerados proibidos, os livros, as prédicas, os tratados, as investigações, publicados ou ainda por publicar, depois do lembrado Decreto de Paulo V, nos quais a supradita sentença, a festa e o culto sejam postos em dúvida ou, de qualquer modo, contrariados".

Consenso de Doutos, de Bispos e de Famílias Religiosas

17. Por outra parte, todos sabem com quanto zelo a doutrina da Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus foi transmitida, sustentada e defendida pelas mais ilustres Famílias religiosas, pelas mais célebres Academias teológicas, e pelos Doutores mais profundos na ciência das coisas divinas. Igualmente, todos conhecem o quanto os bispos têm sido solícitos em sustentar abertamente, mesmo nas assembléias eclesiásticas, que a Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, em previsão dos méritos do Redentor Cristo Jesus, nunca este sujeita ao pecado original, e, por isto, foi remida de maneira mais sublime.

O Concílio de Trento em harmonia com a Tradição

18. A tudo isto se junta o fato, da maior importância e autoridade, de, quando o mesmo Concílio de Trento promulgou o decreto dogmático sobre o pecado original, e, consoante os testemunhos da Sagrada Escritura, dos santos Padres e dos concílios mais autorizados, estatuiu e definiu que todos os homens nascem infectados pelo pecado original, haver todavia solenemente declarado não ser sua intenção abranger em dito Decreto, e na extensão de uma definição tão geral, a bem-aventurada e Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus. De fato, com tal declaração os Padres tridentinos assaz claramente fizeram compreender, por essas circunstâncias, que a beatíssima Virgem Maria foi isenta da culpa original; e com isso demonstraram abertamente que nem das divinas Escrituras, nem da autoridade dos Padres, se pode deduzir qualquer argumento que de qualquer modo esteja em contradição com esta prerrogativa da Virgem.

19. E, na verdade, ilustres e venerandos monumentos da antiga Igreja oriental e ocidental aí estão para atestar que esta doutrina da Imaculada Conceição da beatíssima Virgem, cada vez mais esplendidamente explicada, esclarecida e confirmada pelo autorizadíssimo sentimento, pelo magistério, pelo zelo, pela ciência e pela sabedoria no seio de todas as nações do mundo católico, sempre existiu no seio da mesma Igreja, como recebida por tradição, e revestida do caráter de doutrina revelada.

20. De feito, a Igreja de Cristo, guardiã e vindicadora das doutrinas a ela confiadas, jamais as alterou, nem com acréscimos nem com diminuições; mas trata com todas as deferências e com toda a sabedoria aquelas que a antiguidade delineou e os Padres semearam; e procura limiar e afinar aquelas antigas doutrinas da divina revelação, de modo que recebam clareza, luz e precisão. Assim, enquanto conservam a sua plenitude, a sua integridade e o seu caráter, elas se desenvolvem somente segundo a sua própria natureza, ou seja, no mesmo pensamento, no mesmo sentido.
 
Pensamento dos Padres e dos Escritores Eclesiásticos

21. Ora, os Padres e os escritores eclesiásticos, instruídos pelos divinos ensinamentos, nos livros que escreveram para explicar a Escritura, para defender os dogmas e para instruir os fiéis, tiveram sobretudo a peito pregar e exaltar, em múltipla e maravilhosa porfia, a suma santidade, a dignidade e a imunidade da Virgem, de toda mancha de pecado, e a sua plena vitória sobre o crudelíssimo inimigo do gênero humano.

O Proto-Evangelho

22. Por tal motivo, ao explicar as palavras com que, desde as origens do mundo, Deus anunciou os remédios preparados pela sua misericórdia para a regeneração dos homens, confundiu a audácia da serpente enganadora e reergueu admiravelmente as esperanças do gênero humano, dizendo: "Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela", eles ensinaram que, com esta divina profecia, foi clara e abertamente indicado o misericordiosíssimo Redentor do gênero humano, isto é, o Filho Unigênito de Deus, Jesus Cristo; foi designada sua beatíssima Mãe, a Virgem Maria; e, ao mesmo tempo, foi nitidamente expressa a inimizade de um e de outra contra o demônio.

23. Em conseqüência disto, assim como Cristo, Mediador entre Deus e os homens, assumindo a natureza humana destruiu o decreto de 
condenação que havia contra nós, cravando-o triunfalmente na Cruz, assim também a Santíssima Virgem, unida com Ele por um liame estreitíssimo e indissolvível, foi, conjuntamente com Ele e por meio d’Ele, a eterna inimiga da venenosa serpente, e esmagou-lhe a cabeça com seu pé virginal.

Figuras bíblicas de Nossa Senhora

24. Deste nobre e singular triunfo da Virgem, da sua excelentíssima inocência, pureza e santidade, da sua imunidade do pecado original, e da inefável abundância e grandeza de todas as suas graças, virtudes e privilégios, viram os mesmos Padres uma figura na arca de Noé, que, construída por ordem de Deus, ficou completamente salva e incólume do naufrágio comum; na escada que Jacó viu, da terra, chegar até ao céu: escada por cujos degraus os Anjos subiam e desciam, e em cujo topo estava o próprio Senhor; na sarça que, embora vista por Moisés arder no lugar santo, por todos os lados, em chamas crepitantes, contudo não se consumia nem sofria dano algum, mas continuava a ser bem verde e florida; naquela torre inexpugnável, posta defronte do inimigo, da qual pendem mil escudos e toda a armadura dos fortes; naquele jardim fechado, que não devia ser violado ou danificado por nenhuma fraude ou por nenhuma insídia; naquela resplandecente cidade de Deus, que tem os seus fundamentos sobre as montanhas santas; naquele augusto templo de Deus que, refulgente dos divinos esplendores, está cheio da glória do Senhor; e, enfim, em todas aquelas outras inúmeras figuras em que os Padres divisaram (e lhe transmitiram o ensinamento) o claro prenúncio da excelsa dignidade da Mãe de Deus, da sua ilibada inocência e da sua santidade, nunca sujeita a qualquer mancha.

Expressões dos Profetas

25. Os mesmos Padres, para descreverem esse maravilhoso complexo de dons divinos e a inocência original da Virgem, Mãe de Jesus, recorreram também aos escritos dos Profetas, e celebraram a mesma augusta Virgem como uma pomba pura; como uma Jerusalém santa; como o trono excelso de Deus; como arca santificada; como a casa que a eterna sabedoria para si mesma edificou; e como aquela Rainha que, cumulada de delícias e apoiada ao seu Dileto, saiu da boca do Altíssimo absolutamente perfeita, bela, caríssima a Deus, e jamais poluída por mancha de culpa.

A "Ave-Maria" e o "Magnificat"

26. Depois, quando os mesmos Padres e os escritores eclesiásticos consideravam que, ao dar à beatíssima Virgem o anúncio da 
altíssima dignidade de Mãe de Deus, por ordem do próprio Deus, o Anjo Gabriel lhe chamara cheia de graça, ensinaram que com esta singular e solene saudação, até então nunca ouvida, se demonstrava que a Mãe de Deus era a sede de todas as graças de Deus, era exornada de todos os carismas do Espírito Divino; antes, era um tesouro quase infinito e um abismo inexaurível dos mesmos carismas; de modo que, ela não somente nunca esteve sujeita à maldição, mas foi também, juntamente com seu Filho, participante de perpétua benção: digna de, por Isabel movida pelo Espírito de Deus, ser dita: "Bendita és entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre".

27. Destas interpretações se infere, clara e concorde, a opinião dos Padres. A gloriosíssima Virgem, pela qual "grandes coisas fez Aquele que é poderoso", resplendeu de tal abundância de dons celestes, de tal plenitude de graça e de tal inocência, que se tornou como que por milagre de Deus por excelência, ante a culminância de todos os seus milagres, e digna Mãe de Deus; de modo que, colocada, tanto quanto é possível a uma criatura, como a mais próxima de Deus, ela se tornou superior a todos os louvores dos homens e dos Anjos.

Paralelo com Eva

28. Por conseqüência, para demonstrar a inocência e a justiça original da Mãe de Deus, eles não somente a compararam muitíssimas vezes a Eva ainda virgem, ainda inocente, ainda incorrupta e ainda não enganada pelas mortais insídias da serpente mentirosa, como também a antepuseram a ela com uma maravilhosa variedade de palavras e de expressões. De fato, Eva escutou infelizmente a serpente, e decaiu da inocência original, e tornou-se escrava da serpente; ao contrário, a beatíssima Virgem aumentou continuamente o dom tido na sua origem, e, bem longe de prestar ouvido à serpente, com o divino auxílio quebrou-lhe completamente a violência e o poder.

Expressões de louvor

29. Por isto eles nunca cessaram de aplicar à Mãe de Deus os nomes mais belos: de lírio entre os espinhos; de terra absolutamente 
intacta, virginal, ilibada, imaculada, sempre abençoada e livre de todo contágio do pecado, da qual foi formado o novo Adão; de jardim ordenadíssimo, esplêndido, ameníssimo, de inocência e de imortalidade, delicioso, plantado por Deus mesmo e defendido de todas as insídias da serpente venenosa; de lenho imarcescível, que o verme do pecado jamais corroeu; de fonte sempre límpida e assinalada pelo poder do Espírito Santo; de templo diviníssimo; de escrínio da imortalidade, de só e única filha, não da morte, mas da vida; de rebento não de ira, mas de graça, o qual, embora despontasse de uma raiz corrompida e infecta, por uma divina e providencial exceção à lei geral foi sempre verdejante e florescente. Mas, como se todos estes modos de dizer, ainda que esplendidíssimos, não bastassem, eles além disso afirmaram, com expressões bem claras e precisas, que, quando se trata de pecados, a Virgem Maria nem sequer deve ser nomeada; porque a ela foi dada uma graça superior à que se concede aos outros, a fim de que vencesse totalmente toda espécie de pecado. Asseveraram também que a gloriosíssima Virgem foi a reparadora de seus progenitores; a vivificadora dos pósteros; aquela que o Altíssimo, desde todos os séculos, escolhera e preparara para si; que foi por Deus prenunciada, quando Ele disse à serpente: "Porei inimizades entre ti e a mulher"; que sem dúvida esmagou a cabeça da venenosa da mesma serpente. Por isto eles afirmaram que a mesma beatíssima Virgem foi, por graça, imune de toda a mancha de pecado e livre de todo contágio de corpo, de alma e de intelecto; que, tendo estado unida e junta com Deus por uma eterna aliança, ela nunca esteve nas trevas, mas sim numa luz perene; e, portanto, plenamente digna de vir a ser habitação de Cristo, não pelas disposições do seu corpo, mas pela graça original.

Imaculada

30. A estas, depois, eles juntaram outras nobilíssimas expressões. Falando da Conceição da Virgem, atestaram que a natureza cedeu ante a graça: parou trêmula, e não ousou avança. A Virgem Mãe de Deus não devia ser concebida por Ana antes que a graça afirmasse o seu poder: porquanto devia ser concebida aquela primogênita da qual seria depois concebido o primogênito de toda criatura. Professaram que a carne da Virgem, se bem derivada de Adão, não lhe contraiu as manchas; que, por isto, a beatíssima Virgem foi aquele tabernáculo construído por Deus, formado pelo Espírito Santo, e verdadeiramente de púrpura, o qual aquele novo Beseleel teceu de ouro e com variedade de bordados; que ela foi de fato e justamente celebrada, por ser a obra-prima de Deus, por haver escapado aos dardos inflamados do maligno, e porque, bela por natureza, e absolutamente imune de toda mácula, na sua Conceição Imaculada ela apareceu no mundo como uma aurora de perfeito esplendor. Com efeito, não era conveniente que aquele vaso de eleição fosse ofuscado pelo defeito que ofusca os outros, porque ele foi diferentíssimo dos outros, e, se com eles teve de comum a natureza, não teve de comum a culpa; antes, convinha que o Unigênito, assim como teve nos céus um Pai exaltado pelos Serafins como três vezes santo, assim também tivesse na terra uma Mãe à qual nunca faltasse o esplendor da santidade.

31. E esta doutrina estava tão arraigada na mente e alma dos antigos, que, falando da Mãe de Deus, eles costumavam usar termos 
verdadeiramente extraordinários e singulares. Chamavam-lhe freqüentissimamente: Imaculada, em tudo e por tudo Imaculada; inocente, antes espelho de inocência; ilibada, e ilibada em todos os sentidos; santa e longíssima de toda mancha de pecado; toda pura e toda intacta, antes o exemplar da pureza e da inocência; mais bela do que a beleza, mais graciosa do que a graça, mais santa do que a santidade; a única santa, a puríssima de alma e de corpo, que ultrapassou toda integridade e toda virgindade; a única que se tornou sede de todas as graças do Espírito Santo; tão alta que, inferior só a Deus, foi superior a todos; por natureza, mais bela, mais graciosa e mais santa que os próprios Querubins e Serafins e do que todas as falanges dos Anjos; superior a todos os louvores do céu e da terra. E ninguém ignora que esta linguagem foi como que espontaneamente introduzida também nas páginas da santa Liturgia e dos ofícios eclesiásticos, nos quais volta muitíssimas vezes com tom quase dominante. Nessas páginas, de feito, a Mãe de Deus é invocada e exaltada como única pomba de incorruptível beleza, e como a rosa sempre fresca. É invocada e louvada como puríssima, sempre imaculada e sempre bem-aventurada; antes, como a própria inocência que nunca foi lesada, e como a segunda Eva, que deu à luz o Emanuel.

Consenso unânime e Petições para a Definição do Dogma

32. Nada de admirar, pois, se os Pastores da Igreja e o povo fiel sempre se comprazeram em professar com tanta piedade, devoção e amor a doutrina da Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus, que, a juízo dos Padres, está contida na Sagrada Escritura, foi transmitida por tantos dos seus importantíssimos testemunhos, é expressa e celebrada por tantos ilustres monumentos da veneranda antiguidade, e é proposta e confirmada pelo mais alto e mais autorizado magistério da Igreja. Nada de admirar, pois, se Pastores e fiéis sempre demonstraram nada terem de mais doce e de mais caro do que honrarem, venerarem, invocarem e exaltarem por toda parte com fervorosíssimo afeto a Virgem Mãe de Deus, concebida sem o pecado original.

33. Por isto, desde os tempos mais antigos, bispos, eclesiásticos, Ordens regulares, e mesmo imperadores e reis apresentaram vivas 
instâncias a esta Sé Apostólica a fim de que fosse definida como dogma de fé católica a Imaculada Conceição da Santíssima Mãe de Deus. Pedidos que foram reiterados mesmo nos nossos tempos e apresentados especialmente ao Nosso Predecessor, de feliz memória, Gregório XVI, e a Nós mesmo, pelos bispos, pelo clero secular, por Famílias religiosas, como também por soberanos e por povos fiéis.

34. Portanto Nós, bem conhecendo e atentamente considerando todas estas coisas com singular alegria do Nosso coração, logo que, por imperscrutável disposição da Divina Providencia, fomos elevados a esta sublime Cátedra de Pedro, e, embora imerecedor, tomamos em mão o governo de toda a Igreja, certamente nada tivemos mais a peito — dada a terníssima veneração, piedade e afeto que desde os primeiros anos nutrimos para com a Santíssima Virgem Maria Mãe de Deus — do que levar a cumprimento tudo aquilo que ainda podia estar nos votos da Igreja, para que fosse aumentada a honra da beatíssima Virgem e resplendessem de nova luz as suas prerrogativas.

Trabalho de preparação

35. Mas, querendo proceder com toda prudência, constituímos uma Comissão especial de Veneráveis Irmãos Nossos, Cardeais da santa Igreja Romana, ilustres por piedade, por ponderação de juízo e por ciência das coisas divinas, e escolhemos entre o clero secular e o regular homens particularmente versados nas disciplinas teológicas, com o encargo de examinarem com a maior diligência tudo o que diz respeito à Imaculada Conceição da Virgem, e nos darem depois o seu parecer.

36. E, conquanto as instâncias a Nós dirigidas a fim de implorar a definição da Imaculada Conceição já nos houvessem demonstrado bastante qual fosse o pensamento de muitíssimos bispos, todavia, a 2 de fevereiro de 1849, enviamos, de Gaeta, uma Encíclica a todos os Veneráveis Irmãos bispos do mundo católico, a fim de que, depois de orarem a Deus, nos fizessem saber, mesmo por escrito, qual era a piedade e devoção dos seus fiéis para com a Imaculada Conceição da Mãe de Deus; o que era que pensavam, especialmente eles — os bispos — da definição em projeto; e, por último, que desejos tinham a exprimir, para que o Nosso supremo juízo pudesse ser manifestado com a maior solenidade possível.

37. E, na verdade, foi bastante grande a consolação que experimentamos, quando nos chegaram as respostas dos mesmos Veneráveis Irmãos. De fato, com cartas das quais transparece um incrível, um jubiloso entusiasmo, eles não somente nos confirmaram novamente a sua opinião e devoção pessoal e a do seu clero e dos seus fiéis, mas também, com voto que se pode dizer unânime, pediram-nos que, com o Nosso supremo juízo e autoridade, definamos a Imaculada Conceição da mesma Virgem.

38. E menor não foi a Nossa alegria quando os Nossos Veneráveis Irmãos Cardeais da santa Igreja Romana, membros da mencionada 
Comissão, e os preditos teólogos consultores, por Nós escolhidos, após diligente exame da questão também nos pediram, com igual solicitude e fervor, a definição da Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

39. Depois de tudo isto, seguindo os claros exemplos dos Nossos Predecessores, e desejando proceder segundo as normas tradicionais, convocamos e levamos a efeito um Consistório, no qual dirigimos uma alocução aos Nossos Veneráveis Irmãos Cardeais da Santa Igreja Romana, e com suma consolação da Nossa alma os ouvimos rogar-nos quiséssemos pronunciar a definição dogmática da Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus.

40. Destarte, firmemente nos persuadimos, no Senhor, ser chegado o tempo oportuno para definir a Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus, a qual a Sagrada Escritura, a veneranda tradição, o constante sentimento da Igreja, o singular consenso dos bispos católicos e dos fiéis, e os atos memoráveis e as constituições dos Nossos Predecessores, admiravelmente ilustram e explicam. Portanto, após havermos diligentissimamente considerado todas as coisas e termos elevado assíduas e fervorosas preces a Deus, julgamos não haver tardar mais a sancionar e definir com o Nosso supremo juízo a Imaculada Conceição da mesma Virgem, e assim satisfazer os piedosíssimos desejos do mundo católico e a Nossa devoção para com a mesma S.S. Virgem, e ao mesmo tempo honrar sempre mais nela seu Filho Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo; pois todos estão convencidos de que toda a honra e glória que se rende à Mãe recai sobre seu Filho.

A Definição do Dogma

41. Por isto, depois de na humildade e no jejum, dirigirmos sem interrupção as Nossas preces particulares, e as públicas da Igreja, a Deus Pai, por meio de seu Filho, a fim de que se dignasse de dirigir e sustentar a Nossa mente com a virtude do Espírito Santo; depois de implorarmos com gemidos o Espírito consolador; por sua inspiração, em honra da santa e indivisível Trindade, para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica, e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a Nossa, declaramos, pronunciamos e definimos:
Doctrinam, quæ tenet, beatissimam Virginem Mariam in primo instanti suæ conceptionis fuisse singulari omnipotentis Dei gratia et privilegio, intuitu meritorum Christi Jesu Salvatoris humani generis, ab omni originalis culpæ labe præservatam immunem, esse a Deo revelatam atque idcirco ab omnibus fidelibus firmiter constanterque credendam.
A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.

42. Portanto, se alguém (que Deus não permita!) deliberadamente entende de pensar diversamente de quanto por Nós foi definido, conheça e saiba que está condenado pelo seu próprio juízo, que naufragou na fé, que se separou da unidade da Igreja, e que, além disso, incorreu por si, "ipso facto", nas penas estabelecidas pelas leis contra aquele que ousa manifestar oralmente ou por escrito, ou de qualquer outro modo externo, os erros que pensa no seu coração.

Sentimentos de esperança e exortação final

43. A nossa boca está cheia de alegria e os Nossos lábios de exultação, e damos e daremos sempre as mais humildes e as mais vivas ações de graças a Nosso Senhor Jesus Cristo, por nos haver concedido a graça singular de podermos, embora imerecedor, oferecer e decretar esta honra, esta glória e este louvor à sua Santíssima Mãe. E depois reafirmamos a Nossa mais confiante esperança na beatíssima Virgem, que, toda bela e imaculada, esmagou a cabeça venenosa da crudelíssima serpente, e trouxe a salvação ao mundo; naquela que é glória dos Profetas e dos Apóstolos, honra dos Mártires, alegria e coroa de todos os Santos; seguríssimo refúgio e fidelíssimo auxilio de todos os que estão em perigo; poderosíssima mediadora e reconciliadora de todo o mundo junto a seu Filho Unigênito; fulgidíssima beleza e ornamento da Igreja, e sua solidíssima defesa. Reafirmamos a Nossa esperança naquela que sempre destruiu todas as heresias, salvou os povos fiéis de gravíssimos males de todo gênero, e a Nós mesmos tem livrado de tantos perigos que nos ameaçam. Confiamos que ela queira, com a sua eficacíssima proteção, fazer com que a nossa Santa Madre Igreja Católica, superando todas as dificuldades e desbaratando todos os erros, prospere e floresça cada dia mais no meio de todos os povos e em todos os lugares, "do mar ao mar, e do rio até aos confins da terra", e tenha paz, tranqüilidade e liberdade completa; que os culpados alcancem o perdão, os doentes a saúde, os tímidos a força, os aflitos a consolação, os periclitantes o auxílio; que todos os errantes, dissipada a névoa da sua mente, voltem ao caminho da verdade e da justiça, e haja um só aprisco sob um só Pastor.

44. Escutem as Nossas palavras todos os caríssimos filhos Nossos e da Igreja Católica, e com sempre mais ardente fervor de devoção, de piedade e de amor continuem a venerar, a invocar, a suplicar a beatíssima Virgem Maria Mãe de Deus, concebida sem o pecado original, e com toda confiança recorram a esta dulcíssima Mãe de misericórdia e de graça, em todos os perigos, em todas as angústias, em todas as necessidades, em todas as dúvidas e em todas as apreensões. De feito, não pode haver lugar para temor ou para desespero quando ela é a nossa condutora e a nossa protetora, quando ela nos é propícia e nos protege; pois que ela tem para conosco um coração materno, e, enquanto trata os negócios que dizem respeito à salvação de cada um de nós, é solícita de todo o gênero humano. Constituída por Deus Rainha do céu e da terra, e exaltada acima de todos os coros dos Anjos e de todas as ordens dos Santos, ela estáà direita de seu Filho Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo, e com as suas poderosíssimas preces de Mãe suplica; acha o que procura, e não pode ficar frustrada.

45. Enfim, para que esta Nossa definição da Imaculada Conceição da beatíssima Virgem Maria possa ser levada ao conhecimento da Igreja universal, estabelecemos que, como perpétua lembrança dessa definição, fique esta Nossa Carta Apostólica, e ordenamos que às suas transcrições ou cópias, mesmo impressas, contanto que subscritas por mão de algum tabelião público e munidas do selo de algum dignitário eclesiástico, se preste absolutamente a mesma fé que prestaria à presente, se fosse exibida ou mostrada.
Ninguém, portanto, se permita infringir este texto da Nossa declaração, proclamação e definição, nem contrariá-lo e contravir-lhe. E, se alguém tivesse a ousadia de tenta-lo, saiba que incorre na indignação de Deus onipotente e dos bem-aventurados Pedro e Paulo, seus apóstolos.
Dado em Roma, junto a S. Pedro, no ano mil e oitocentos e cinqüenta e quatro da Encarnação do Senhor, a 8 de dezembro de 1854, nono ano do Nosso Pontificado.

Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Unievrso




Basílica Vaticana
Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Unievrso
Domingo, 21 de Novembro de 2010

CONCELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA COM OS NOVOS CARDEAIS
 E ENTREGA DO ANEL CARDINALÍCIO
HOMILIA DO PAPA BENTO XVI

Senhores Cardeais
Venerados Irmãos
no Episcopado e no Sacerdócio
Estimados irmãos e irmãs
Na solenidade de Cristo Rei do universo, temos a alegria de nos reunirmos ao redor do Altar do Senhor, juntamente com os 24 novos Cardeais, que ontem agreguei ao Colégio Cardinalício. Antes de tudo, dirijo-lhes a minha cordial saudação, que faço extensiva aos demais Purpurados e a todos os Prelados aqui presentes, assim como às ilustres Autoridades, aos Senhores Embaixadores, aos Sacerdotes, aos Religiosos e a todos os fiéis, vindos de várias regiões do mundo para esta feliz circunstância, que reveste um acentuado cariz de universalidade.
Muitos de vós puderam observar que também o precedente Consistório público para a criação de Cardeais, realizado em Novembro de 2007, foi celebrado na vigília da solenidade de Cristo-Rei. Transcorreram três anos e, portanto, segundo o ciclo litúrgico dominical, a Palavra de Deus vem ao nosso encontro através das mesmas Leituras bíblicas, próprias desta importante festividade. Ela insere-se no último domingo do ano litúrgico e apresenta-nos, no final do itinerário da fé, o semblante régio de Cristo, como o Pantocrator na abside de uma antiga basílica. Esta coincidência convida-nos a meditar profundamente sobre o ministério do Bispo de Roma e a ele ligado, dos Cardeais, à luz da singular Realeza de Jesus, nosso Senhor.
O primeiro serviço do Sucessor de Pedro é o da fé. No Novo Testamento, Pedro torna-se «pedra» da Igreja, enquanto portador do Credo: o «nós» da Igreja começa com o nome daquele que foi o primeiro a professar a fé em Cristo, tem início com a sua fé; uma fé primeiro imatura e ainda «demasiado humana», mas sucessivamente, depois da Páscoa, madura e capaz de seguir Cristo até ao dom de si; madura para crer que Jesus é verdadeiramente o Rei; que o é, precisamente porque permaneceu na Cruz, e de tal modo ofereceu a vida pelos pecadores. No Evangelho vê-se que todos pedem a Jesus que desça da cruz. Zombam dele, mas este é também um modo para se desculparem, como se dissessem: não é nossa culpa, se Tu estás ali na cruz; a culpa é somente tua, porque se Tu fosses verdadeiramente o Filho de Deus, o Rei dos judeus, Tu estarias ali, mas salvar-te-ias, descendo daquele patíbulo infame. Portanto, se ficas ali, quer dizer que estás errado e nós estamos certos. O drama que se desenvolve aos pés da cruz de Jesus é um drama universal; diz respeito a todos os homens diante de Deus que se revela por aquilo que é, ou seja, Amor. Em Jesus crucificado, a divindade é desfigurada, despojada de toda a glória visível, mas está presente e é real. Só a fé sabe reconhecê-la: a fé de Maria, que une no seu Coração também este fragmento do mosaico da vida do seu Filho; Ela ainda não consegue ver tudo, mas continua a confiar em Deus, repetindo mais uma vez com o mesmo abandono: «Eis a serva do Senhor» (Lc 1, 38). E além disso há a fé do bom ladrão: uma fé superficial, mas suficiente para lhe garantir a salvação: «Hoje estarás comigo no Paraíso». É decisivo aquele «comigo». Sim, é isto que o salva. Sem dúvida, o bom ladrão está na cruz como Jesus, mas sobretudo está na cruz comJesus. E, contrariamente ao outro malfeitor e a todos os demais que o ridicularizam, não pede a Jesus que desça da cruz, nem que o faça descer. Ao contrário, diz: «Recorda-te de mim, quando entrares no teu reino». Vê-o na cruz desfigurado, irreconhecível, e no entanto confia-se a Ele como a um rei, aliás como ao Rei. O bom ladrão acredita naquilo que está escrito no letreiro acima da cabeça de Jesus: «Rei dos judeus»: crê e confia. Por isso já está, imediatamente, no «hoje» de Deus, no Paraíso, porque o Paraíso consiste nisto: estar com Jesus, estar com Deus.
Dilectos Irmãos, eis então que sobressai claramente a mensagem primária e fundamental que a Palavra de Deus nos diz hoje: a mim, Sucessor de Pedro, e também a vós, Cardeais. Chama-nos aestar com Jesus, como Maria, e não a pedir-lhe que desça da cruz, mas a permanecer ali com Ele. E isto, por causa do nosso ministério, temos que o fazer não apenas para nós mesmos, mas para a Igreja inteira, para todo o povo de Deus. Dos Evangelhos nós sabemos que a cruz foi o ponto crítico da fé de Simão Pedro e dos outros Apóstolos. É claro, e não podia ser de outra forma: eles eram homens e pensavam «segundo os homens»; não podiam tolerar a ideia de um Messias crucificado. A «conversão» de Pedro realiza-se plenamente, quando renuncia ao desejo de «salvar» Jesus e aceita ser salvo por Ele. Renuncia ao desejo de salvar Jesus da cruz e aceita ser salvo pela sua cruz. «Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos» (Lc 22, 32), diz o Senhor. O ministério de Pedro consiste inteiramente na sua fé, uma fé que Jesus reconhece imediatamente, desde o início, como genuína, como dádiva do Pai celestial; mas uma fé que deve passar através do escândalo da cruz, para se tornar autêntica, verdadeiramente «cristã», para se tornar a «rocha» sobre a qual Jesus possa construir a sua Igreja. A participação no Senhorio de Cristo verifica-se, de modo concreto, unicamente na partilha da sua humilhação, mediante a Cruz. Caros Irmãos, também o meu ministério e por conseguinte inclusive o vosso, consiste inteiramente na fé. Jesus pode construir sobre nós a sua Igreja, na medida em que encontrar em nós aquela fé verdadeira, pascal, aquela fé que não quer fazer com que Jesus desça da Cruz, mas que se confia a Ele na Cruz. Neste sentido, o lugar genuíno do Vigário de Cristo é a Cruz, é o persistir na obediência da Cruz.
Este ministério é difícil, porque não está em sintonia com o modo de pensar dos homens — com aquela lógica natural que, de resto, permanece sempre activa também em nós mesmos. No entanto, este é e permanece sempre o nosso serviço primário, o serviço da fé, que transforma a vida inteira: crer que Jesus é Deus, que é o Rei, precisamente porque chegou até àquele ponto, porque nos amou até ao extremo. E nós devemos testemunhar e anunciar esta realeza paradoxal como Ele — o Rei — fez, ou seja seguindo o seu próprio caminho e esforçando-nos por adoptar a sua lógica, a lógica da humildade e do serviço, do grão que morre para produzir o fruto. O Papa e os Cardeais são chamados a estar profundamente unidos, antes de tudo, neste ponto: todos juntos, sob a chefia do Sucessor de Pedro, devem permanecer no Senhorio de Cristo, pensando e agindo em conformidade com a lógica da Cruz — e isto nunca é fácil, nem óbvio. Nisto, temos que ser compactos, e somo-lo porque não nos une uma ideia, uma estratégia, mas sim o amor de Cristo e o seu Espírito Santo. A eficácia do nosso serviço à Igreja, Esposa de Cristo, depende essencialmente disto, da nossa fidelidade à realeza divina do Amor crucificado. Por isso, no anel que hoje vos entrego, selo do vosso pacto nupcial com a Igreja, está representada a imagem da Crucifixão. E pelo mesmo motivo, a cor do vosso hábito faz alusão ao sangue, símbolo da vida e do amor. O Sangue de Cristo que, segundo uma antiga iconografia, Maria recebe do lado trespassado do Filho morto na cruz; e que o Apóstolo João contempla, enquanto jorra juntamente com a água, segundo as Escrituras proféticas.
Prezados Irmãos, daqui deriva a nossa sabedoria: sapientia Crucis. Sobre isto ponderou profundamente Paulo, o primeiro que delineou um pensamento cristão orgânico, centrado precisamente no paradoxo da Cruz (cf. 1 Cor 1, 18-25; 2, 1-8). Na Carta aos Colossenses — da qual a Liturgia de hoje propõe o hino cristológico — a reflexão paulina, fecundada pela graça do Espírito, já alcança um nível impressionante de síntese ao expressar um autêntico conceito de Deus e do mundo, da salvação pessoal e universal; e tudo está centrado em Cristo, Senhor dos corações, da história e do cosmos: «Porque aprouve a Deus fazer habitar nele toda a plenitude, e que por Ele todas as criaturas fossem reconciliadas consigo, pacificando pelo sangue da sua Cruz tudo quanto existe na terra e nos céus» (Cl 1, 19-20). Caros Irmãos, é isto que somos sempre chamados a anunciar ao mundo: Cristo «imagem do Deus invisível», Cristo «Primogénito de toda a criação» e «daqueles que ressuscitam dos mortos», para que — como escreve o Apóstolo — «Ele tenha a primazia sobre todas as coisas» (Cl 1, 15.18). A primazia de Pedro e dos seus Sucessores está totalmente ao serviço desta primazia de Jesus Cristo, único Senhor; ao serviço do seu Reino, ou seja, do seu Senhorio de amor, a fim de que ela venha e se difunda, renove os homens e as coisas, transforme a terra e faça germinar nela a paz e a justiça.
No contexto deste desígnio, que transcende a história e ao mesmo tempo nela se revela e se resume, encontra lugar a Igreja, «corpo» cuja «Cabeça» é Cristo (cf. Cl 1, 18). Na Carta aos Efésios, São Paulo fala explicitamente do Senhorio de Cristo, colocando-o em relação com a Igreja. Ele formula uma oração de louvor à «grandeza do poder de Deus», que ressuscitou Cristo e que O constituiu Senhor universal, e depois conclui: «E Ele [Deus] sob os seus pés sujeitou todas as coisas, / e constituiu-o Cabeça de toda a Igreja, / que é o seu corpo, / a plenitude daquele que é o perfeito cumprimento de todas as coisas» (Ef 1, 22-23). A própria palavra «plenitude», que compete a Cristo, Paulo atribui-a aqui à Igreja, mediante a participação: com efeito, o corpo participa da plenitude da Cabeça. Venerados Irmãos Cardeais — dirijo-me também a todos vós, que compartilhais connosco a graça de ser cristãos — eis no que consiste a nossa alegria: participar, na Igreja, na plenitude de Cristo através da obediência da Cruz, «participar na sorte dos santos na luz», o facto de termos sido «introduzidos» no Reino do Filho de Deus (cf. Cl 1, 12-13). Por isso, nós vivemos em acção de graças perene, e até através das provações não esmorecem a alegria e a paz que Cristo nos deixou, como garantia do seu Reino, que já se encontra no meio de nós, que esperamos com fé e esperança, e que antegozamos na caridade.

SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA


SANTA MISSA NA SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO
DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA

HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Paróquia de Santo Tomás de Vilanova, Castel Gandolfo

Quarta-feira 15 de Agosto de 2012


Prezados irmãos e irmãs!
No dia 1 de Novembro de 1950, o Venerável Papa Pio XII proclamava como dogma que a Virgem Maria, «concluindo o curso da vida terrena, foi elevada à glória celeste em alma e corpo». Esta verdade de fé era conhecida pela Tradição, afirmada pelos Padres da Igreja, e representava sobretudo um aspecto relevante do culto prestado à Mãe de Cristo. Precisamente o elemento cultual constituiu, por assim dizer, a força motriz que determinou a formulação deste dogma: o dogma manifesta-se como um acto de louvor e de exaltação à Virgem Santa. Isto sobressai também do próprio texto da Constituição apostólica, onde se afirma que o dogma é proclamado «em honra do Filho, para a glorificação da Mãe e o júbilo de toda a Igreja». Assim, exprime-se de forma dogmática aquilo que já tinha sido celebrado no culto e na devoção do Povo de Deus, como a mais elevada e estável glorificação de Maria: o acto de proclamação da Assunção apresenta-se quase como uma liturgia da fé. E no Evangelho que há pouco ouvimos, a própria Maria pronuncia profeticamente algumas palavras que orientam nesta perspectiva. Ela diz: «Doravante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada» (Lc 1, 48). Trata-se de uma profecia para toda a história da Igreja. Esta expressão do Magnificat, mencionada por são Lucas, indica que o louvor à Virgem Santa, Mãe de Deus, intimamente unida a Cristo seu Filho, diz respeito à Igreja de todos os tempos e de todos os lugares. E a anotação destas palavras por parte do Evangelista pressupõe que a glorificação de Maria já estava presente no período de são Lucas e que ele a considerava um dever e um compromisso da comunidade cristã para todas as gerações. As palavras de Maria dizem que é um dever da Igreja recordar a grandeza de Nossa Senhora para a fé. Por conseguinte, esta solenidade é um convite a louvar a Deus e a contemplar a grandeza de Nossa Senhora, porque é no rosto dos seus que nós conhecemos quem é Deus.
Mas por que motivo Maria é glorificada com a Assunção ao Céu? Como ouvimos, são Lucas vê a raiz da exaltação e do louvor a Maria na expressão de Isabel: «Bem-aventurada aquela que acreditou» (Lc 1, 45). E o Magnificat, este cântico ao Deus vivo e em acção na história, é um hino de fé e de amor, que brota do coração da Virgem. Ela viveu com fidelidade exemplar e conservou no mais íntimo do seu coração as palavras de Deus ao seu povo, as promessas feitas a Abraão, Isaac e Jacob, fazendo delas o conteúdo da sua oração: no Magnificat a Palavra de Deus tornou-se a palavra de Maria, lâmpada do seu caminho, de maneira a torná-la disponível a acolher também no seu seio o Verbo de Deus que se fez carne. A página evangélica de hoje evoca esta presença de Deus na história e no próprio desenrolar dos acontecimentos; aqui há uma referência particular aoSegundo livro de Samuel no capítulo 6 (1-15), onde David transporta a Santa Arca da Aliança. O paralelo que o Evangelista faz é claro: Maria à espera do nascimento do Filho Jesus é a Arca Santa que traz em si a presença de Deus, uma presença que é fonte de consolação, de alegria plena. Com efeito, João dança no seio de Isabel, precisamente como David dançava diante da Arca. Maria é a «visita» de Deus que cria júbilo. No seu cântico de louvor, Zacarias di-lo-á explicitamente: «Bendito o Senhor, Deus de Israel, que visitou e redimiu o seu povo» (Lc 1, 68). A casa de Zacarias experimentou a visita de Deus com o nascimento inesperado de João Baptista, mas sobretudo com a presença de Maria, que traz no seu seio o Filho de Deus.
Mas agora interroguemo-nos: o que é que a Assunção de Maria confere ao nosso caminho, à nossa vida? A primeira resposta é: na Assunção vemos que em Deus existe espaço para o homem, o próprio Deus é a casa de muitos aposentos da qual Jesus fala (cf. Jo 14, 2); Deus é a casa do homem, em Deus há espaço de Deus. Quanto a Maria, unindo-se, unida a Deus, não se afasta de nós, não vai a uma galáxia desconhecida, mas quem procura Deus aproxima-se, porque Deus está próximo de todos nós; e Maria, unida a Deus, participa da presença de Deus, encontra-se extremamente próxima de nós, de cada um de nós. Há uma bonita palavra de são Gregório Magno sobre são Bento, que podemos aplicar de novo a Maria: são Gregório Magno afirma que o coração de são Bento se tornou tão grande, que toda a criação podia entrar nesse coração. Isto é válido ainda mais para Maria: totalmente unida a Deus, Maria tem um coração tão grande que toda a criação pode entrar nele, e os ex-votos demonstram-no em todas as partes da terra. Maria está próxima, pode ouvir, pode ajudar, encontra-se próxima de todos nós. Em Deus há espaço para o homem e Deus está próximo; quanto a Maria, unida a Deus, está extremamente próxima, tem um coração tão grande quanto o coração de Deus.
Mas existe também outro aspecto: em Deus não existe espaço unicamente para o homem; no homem há espaço para Deus. Também isto vemos em Maria, a Arca Santa que traz em si a presença de Deus. Em nós há espaço para Deus, e esta presença de Deus em nós, tão importante para iluminar o mundo na sua tristeza, nos seus problemas, esta presença realiza-se na fé: na fé abrimos as portas do nosso ser, de tal forma que Deus entre em nós, a fim de que Deus possa ser a força que dá vida e caminho ao nosso ser. Em nós existe espaço, abramo-nos como Maria se abriu, dizendo: «Que se cumpra em mim a tua vontade, eu sou a serva do Senhor». Abrindo-nos a Deus, nada perdemos. Pelo contrário: a nossa vida torna-se rica e grande.
E deste modo fé, esperança e amor combinam-se entre si. Hoje existem muitas palavras sobre um mundo melhor a esperar: seria a nossa esperança. Se e quando este mundo melhor virá, nós não o sabemos, eu não sei. Obviamente, um mundo que se afasta de Deus não se torna melhor, mas pior. Somente a presença de Deus pode garantir também um mundo bom. Mas deixemos isto.
Uma realidade, uma esperança é certa: Deus espera por nós, aguarda-nos, não caminhamos no vazio, somos aguardados. Deus espera-nos e, indo para o outro mundo, encontramos a bondade da Mãe, encontramos os nossos, encontramos o Amor eterno. Deus aguarda-nos: esta é a nossa grande alegria e a grandiosa esperança que nasce precisamente desta festa. Maria visita-nos, é a alegria da nossa vida, e a alegria é esperança.
Portanto, o que podemos dizer? Coração grande, presença de Deus no mundo, espaço de Deus em nós e espaço de Deus para nós, esperança, ser esperado: tal é a sinfonia desta festa, a indicação que a meditação desta Solenidade nos concede. Maria é aurora e esplendor da Igreja triunfante; ela constitui a consolação e a esperança para o povo ainda a caminho, comenta o Prefácio hodierno. Confiemo-nos à sua intercessão materna para que, através do Senhor, fortaleçamos a nossa fé na vida eterna; ajude-nos a viver bem o tempo que Deus nos oferece com esperança. Uma esperança cristã, que não é apenas saudade do Céu, mas desejo vivo e concreto de Deus aqui no mundo, desejo de Deus que nos torna peregrinos incansáveis, alimentando em nós a coragem e a força da fé, que é ao mesmo tempo coragem e fortaleza do amor. Amém!

Fonte:
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2012/documents/hf_ben-xvi_hom_20120815_assunzione_po.html

CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA DO PAPA PIO XII MUNIFICENTISSIMUS DEUS



CONSTITUIÇÃO DO PAPA PIO XII Apostolica
Munificentissimus Deus
Definição DO DOGMA DA ASSUNÇÃO
DE NOSSA SENHORA
 EM CORPO E ALMA AO CÉU
  
Introdução 
1. Deus munificentíssimo, Que Tudo Pode, e cujos Planos de Providência São cheios de Sabedoria e de amor, nos imperscrutáveis ​​desígnios SEUS, entremeia na Vida OS Povos e dos indivíduos Como Dores com Como alegrias, Paragrafo que POR Diversos Caminhos e de Varias Maneiras Tudo coopere Paragrafo O Bem dos que o AmAm (cf. Rm 8,28).
2 O Nosso pontificado, tempos a Assim Como OS Atuais, Tem Sido assediado POR inúmeros Cuidados, preocupações e angústias, devido ÀS Grandes Calamidades e POR muitos Que Andam afastados da Verdade e da Virtude. Mas Paragrafo E NÓS de grande Conforto ver como, A MEDIDA Que UMA Fé Católica se Manifesta publicamente CADA Vez Mais Ativa, AUMENTA também Joe Cada Diâmetro O Amor ea Devoção Paragrafo com UMA Mãe de Deus, e Quase POR Toda Parte ISSO E Estímulo e auspício de UMA Vida Melhor e Mais Papai Noel. ASSIM E sucede Que, POR UM Lado, um desempenha Santíssima Virgem amorosamente uma SUA Missão de Mãe Paragrafo com OS que foram remidos Pelo Sangue de Cristo, e POR Outro, Como inteligências e Os Corações dos Filhos São estimulados a UMA MAIS PROFUNDA e diligente Contemplação DOS SEUS privilégios.
3 de Fato, Deus, que a partir de Toda a Eternidade olhou par a virgem Maria com particular, e pleníssima complacencia, quando Chegou à dos tempos (Gl plenitude 4,4) atuou o plano da SUA Providência de forma que refulgissem com perfeitíssima harmonia OS privilégios e prerrogativas Que LHE concedera com SUA liberalidade. A Igreja de Semper reconheceu ESTA grande liberalidade ea Perfeita harmonia de Graças, e Durante o decurso dos Séculos de Semper procurou estudá-la Melhor. Nestes tempos NOSSOS refulgiu com luz Mais clara o Privilégio da Assunção corpórea da Mãe de Deus.
4. ESSE Privilégio brilhou com novo fulgor quando O Nosso predecessor Memória imortal de, Pio IX, definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição. De Fato cessos Dois dogmas o Estação estreitamente conexos Entre si. Cristo com a Própria morte venceu a morte EO Pecado, e TODO AQUELE Que Pelo Batismo de novo e Gerado, sobrenaturalmente, Graça Pela, vence também o Pecado ea Morte. Porem Deus, Por Lei Ordinária, de Modo concederá EAO JUSTOS O Pleno EFEITO DESTA Vitória Sobre a morte, quando chegar o Fim tempos do DOS. Por ESSE Motivo, Corpos SO dos Justos corrompem-se DEPOIS da morte, e de Modo None ÚLTIMO dia se juntarão com a Própria alma gloriosa.
5 Mas Deus Quis Dessa excetuar Lei Geral de Bem-aventurada Virgem Maria. Por hum Privilégio inteiramente singular Ela venceu o Pecado com a SUA Concepção Imaculada; e POR ESSE Motivo Localidade: Não FOI sujeita à lei de Permanecer na Corrupção Fazer sepulcro, NEM Teve de esperar hum Redenção fazer tempos Corpo ATÉ AO FIM DOS.
6. quando se definiu solenemente Que a Virgem Maria, Mãe de Deus, FOI imune de um SUA Concepção de Toda a mancha, logotipo OS Corações dos Fiéis conceberam UMA Mais viva Esperança de que EM BREVE o supremo magistério da Igreja definiria também o dogma da assunção corpórea da virgem Maria AO Céu.
Petições Pará UMA Definição dogmática
7 de Fato, sucedeu Que Localidade: Não SO OS Simples Fiéis, MAS ATÉ aqueles que, de Certo modo, personificam Como Nações UO Como Provincias eclesiásticas, e MESMO Localidade: Não poucos Padres do Concílio Vaticano pediram instantemente à Sé Apostólica ESTA Definição.
8 Com o decurso do Tempo essas petições e-votos de: Não diminuíram, Os pingos foram aumentando de dia par dia los Nummer e insistência. Com ESSE FIM fizeram-Se Cruzadas de orações; muitos e exímios teólogos intensificaram com ardor OS SEUS ESTUDOS SOBRE este ponto, Quer los Privado, Quer NAS Universidades eclesiásticas OU NAS Otras escolas de disciplinas sagradas; celebraram-se muitas EM contraditório Congressos marianos Nacionais e INTERNACIONAIS. Todos sos Estudos e Investigações mostraram com Maior Realce Que No Depósito da Fé Cristã, confiado à Igreja, tatmbém se encontrava a assunção da virgem Maria AO Céu. E de ordinário a CONSEQÜÊNCIA FOI enviarem súplicas los Que se pedia instantemente a Definição solene Desta Verdade.
9 Acompanhavam OS Fiéis nessa piedosa insistência OS SEUS Sagrados Pastores, OS cais cais Quais d'Orsay d'Orsay dirigiram hum ESTA Cadeira de S. Pedro semelhantes petições los Nummer Muito considerável. Quando fomos Elevado AO sumo pontificado, JA tinham Sido apresentadas milhares a Sé Apostólica ESTA muitos dessas súplicas, Vindas de TODAS Como contraditório do Mundo e de TODAS Como Aulas de Pessoas: dos NOSSOS AMADOS Filhos Cardeais Fazer Sacro Colégio, dos NOSSOS veneráveis ​​Irmãos Arcebispos e Bispos, das dioceses e paróquias Das.
10 Por ESSE Motivo, AO MESMO ritmo Que dirigíamos a Deus intensas súplicas, Paragrafo Que concedesse A Nossa Mente a luz do Espírito Santo Pará decidirmos TÃO Importante Causa, estabelecemos Normas Especiais los que determinamos que se procedesse com TODO o Cuidado a hum Estudo MAIS rigoroso da Matéria, e se reunissem e examinassem TODAS Como petições relativas à assunção da Santíssima virgem, enviadas Sé Apostólica hum de o Ritmo do Nosso predecessor Pio Memória feliz IX, de, COMEU AO Presente. (1)
Consulta AO episcopado
11 Mas Como se tratava de ASSUNTO de tanta importancia e transcendência, julgamos oportuno Rogar Direta e oficialmente hum de Todos os NOSSOS veneráveis ​​Irmãos no episcopado, Que nsa quisessem manifestar explicitamente a SUA Opinião. tal Pará FIM, None dia 1 ° de maio de 1946, dirigimos-lhes UMA Carta encíclica " Deiparae Virginis Mariae "  em que fazíamos esta pergunta: "Vos SE, veneráveis ​​Irmãos, na Vossa Sabedoria Exímia e Prudência, julgais Que a assunção corpórea da Santíssima Virgem PODE Ser proposta e definida Como dogma de Fé, e se desejais Que o SEJA, Tanto Vos Como o Vosso clero e Fiéis ".
Doutrina concorde do Magistério da Igreja
12 E aqueles que "o Espírito Santo colocou Como Bispos Pará Reger uma Igreja de Deus" (At 20, 28) Quase unanimemente Deram RESPOSTA Afirmativa UMA perguntas Ambas Como. ESSA "singular Concordância dos Bispos e Fiéis" (2) EM julgar Que a assunção corpórea AO Céu da Mãe de Deus podios Ser definida Como dogma de Fé, Mostra-SOE a doutrina concorde do magistério ordinário da Igreja, ea Fé igualmente concorde do povo Cristão - Que AQUELE magistério Sustenta e dirige - e POR ISSO MESMO Manifesta, de Modo Certo e imune de Erro, Que Tal Privilégio É Verdade Revelada POR DEUS É contida no Divino Depósito Que Jesus Cristo confiou a SUA Esposa Para o guardar fielmente e infalivelmente o declarar. (3) De Fato, ESSE magistério da Igreja, Nao POR Estudo meramente Humano, MAS Pela Assistência do Espírito de Verdade (cf. Jo 14,26), e portanto Absolutamente SEM Nenhum Erro, desempenha UMA Missão Que LHE FOI confiada de conservar Semper Puras e Integras Como Verdades Reveladas; e Pelo MESMO Motivo transmite-as SEM Contaminação e SEM lhes ajuntar NEM subtrair nada. "Pois - Como ENSINA o Concilio Vaticano - o Espírito Santo prometido FOI AOS SUCESSORES de Pedro Localidade: Não Paragrafo Que, POR SUA Revelação, doutrinas expressem Novas, mas Paragrafo Que, com o SUA Assistência, guardassem com Cuidado e expusessem fielmente a Revelação transmitida apóstolos Pelos Hook, OU SEJA o Depósito da Fé ". (4) Por ESSA Razão, do Consenso universal do Magistério da Igreja, deduz-se hum Argumento Certo e Seguro de par demonstrar a assunção corpórea da Bem-aventurada Virgem Maria. ESSE Mistério, Pelo Que respeita à glorificação celestial do Corpo da augusta Mãe de Deus, Nao podios Ser conhecido POR nenhuma Faculdade da Inteligência COM parágrafo Humana Como Forças Naturais. É, portanto, POR Verdade Revelada Deus, e POR ESSA Razão de Todos os Filhos da Igreja TEM obrigação de hum CRER firme e fielmente. Pois, Como Afirma o Concílio Vaticano MESMO, "TEMOS obrigação de CRER com Fé divina e Católica, TODAS Como Coisas que se CONTÉM na Palavra de Deus Escrita OU transmitida oralmente, e Que a Igreja, com solene Definição UO com o Seu magistério ordinário e universal, nos propõe Crer, Como Reveladas POR Deus "(5).
Testemunhos da Crença na assunção
13 de remotíssimos Tempos, Pelo decurso dos Séculos, aparecem-SOE Testemunhos, indícios e Vestígios Desta Fé Comum da Igreja; Fé Que se manifes CADA Vez Mais claramente.
14 Fiéis OS, guiados e instruídos pastores Pelos Hook, souberam POR Meio da Sagrada Escritura Que a Virgem Maria, de Durante UMA SUA Peregrinação terrestre, levou Vida Cheia de Cuidados, Angústias e sofrimentos; e Que, Segundo a Profecia do Santo Velho Simeão, Uma espada de dor LHE traspassou o Coração, Junto da Cruz do Seu divino Filho e Nosso Redentor. E Fazer MESMO MoDo, Nao tiveram dificuldade los admitir Que, à semelhança do Seu Filho unigênito, tambem a excelsa Mãe de Deus Morreu. Mas ESSA persuasão de: Não OS impediu de CRER Expressa e firmemente Que o Seu Sagrado Corpo de: Não sofreu hum Corrupção Fazer sepulcro, NEM FOI Reduzido à podridão e Cinzas AQUELE tabernáculo Fazer Verbo divino. Pelo contrario, o OS Fiéis iluminados Pela Graça e abrasados ​​de amor par com aquela Que É Mãe de Deus e Nossa Mãe dulcíssima, compreenderam CADA Vez Maior clareza com UMA Maravilhosa harmonia existente Entre OS privilégios concedidos POR Deus àquela Que o MESMO Deus Quis associar AO Nosso Redentor. ESSES privilégios elevaram-na a UMA ALTURA TÃO grande, Que Localidade: Não FOI atingida POR Nenhum Ser Criado, excetuada somente a Natureza Humana de Cristo.
15 Patenteiam inequivocamente ESTA MESMA Fé OS inumeráveis ​​Templos consagrados a Deus lhes Honra da Assunção de Nossa Senhora, e Como Imagens Neles expostas à veneração dos Fiéis, Que mostram AOS Olhos de Todos Este triunfo singular da Santíssima Virgem. Muitas Cidades, dioceses e regiões foram consagradas AO especial patrocínio e Proteção da Assunção da Mãe de Deus. Fazer MESMO modo, com aprovação da Igreja, fundaram-se Institutos Religiosos com o nomo dEste Privilégio. Nem se passar Desen los Silêncio Que Não Rosário de Nossa Senhora, cuja reza Tanto recomenda ESTA Sé Apostólica, ha hum Mistério proposto à Nossa Meditação, Que, Como Todos Sabem, E consagrado à Assunção da Santíssima Virgem AO Céu. 
Testemunho da liturgia
16 De Modo AINDA Mais universal e esplendoroso se manifes ESTA Fé dos pastores e dos Fiéis, com UMA FESTA Liturgica da Assunção celebrada a partir de Tempos antiquíssimos no Oriente e Ocidente nao. Nunca Santos OS padres e Doutores da Igreja deixaram de haurir luz Nesta solenidade, POIs, Como Todos Sabem, a sagrada liturgia, "Sendo também Profissão das Verdades Católicas, e estando sujeita AO supremo magistério da Igreja, PODE fornecer Argumentos e Testemunhos de Nao Pequeno valor nominal determinar algum Ponto da doutrina Cristã "(6).
17. n.os Livros litúrgicos los Que Aparece UMA festa da  Dormição UO da Assunção de santa Maria , encontram-se expressões que de UMA OU outra Maneira concordam los referir que, quando a virgem Mãe de Deus Passou dEste Exílio Para O Céu, POR UMA Especiais Providência divina, sucedeu AO Seu Corpo Algo de consentâneo com a Dignidade de Mãe do Verbo encarnado e com OS Para nós Ligação privilégios Que LHE foram concedidos. É O QUE SE Afirma, apresentarmos Pará hum Exemplo elucidativo, Nao  Sacramentário  predecessor enviado Pelo Nosso de Memória imortal Adriano I, Imperador Carlos Magno AO. Nele se Diz: "E digna de veneração, Senhor, um dia festividade dEste, EM que um Papai Mãe de Deus sofreu a morte temporal mas Localidade: Não PODE Ficar presa com algemas Como da morte aquela Que Gerou Localidade: Não Seu seio o Verbo de Deus encarnado, Vosso Filho, Nosso Senhor ". (7)
18 Aquilo Que Aqui do SE UMA REFERÊ com sobriedade de Palavras costumeiras na Liturgia romana, Exprime-se Mais difusamente nn Para nos ligam Livros Das Antigas liturgias Orientais e ocidentais. O Sacramentário Galicano , Exemplo POR, Chama UMA ESSE Privilegio de Maria, "inexplicável Mistério, Tanto Mais Digno de Ser proclamado, Quanto e Único Entre OS Homens, Pela assunção da virgem". E na liturgia bizantina a assunção corporal da virgem Maria e relacionada DIVERSAS vezes Localidade: Não Só com a Dignidade de Mãe de Deus, MAS também com OS Para privilégios nos ligam, especialmente com a SUA Maternidade virginal, decretada POR UM Designio singular da Providência divina: "Deus, Rei do Universo, privilégios concedeu-vos que superam a Natureza ;. ASSIM Como No parto vos conservou a virgindade, Assim Localidade: Não sepulcro vos preservou o Corpo da Corrupção EO conglorificou Pela divina translação" (8)
A festa da Assunção
19 A Sé Apostólica, Herdeira do múnus confiado AO Príncipe dos Apóstolos de Confirmar na Fé OS Irmãos (cf. Lc 22,32), COM SUA Autoridade FOI tornando CADA Vez Mais solene ESTA celebração. ESSE Fato estimulou eficazmente OS Fiéis a irem-se apercebendo Mais e Mais da importancia dEste Mistério. E ASSIM, a festa da Assunção, que tinha o Princípio AO MESMO grau de solenidade que Como restantes marianas Festas, elevada FOI AO rito Das Festas MAIS solenes Fazer Ciclo litúrgico. O Nosso predecessor S. Sérgio I, AO prescrever Como ladainhas, uo UMA Chamada procissão estacional, NAS Festas de Nossa Senhora, enumera simultaneamente a  Natividade , a  Anunciação , a  Purificação  ea  Dormição . (9) A festa se celebrava JÁ com o nomo de Assunção da Bem-aventurada Mãe de Deus, Sem ritmo de S. Leão IV ESSE papa procurou Que se revestisse de Maior esplendor, Mandando ajuntar-LHE a vigília ea oitava. E o proprio pontífice Quis Participar nessas solenidades, acompanhado de Imensa Multidão. (10) Na vigília de JA HÁ Muito se guardava o jejum, Como se Prova com Evidência Fazer Afirma que O Nosso predecessor S. Nicolau I, AO TRATAR dos principais jejuns "que ... desde OS tempos Antigos observava e AINDA UMA OBSERVA de Santa Romana Igreja "(11).
20 A Liturgia da Igreja Localidade: Não cria UMA Fé Católica, mas supõe-na; EE Dessa Fé Que brotam OS ritos Sagrados, Como da Árvore OS frutos. POR ISSO os Santos Padres e Doutores NAS homilias e sermões que Nesse dia fizeram AO Povo, Nao foram buscar ESSA doutrina à liturgia, Como a Fonte Primária; mas falaram Dela AOS Fiéis Como de Coisa sabida e admitida Por Todos. Declararam-na Melhor, explicaram o Seu significado EO Fato com Razões Mais Profundas, destacando e amplificando Aquilo que muitas vezes OS Livros litúrgicos apenas aludiam los poucas Palavras, um sabre, que esta com festa de: Não se comemora somente a incorrupção do Corpo Morto da Dinamarca Santíssima Virgem, mas principalmente o triunfo POR ELA alcançado Sobre a morte ea SUA celeste glorificação à semelhança do Seu Filho unigênito, Jesus Cristo.
Testemunho dos santos Padres
21 S. João Damasceno, que entre Todos se distingue Como pregoeiro Dessa Tradição, AO comparar a assunção gloriosa da Mãe de Deus com o SUAS Como Otras prerrogativas e privilégios, Exclama com veemente eloqüência: "Convinha Que aquela Que No parto manteve ilibada virgindade conservasse O Corpo incorrupto MESMO DEPOIS da morte. Convinha Que aquela Que Trouxe de: Não seio o Criador encarnado, habitasse tabernáculos Entre OS divinos. Convinha que Morasse de: Não tálamo celestial aquela Que o Eterno Pai desposara. Convinha Que aquela Que Viu o Seu Filho na cruz, com o Coração traspassado POR UMA espada de dor de que tinha Sido imune None parto, contemplasse assentada à Direita do Pai. Convinha Que a Mãe de Deus possuísse o Que Fazer era Filho, e Que Fosse Venerada POR TODAS Como Criaturas como Mãe e Serva Fazer MESMO Deus "(12).
22 Condizem com essas Palavras de s. João Damasceno Como de muitos para nos link que afirmam a doutrina MESMA. E Localidade: Não São Menos expressivas, NEM Menos Exatas, Como Palavras Que se encontram Nos sermões proferidos Pelos santos Padres Mais Antigos UO da MESMA Época, ordinariamente POR OCASIÃO Dessa festividade. ASSIM, Paragrafo citar Outro Exemplo, s. Germano de Constantinopla julgava Que a incorrupção do Corpo da Virgem Maria Mãe de Deus, ea SUA Assunção AO Céu São corolários de: Não So da SUA Maternidade divina, mas ATÉ da Santidade daquele SINGULARES Corpo virginal: "Vos, Como ESTA Escrito, EM Beleza 'aparecestes'; o Vosso Corpo virginal E Totalmente santo, Totalmente casto, Totalmente Domicílio de Deus de forma que ATÉ POR Este Motivo FOI isento de desfazer-se em OP; FOI, sim, transformado, enquanto era Humano, Paragrafo Viver a Vida altissima da incorruptibilidade, mas ágora ESTA vivo, gloriosíssimo, incólume e Participante da Vida Perfeita "(13) Outro Escritor antiquíssimo assevera POR SUA Vez .:" A gloriosíssima Mãe de Cristo, Deus e Salvador Nosso, dador da Vida e da imortalidade, glorificada FOI Revestida e do Corpo na eterna incorruptibilidade, POR AQUELE MESMO UMA Que ressuscitou Fazer sepulcro ea chamou a si duma forma que até ELE SABE "(14).
23 A MEDIDA Que a festa Liturgica se FOI Espalhando, e Celebrando Mais devotamente, Maior FOI o numéro de Bispos e oradores Sagrados que julgaram de Seu Dever explicar com clareza Toda a O Mistério Que se venerava Nesta solenidade e mostrar Como Ela estava intimamente relacionada com Como Otras Verdades Reveladas.
Teólogos Testemunho DOS
24 Entre teólogos escolásticos OS, alguns de: Não faltaram, Que, pretendendo Penetrar Mais profundamente NAS Verdades Reveladas, o Acordo de Incorporação e mostrar entre Uma Chamada Razão Teológica ea Fé Católica, notaram UMA Estreita Conexão existente entre este Privilégio da Assunção da Santíssima Virgem e Como Demais Verdades contidas na Sagrada Escritura.
Partindo desse pressuposto 25, apresentam DIVERSAS Razões Para corroborar ESSE Privilégio mariano. A Razão Primária e diziam Fundamentos de Ser O Amor filial de Cristo Para O LeVar hum Querer UMA assunção de SUA Mãe AO Céu. E advertiam Mais, que a Força dos Argumentos se baseava na incomparável Dignidade da SUA Maternidade divina e lhes TODAS Como Graças que Dela derivam: a altissima Santidade que exceder como Santidade de Todos os Homens e anjos, um Íntima União de Maria com o Seu Filho, e sobretudo o de amor Que o Filho consagrava a SUA Mãe digníssima.
26 vezes Muitas OS teólogos e oradores Sagrados, seguindo OS Passos dos Santos Padres (15), Pará explicarem a SUA Fé na assunção, serviram-se com Certa Liberdade de Fatos e Textos da Sagrada Escritura. E ASSIM, Paragrafo mencionar Só alguns Mais Empregados, houve QUEM citasse Vá para este Propósito Como Palavras do salmista: "Erguei-vos, Senhor, Para O Vosso Repouso, Vos ea Arca de Vossa santificação" (Sl 131, 8); e na Arca da Aliança, Feita de madeira incorruptível e colocada no Templo de Deus, viam Como que UMA Imagem do Corpo Puríssimo da virgem Maria, preservado da Corrupção Fazer sepulcro, e elevado a tamanha Glória Localidade: Não Céu. Fazer MESMO modo, AO TRATAR Desta Materia, descrevem UMA Entrada triunfal da Rainha na corte celeste, e Como se Vai Sentar a Direita do divino Redentor (Sl 44,10.14-16); e recordam A Proposito UMA Esposa dos Cantares "Que Sobe Deserto pelo, Como UMA Coluna de mirra e de Incenso" Para Ser Coroada (Ct 3,6; cf. 4,8; 6,9). Ambas São propostas Como Imagens daquela Rainha e Esposa celestial, Que sobe AO Céu com o Seu Esposo divino.
27 Os Doutores escolásticos vislumbram igualmente a assunção da Mãe de Deus Localidade: Não Só lhes Varias Figuras Fazer Antigo Testamento, mas também Naquela Mulher, Revestida de sol, Que o apóstolo s. João contemplou na ilha de Patmos (Ap 12, ls.). Porem, Textos Entre OS Fazer Novo Testamento, consideraram e examinaram COM Particulares aquelas Cuidado Palavras: "Ave, Cheia de Graça, o Senhor E convosco, bendita sois Vos Entre Como Mulheres" (Lc 1,28), POIs viram None Mistério da Assunção o complemento daquela plenitude de Graça, concedida à Santíssima Virgem, e UMA singular benção contraposta à Maldição de Eva. 
Na Teologia Escolástica
28 Por ESSE Motivo, nos primórdios da Teologia Escolástica, o piedosíssimo varão Amadeu, bispo de Lausana, afirmava Que a carne da virgem Maria permaneceu incorrupta - NEM SE PODE CRER Que o Seu Corpo padecesse a Corrupção -, o o Porque se uniu de novo à alma, e juntamente com Ela penetrou na corte celestial. "Pois era ELA Cheia de Graça e Bendita Entre Como Mulheres (Lc 1,28). Só Ela mereceu conceber o Deus verdadeiro do Deus verdadeiro, e Sendo virgem DEU-o à luz, amamentou-o, Trouxe-o no regaço, e prestou-LHE de Todos os Cuidados maternos ". (16)
29 Entre OS Escritores Sagrados Que naquele ritmo COM VÁRIOS Textos, comparações e analogias tiradas das divinas Letras, ilustraram e confirmaram a doutrina da Assunção los que piamente acreditavam, Ocupa Lugar primordial o doutor evangélico s. Antônio de Pádua. Na festa da Assunção, AO Comentar aquelas Palavras de Isaías: "glorificarei o Lugar dos MEUS PES" (Is 60,13), afirmou com Segurança Que o divino Redentor glorificou de Modo Mais Perfeito a SUA Mãe amantíssima, da qua tomara carne Humana. "Daqui, ve-se claramente", Diz, "Que O Corpo da Santíssima Virgem FOI AO ASSUNTO Céu, POIs era o Lugar dos pes FAZ Senhor". Pelo Que, escreve o salmista: "Erguei-vos, Senhor, Para O Vosso Repouso, Vos EA Arca da Vossa santificação". E Como ASSIM, acrescenta AINDA, Jesus Cristo ressuscitou triunfante da morte e subiu Paragrafo hum Direita do Pai, ASSIM também "ressuscitou a Arca da SUA santificação, quando Neste dia um assunta virgem Mãe FOI AO tálamo celestial". (17)
No PERÍODO Áureo
30 quando, na Idade Media, a Teologia Escolástica atingiu o Maior esplendor, s. Alberto Magno, Paragrafo demonstrar ESSA Verdade, apresenta fundados Vários Argumentos nd Sagrada Escritura, na Tradição, na liturgia por e lhes Razões teológicas, e CONCLUI: "Por ESTAS e Outras muitas Razões e autoridades, evidenciados E Que a Bem-aventurada Mãe de Deus foi assunta AO Céu lhes Corpo e alma SOBRE OS coros dos Anjos cremos E que IstoÉ Absolutamente verdadeiro. "(18) E num Sermão Pregado em Dia da Anunciação de Nossa Senhora, aquelas AO explicar Palavras do Anjo :." Ave, Cheia de Graça ... ", o doutor universal COMPARA a Santíssima Virgem com Eva, e Afirma clara e terminantemente que Maria foi Livre das Quatro maldições Que caíram SOBRE Eva (19).
31 O Doutor Angélico, seguindo Como pisadas do Mestre, AINDA Que Nunca TRAR expressamente Fazer ASSUNTO, Nao entanto Semper Que se oferece UMA OCASIÃO Fala DELE, e com a Igreja Católica Afirma Que O Corpo de Maria juntamente com a alma FOI AO levado Céu ( 20).
32 E da MESMA Opinião, muitos Entre a US Link, O Doutor Seráfico, o qua TEM Como Certo Que, Assim Como Deus preservou Maria Santíssima da violação do pudor e da Integridade virginal AO conceber e dar à luz o Seu Filho, ASSIM Localidade: Localidade: Não permitiu isso. o Seu Corpo se desfizesse los podridão e Cinzas (21) Aplica a Santíssima Virgem, EM SENTIDO acomodatício, aquelas Palavras da Sagrada Escritura: "Quem E esta que sobe do Deserto, Cheia de gozo, e Apoiada no Seu amado?" (Ct 8,5), e raciocina Desta forma: "Daqui PODE concluir-se Que ELA ESTA ali corporalmente (na Glória celeste) ... o ... o Porque a SUA Felicidade Localidade: Não Seria plena se ali de: Não estivesse em Pessoa; ora hum Pessoa Localidade: Não E de forma a alma, mas o Composto; logotipo E Claro Que ESTA ali Segundo o Composto, Isto É, EM Corpo e alma ;. de Outro Modo de: Não gozaria de plena Felicidade "( 22)
Na Escolástica posterior
33 Na Escolástica posterior, OU SEJA nenhuma XV Século, São Bernardino de Sena, resumindo e ponderando cuidadosamente Tudo Quanto OS teólogos Medievais tinham Escrito UMA ESSE Propósito, Nao julgou Suficiente referir Como principais Considerações Que OS Antigos Doutores tinham proposto, mas acrescentou Otras Novas. Por Exemplo, Uma semelhança Entre a divina Mãe EO divino Filho, Nao Que respeita à perfeição e Dignidade de alma e Corpo - ASSIM Exige Absolutamente Que Maria "- Que semelhança NEM Sequer nn permite Pensar Que a Rainha celestial POSSA Estar separada do Rei dos Céus . deva Estar Onde ESTA Cristo "(23) Portanto, E Muito conveniente e Conforme à Razão que Tanto o Corpo Como a alma do Homem e da Mulher tenham alcançado ja a Glória de: Não Céu; e, Finalmente, o Fato de Nunca a Igreja ter PROCURADO Como Relíquias da Santíssima Virgem, NEM Como ter Exposto à veneração dos Fiéis, constitui hum Argumento Que É "como que UMA Experiência sensivel" da Assunção (24).
Tempos Modernos nsa
34. tempos 'em' MAIS RECENTES, Como Razões dos santos Padres e Doutores, aduzidas Acima, foram Usadas comumente. Seguindo O COMUM DOS Sentir cristãos, Dos Recebido Tempos Antigos s. Roberto Belarmino exclamava: "Quem há, pergunto, Que POSSA Pensar Que a arca da Santidade, o Domicílio Fazer Verbo, o Templo do Espírito Santo tenha caido los Ruinas Horroriza-se o Espírito Só com Pensar Que aquela carne Que Gerou, DEU UM? luz, alimentou e transportou a Deus, se tivesse convertido los Cinza OU Fosse Alimento dos Vermes "(25).
35 De Igual forma s. Francisco de Sales Afirma Que Localidade: Não se PODE duvidar Que Jesus Cristo cumpriu Fazer Modo Mais Perfeito o divino mandamento Que obriga Os Filhos de honrar OS Pais. E uma pergunta Seguir FAZ ESTA: "Que haveria Filho, Que, se pudesse, Nao ressuscitava a SUA Mãe e Localidade: Localidade: Não a levava Para o Céu" (26) E s. Afonso escreve POR SUA Vez .: "Jesus de: Não Quis Que O Corpo de Maria se corrompesse DEPOIS da morte, redundaria POIs los Seu desdouro Que se transformasse los podridão aquela carne virginal de que ELE MESMO tomara a carne Própria" (27)
36 quando JÁ tinha aparecido los Toda a SUA luz O Mistério Que se celebra Nesta festa, Nao faltaram Doutores que, em Vez de TRATAR das Razões teológicas pelas cais cais Quais d'Orsay d'Orsay se demonstrasse a absoluta Conveniência de Crença na assunção corpórea da Virgem Santíssima, voltaram O Pensamento Para a Fé da Igreja, mística Esposa de Cristo, SEM NEM mancha ruga (cf. Ef 5,27), Que o Apóstolo Chama "Coluna e sustentáculo da Verdade" (1Tm 3,15). E apoiados Nesta Fé Comum pensaram Que Seria temeraria, Paragrafo Localidade: Não herética DiZer, UMA contraria Opinião. S. Pedro Canísio, Para muitos nós Ligação Como, DEPOIS de declarar Que o Termo assunção se referia à glorificação de: Não So da alma Mas, também do Corpo, e Que a Igreja HÁ muitos Séculos venerava e celebrava solenemente Este Mistério mariano, obser: "Esta Opinião E admitida HÁ Vários Séculos e Tao fazer impressa na alma dos Fiéis, e Tao fazer recomendada Pela Igreja, que QUEM negasse a assunção AO Céu do Corpo de Maria Santíssima NEM Sequer Seria Ouvido com Paciência, mas Seria vaiado Como pertinaz, OU MESMO Temerario, e imbuido Mais de espírito herético Fazer que Católico "(28).
37 Pela MESMA Época, o Doutor exímio estabelecia ESTA Regra Paragrafo a mariologia: "Os Mistérios da Graça Que Deus operou na virgem Maria NAO SE devem Medir pelas Leis Ordinárias, SENAO Pela onipotência divina, suposta a Conveniência Fazer Fato ea Localidade: Não Contradição OU repugnância com Como Escrituras ". (29) E apoiado na Fé de Toda a Igreja, podios concluir que O Mistério da Assunção Devia fazer CRER-se com a MESMA firmeza Que o da Imaculada Conceição, e ja entao julgava Que Ambas Como Verdades podiam definidas SER. 
Fundamento escriturístico
38 Todos sos Argumentos e Razões dos santos Padres e teólogos apóiam-se, EM ÚLTIMO Fundamento, na Sagrada Escritura. Esta Nos apresenta uma Mãe de Deus extremamente unida AO Seu Filho, e de Semper Participante da SUA sorte. Pelo que parece que Quase Impossível contemplar aquela Que concebeu, DEU à luz, alimentou com o Seu leite, um Cristo, EO Teve nsa Braços e apertou contra o Peito, estivesse ágora, DEPOIS da Vida terrestre, separada DELE, SE Localidade: Não Quanto à alma, corpo AO Menos Quanto ao. O Nosso Redentor E também Filho de Maria; e Como Observador perfeitíssimo da lei divina de: Não podios deixar de honrar a SUA Mãe amantíssima logotipo DEPOIS Fazer Eterno Pai. E podendo ELE Adorna-la com tamanha Honra, preservando-a da Corrupção Fazer sepulcro, DEVE CRER-se Que Realmente o fez.
39 E convém sobretudo ter los vista que, ja a Partir do Século II, os Santos Padres apresentam a virgem Maria Como nova Eva, sujeita sim, mas intimamente unida AO novo Adão na Luta contra o Inimigo infernal. E ESSA Luta, Como JÁ se indicava nenhuma Protoevangelho, Acabaria com a Vitória Completa SOBRE O Pecado e Sobre a morte, Que Semper se encontram unidas Nos Escritos Fazer Apostolo Das gentes (cf. Rm 5, 6, LCOR 15,21-26; 54-57). ASSIM Como a Ressurreição gloriosa de Cristo constituiu-parte essencial e ÚLTIMO TROFÉU Desta Vitória, ASSIM também hum Vitória de Maria Santíssima, Comum com hum Fazer Seu Filho, devia do fazer Terminar Pela glorificação do Seu Corpo virginal. Pois, Como Diz o apóstolo AINDA, "quando ... Este Corpo mortal, se revestir da imortalidade, entao se cumprirá o Que ESTA Escrito: a morte FOI absorvida na Vitória" (1Cor 15,14).
40 dEste modo, hum augustíssima Mãe de Deus, Associada a insondável Jesus Cristo de Modo de Toda a Eternidade "com hum Único decreto" (30) de predestinação, Imaculada na Concepção SUA, semper virgem, na SUA Maternidade divina, generosa companheira afazeres divino Redentor Que obteve triunfo completo SOBRE O Pecado e SUAS consequencias, alcançou POR FIM, Como Suprema privilégios Coroa dos SEUS, Que Fosse preservada da Corrupção Fazer sepulcro, e Que, à semelhança do Seu divino Filho, vencida a morte, fossa levada los Corpo e alma AO Céu, Onde refulge Como Rainha à Direita do Seu Filho, Rei imortal DOS Séculos (cf. 1Tm 1,17).
Oportunidade da Definição
41 Considerando Que a Igreja universal - Que É Assistida Pelo Espírito de Verdade, Que a dirige infalivelmente Para O Conhecimento das Verdades Reveladas - não decurso dos Séculos manifestou de Tantas Formas hum SUA Fé; considerando Que OS Bispos de TODO O Mundo Quase unanimemente pedem que SEJA definida Como dogma de Fé divina e Católica A Verdade da Assunção da Santíssima Virgem corpórea AO Céu; considerando que esta Verdade se funda na Sagrada Escritura, ESTA profundamente gravada na alma dos Fiéis, e de Tempos antiquíssimos E Comprovada Pelo Culto litúrgico, e concorda, inteiramente, com um Otras Verdades Reveladas, e TEM Sido esplendidamente explicada e declarada Pelos Estudos, Sabedoria Prudência e DOS teólogos - julgamos chegado o Momento estabelecido Pela Providência de Deus, Paragrafo proclamarmos solenemente Este Privilégio insigne da virgem Maria. (42). NOS, que colocamos O Nosso pontificado Solúcar o especial patrocínio da Santíssima Virgem, à recorremos qua los Tantas circunstâncias tristes, NSA, que consagramos publicamente TODO o Gênero Humano AO Seu Imaculado Coração, e que experimentamos muitas vezes o Seu Poderoso patrocínio, confiamos firmemente que ESTA solene proclamação e Definição Sera, Será, será de grande proveito do Pará UMA Humanidade inteira, o o Porque reverte los Glória da Santíssima Trindade, a qua a virgem Mãe de Deus ESTA Ligada com Laços Muito Especiais. É de esperar também que de Todos os Fiéis cresçam los de amor par com a Mãe celeste, e Que OS Corações de Todos os Que se gloriam Fazer nomo de cristãos se movam a desejar a União com o Corpo místico de Jesus Cristo, e de: Não de de amor Que aumentem Pará com aquela Que TEM amor de Mãe Paragrafo Com Os Membros Fazer MESMO augusto Corpo. E também E lícito esperar Que, AO meditarem Nos Exemplos gloriosos de Maria, Mais e Mais se persuadam Todos Faze valor da Vida Humana, parágrafo se consagrada AO cumprimento da Vontade do Pai celeste ea procurar Integrante Fazer O Bem Próximo. Enquanto o materialismo ea Corrupção de trajes que DELE se origina ameaçam subverter a luz da Virtude, e destruir Vidas Humanas, suscitando Guerras, E AINDA de esperar que este luminoso e incomparável Exemplo, posto Diante dos Olhos de Todos, mostre com plena luz Qual o FIM que o SE destinam a alma Nossa EO Nosso Corpo. E, Finalmente, esperamos Que a Fé na assunção corpórea de Maria AO Céu torne Mais firme e operativa a Fé na Ressurreição Nossa Própria.
43 E e Paragrafo NÓS Motivo de regozijo Imenso que este Fato, POR Providência de Deus, se Percebe Neste Ano Santo que esta a decorrer, e Que possamos ASSIM, enquanto se celebra Este jubileu Maior, adornar com pedra preciosa ESTA UMA fronte da Virgem Santíssima , e deixar hum monumento, Mais perene Que o bronze, da Nossa ardente Devoção Paragrafo com UMA Mãe de Deus.
Definição solene do dogma
44 "Pelo Que, DEPOIS de TERMOS dirigido hum deus repetidas súplicas, e de TERMOS invocado a paz do Espírito de Verdade, Paragrafo Gloria de Deus onipotente Que UMA Virgem Maria concedeu UMA SUA Especiais benevolência, Paragrafo Honra Fazer Seu Filho, Rei imortal dos Séculos e triunfador do Pecado e da Morte, Paragrafo aumento da Glória da SUA augusta Mãe, e Paragrafo gozo e Júbilo de Toda a Igreja, com a Autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Bem-aventurados Apóstolos s. Pedro e s. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos Ser dogma divinamente Revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a virgem Maria de semper, terminado o Curso da Vida terrestre, assunta estava em Corpo e alma à Glória celestial ".
45 Pelo Que, se alguem, O Que Deus Localidade: Não permita, Ousar, voluntariamente, Negar OU Pôr los Dúvida ESTA Nossa Definição, naufraga Saiba Que na Fé divina e Católica.
46 Para Que Chegue AO Conhecimento de Toda a Igreja Nossa ESTA Definição da Assunção corpórea da virgem Maria AO CEU Queremos Que se conservem ESTA Carta Para Perpétua Memória; mandamos também que, AOS SEUS transuntos OU Copias, impressas MESMO, desde que sejam subscritas Pela Mão de algum notario publico, e munidas com o selo de alguma Pessoa constítuida los Dignidade eclesiástica, se lhes de O MESMO Crédito que um Presente, se Fosse apresentada e mostrada.
47 A NINGUEM, POIs, SEJA lícito infringir ESTA Nossa declaração, proclamação e Definição, OU temerariamente opor-se-LHE e contraria-la. Se alguem presumir intenta-lo, Saiba Que incorre na indignação de Deus onipotente e dos Bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo.

Dado los Roma, Junto de São Pedro, no Ano do Jubileu Maior, de 1950, None dia 1 ° de Novembro, festa de Todos os Santos, no XII Ano fazer Nosso pontificado.

Eu PIO, Bispo da Igreja Católica ASSIM definindo, subscrevi.